Fim de Jogo de Frank Peretti & Ted Dekker

16 dezembro 2010
Postado por Livy



FIM DO JOGO – Frank Peretti & Ted Dekker – Ed. Thomas Nelson Brasil  - 297 pgs.


Sinopse:  Um Jogo. Sete Jogadores. Três regras. Fim do jogo ao amanhecer. Descubra que a aventura começa quando uma lata com as regras do jogo é lançada sobre a casa. Elas não fazem sentido algum, exceto para um serial killer. Ao longo do jogo, percebe-se que a única forma de vencer é prder e a única forma de sair é entrar. – (Contra capa do livro).


Os autores:  Frank Peretti é autor de diversos  best-sellers e é considerado um novo Stephen King do gênero sobrenatural. Seus livros já venderam mais de 9 milhões de exemplares e várias de suas obras já foram adaptadas para o cinema. Ted Dekker já vendeu mais de 2 milhões de exemplares e alcançou presença na lista dos livros mais vendidos do The York Times. Dekker cresceu junto à florestas da Indonésia e atualmente mora no estado do Colorado, nos Estados Unidos.



Gostei do trabalho gráfico desse livro. A capa ficou bem legal, sombria, refletindo perfeitamente o clima do livro. A sinopse na contra capa também é bastante chamativa. O apelo visual  do livro é como a chama de uma vela para uma mariposa, é impossível resistir. Seguindo pelo visual gráfico do livro, as 297 páginas do livro deveriam cumprir na íntrega o que a parte externa promete. Mas as coisas não funcionam bem assim. O livro não passa disso, uma chama que atrai…


Além da sensação de estar em um carrinho desgovernado na maior montanha russa do mundo, com loops, spins e descidas ingremes e vestiginosas de tirar o fôlego, Fim do Jogo nos transmite a sensação imcômoda de ter sido escrito em uma única noite para ser lido em um único dia.  Mais parece um roteiro para um filme do que mesmo uma obra literária. Apresenta uma narrativa moderna e fluida, sem aquelas longas e intermináveis explicações que só servem para gastar tinta e papel; o suspense é constante e, muitas vezes, asfixiante; há muita violência verbal e tensão psicológica; o livro tem ação rasteira e direta, com uma trama que não exige muito do nosso raciocínio.
  

Tudo isso faz você pensar: “poxa, parece se rum ótimo livro…” Fim do Jogo é um bom livro. Eu diria até que é razoável, pra ser sincero. Seu mérito, no entanto, está no suspense, e o livro vende pela capa e pela sinopse chamativa (um excelente trabalho da Editora Thomas Nelson Brasil). E correr da leitura, Peretti e Dekker conseguem nos prender, assim como a casa prende os personagem até o término do livro, construindo um suspense de ação frenética que aguça a nossa curiosidade a cada página virada. É aquela curiosidade mórbida para querer saber quem vai ser a primeira vítima.


A trama se passa dentro de um hotel construído no meio do nada, para onde convergem dois casais desajuizados: Jack e Stephanie – que estão se separando depois da morte da filha, e Randy e Leslie – que já estão no hotel quando eles chegam. A esses quatro se juntam outros personagens, num total de cinco, além do serial killer. E todos os sete estarão participando de um jogo mortal, onde matar é a única forma de sair. Quando os dois casais são forçados a participarem do jogo, a ação torna-se um frenêsi constante, e isso já nas primeiras páginas do livro. Os protagonistas correm, correm e correm muito, do começo ao fim, num vaivem interminável. Chega a dar vertigem na gente (sindrome da montanha russa)… Do começo até metade do livro, ou um pouco mais, essa correria vai bem, o livro  empolga, mas logo enjoa. A narrativa fica meio cansativa, pois tem-se diante dos olhos intermináveis idas e vindas pelos porões da casa, sem muita criatividade.


Peretti e Dekker são excelentes autores,  nem vou discutir isso. Há um ditado que diz que duas cabeças pensam melhor do que uma, porém não creio que tenha funcionado muito bem neste caso. Tive a sensação de que os autores não se entendiam no que pretendiam fazer com a ideia do livro e acabaram criando uma trama confusa, meio sem pé nem cabeça, com um final ridículo e decepcionante. A história carece de profundidade, assim como os personagens.  Sabemos que Jack (escritor) e Stephanie (cantora) estão se separando, os dois se culpam pela perda da filha que morreu afogada. Apesar do drama que cerca os dois protagonistas, os autores não exploram essa situação, aprofundando o drama entre eles dois e deixando que a tragédia seja igualmente explorada pelo serial killer em proveito do jogo macabro que ele lhes impõem forçosamente. O mesmo ocorre com Randy e Leslie que atuam mais como coadjuvantes e dos quais sabemos muito pouco: ele é empresário e ela psicóloga. Com isso a narrativa do livro consegue fluir sem tropeços, como um jorro contínuo. Os diálogos são curtos e rasteiros, como a mentalidade dos personagens. O terror é fraco e o sobrenatural lembra aqueles filmes de terror da década de 1980.  Aliás, Fim do Jogo, do meu ponto de vista, é uma mistura de Poltergeist e Jogos Mortais, porém bem inferior.


Poderia ter sido melhor. Sim, creio que sim. A premissa do livro é muito boa, abrindo expaço para a criatividade. No entanto, peca exatamente pela pobreza ou pela falta total dela.


Uma outra coisa que ficou muito a desejar em Fim do Jogo foi o vilão. Barsidious White parece um daqueles vilões canastrões de filmes classe C da sessão da tarde. Não convence, não assusta, não rouba a cena, como acontece com a maioria dos vilões em qualquer bom filme ou história de terror que já tenhamos assistido ou lido.  O cara é um serial killer sanguinário, maníaco, sádico, e no entanto, não conseguiu me fazer perder o sono nem por alguns minutos.  Está bem longe de um Jason (Sexta-Feira 13), Michael Myers (Halloween), Freddy Kueger (A Hora do Pesadelo), ou mesmo de um Leatherface (O Massacre da Serra Elétrica). Quando White entra na casa, esperamos que ele faça alguma coisa. E o que queremos que ele faça é aquilo que todo serial killer sabe fazer perfeitamente bem em um thriller de terror: matar. White, nesse caso, só promete.


Desta forma,  só recomendo Fim do Jogo aos leitores casuais de thillers de terror que não se preocupam muito com conteúdo. Tipo, comida pronta, fastfood, por exemplo. No entanto, para os amantes ardorosos e veteramos do gênero, aqueles que apreciam uma boa leitura, assim como uma comida refinada e suculenta, recomendo um ótimo livro:  As Ruinas, de Scott Smith (Ed. Objetiva – 368 pgs) – o qual estarei resenhando aqui, em 2011.


Capa: 10    -  Sinopse: 10   -  Originalidade : 4   -  História:  6  -  Narrativa: 6  

Nota:  6

Comentários via Facebook

5 Comentários:

  1. Oi, Livy!

    Apesar de eu adorar a capa desse livro, ainda não tive a vontade de lê-lo. E fiquei menos ainda, agora q li sua resenha... rs

    Obrigada pelos selinhos, flor!
    Logo postarei no blog!

    Beijo grande!

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  2. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

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  3. Particularmente apesar da "Pobreza" de detalhes sobre os personagens eu achei um excelente livro, quem gosta de suspense/terror vale a pena ler e tirar suas próprias conclusões!

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