Resenha Noturno de Guillermo del Toro

04 dezembro 2010
Postado por Livy

 

Está é uma nova seção do blog, em que o colaborador Cláudio Prado Jr. estará resenhando livros.
Para extreiar a coluna Resenhando por Claudio Prado Jr., começaremos com a resenha do livro Noturno.



Noturno,  de Guillermo Del Toro e Chuck Hogan, ISBN: 9788532524638, Rocco, 464 páginas.


“Eles sempre estiveram por aqui. Em silêncio e na escuridão. Esta noite a hora deles chegou. Vampiros. Em uma semana Manhattan será destruída. Em um mês, os Estados Unidos. M dois meses – o mundo.” Contra capa do livro.


Particularmente, gosto de histórias de terror e thrillers de suspense. E penso que as editoras investem muito pouco nesse estilo literário. O nicho é dominado quase sempre pelos mesmos escritores, já bastante batidos e conhecidos de todos. Entre eles, Stephen King, Ane Rice…
  

Por este motivo, quando surgiu essa edição de Noturno, em 2009, atirei-me sobre ela como um lobo faminto, e a devorei de uma só bocada. Agora, às vésperas do lançamento do segundo livro da série, li Noturno pela segunda vez para refrescar a memória – já que encomendei o meu exemplar de “A Queda” -, e fiquei bastante satisfeito com o que li. Assim, de cara, já vou dizendo que Noturno é um thriller de terror rasteiro, vai direto ao ponto, sem muito rodeios. Del Toro e Hogan não se perdem em minúcias exageradas explicando em pormenores os acontecimentos ou debulhando a  vida dos personagens. O que, de certa forma, pode desagradar leitores mais entusiastas, amantes do detalhismo ou de longas dissertações, como só Stephen King sabe fazer. Em Noturno, o único personagem que recebeu um cuidado mais depurado foi o velho professor Setrakian. Os autores nos mostram o velhote desde criança - aliás é o prólogo do livro - até os dias atuais. Nada exagerado, mas que nos transmite certo carisma e empatia pelos infortúnios que o pobre coitado passou.


Penso que os autores optaram por uma linguagem mais direta, menos rebuscada, que valoriza a ação e o terror. Por isso, o livro tem cara de roteiro de filme, com ações interrompidas para criar aquele suspense e clima de espectativa. E, sinceramente, um senhor de um filme. Como Del Toro é cineasta (“Labirinto do Fauno”, “Hellboy” e “Blade 2”), quem sabe ele nos presenteia com a trilogia cinematográfica da sua obra literária. E por falar em Blade 2, não poderia deixar de dizer que Noturno guarda algumas semelhanças com o filme, principalmente os vampiros. Certamente Del Toro valeu-se da experiência ao dirigir o segundo episódio de Blade para co-escrever o livro. E como reforço, Del Toro se diz apaixonado por histórias de terror, principalmente de vampiros, e diz possuir inúmeras obras literárias e cinematográficas acerca do tema. Talvez esteja aí a justificativa para ele ter dado mais ênfase aos vampiros do que aos protagonistas da história.


Seja como for, Noturno poderia ser um pouco melhor. Cumpre o seu papel, apresentando-nos uma boa história de vampiros. Faltou um pouco mais de profundidade na construção dos personagens, principalmente nos de Ephraim e Nora.  Acabamos nos simpatizando mais com o velho Setrakian, o qual ganha a nossa empatia. O velhote, nos seus mais de sessenta anos, esbanja força de vontade e determinação na caça aos vampiros, fazendo Eph e Nora suarem a camisa para acompanhar o destemido professor.


Quanto aos vampiros… Bem, há centenas deles. Mais de 250 desembarcando em New York em um voo vindo da Alemanha. Del Toro e Hogan não poupam nem mesmo as crianças. Algumas cenas são fortes, e é difícil não sentir um certo calafrio na nuca ao lê-las. Nesse ponto os autores capricharam. Principalmente porque água benta, alho, crucifixos, estacas de madeira… nada disso resolve contra os vampiros de Del Toro. Nem mesmo tiro de revólver ou de metralhadora. Para matá-los, as únicas armas são prata pura e luz UBV. Agora imagine você enfrentando um bando de vampiros armado apenas de uma adaga, ou com uma espada, ou apenas usando uma lanterna com luz UBV? 

Mas isso ainda não é o pior. Por detrás desses monstros bebedores de sangue existe o Mestre. Sardu, o vampiro-rei. Uma criatura completamente diferente do galmouroso vampiro eternizado no cinema por Bela Lugosi (1882 - 1956). Em Noturno, Sardu é um ser vil e assustador que carrega dentro de si uma praga. Em Noturno, o vampirismo é mostrado como uma doença. E esse, do meu ponto de vista, é o grande diferencial do livro. Del Toro acertou em cheio ao colocar os seus vampiros em uma atmosfera apocalíptica, mais ainda ao tratá-los como uma doença epidêmica. Outra influência de Blade 2? 

Vejo Noturno da seguinte manira. É um preâmbulo. Um prólogo de 464 páginas onde os autores nos apresentam os personagens do bem e do mal e o terreno onde a batalha será travada, e de que maneira ela será disputada. Imagino que nos próximos dois volumes o conflito, entrevisto nesta primeira parte, deverá se aprofundar e ficar mais sombrio a medida em que os vampiros se propagam pela cidade.  Desta forma, espero um melhor desenvolvimento dos demais personagens e, de quebra,  a chance de conhecer a história do próprio Sardu. Setrakian tem carisma, mas é velho demais para carregar ele sozinho toda a trilogia nas costas, e Sardu ainda não causa o impacto esperado para um vilão de tamanha envergadura.


Nota 8, para Norturno.

Comentários via Facebook

1 Comentários:

  1. Sorry, mas nem li a resenha. É que eu estou lendo o livro e quero evitar ler alguma coisa que eu não deveria. Depois que terminar volto aqui e leio.

    Abraço
    Victor Lopes
    yaboys.blogspot.com

    ResponderExcluir

Veja os antigos!

Banner Publicidada – rodapé

Todos os textos, fotos e resenhas publicados são produzidos por e de uso exclusivo de No Mundo dos Livros. Exceto quando alguma matéria se baseia/inspira em alguma fonte, a mesma será sempre citada. Por isso, por favor, não copie nenhuma postagem sem a devida autorização.

Desenvolvimento com por