Resenha: Cidade da Penumbra, de Lolita Pille

13 fevereiro 2011
Postado por Livy


Cidade da Penumbra
Lolita Pille
Tradução: Julio Bandeira 
ISBN: 978-85-987-0896-0
Preço:
R$29,90
Lançamento: 2011-01-19
Páginas:
304
Gênero:
Ficção
Editora: Intrínseca
Pontuação:♥ ♥   
Na Cidade de Clair-Monde, em um futuro próximo, sob uma espessa camada de nuvens e bruma, vivem os habitantes de uma cidade ideal na qual, para o bem de cada indivíduo, tudo o que pode ser prejudicial é proibido: os implantes bancários subcutâneos controlam os gastos, uma brigada antissuicídios fiscaliza as crises depressivas, a compatibilidade sexual é exibida em uma tela-rastreador portátil, as drogas são vendidas livremente, todos têm direito à cirurgia estética e à juventude quase eterna. Se não se deseja mais ser feliz, agora há escolha: viver nos confins da cidade, entre mortos-bancários, drogados, obesos, malucos. "Com a Clair-Monde, a felicidade não é mais uma utopia."Nessa sátira a uma sociedade utópica baseada na premissa da felicidade obrigatória, em uma atmosfera de policial noir, a autora faz referências a pesos-pesados da ficção científica, como Philip K. Dick, autor de Do Androids Dream of Electric Sheep?, o livro que inspirou o filme Blade Runner. Cidade da penumbra é um retrato muito bem-acabado do consumismo e do endividamento bancário, do uso indiscriminado de remédios e drogas e da ditadura da felicidade a qualquer preço. Ao lidar com esses temas que já assombram o presente, Lolita Pille cria polêmica e aborda o totalitarismo, o racismo, a desinformação, a vigilância big brother, as cibertecnologias e assim, mais uma vez, desafia convenções.

 Bom, para começar a resenha, vou deixá-los com um pensamento meu sobre os livros: sabe o que acho super interessante no ato de ler? É que, a visão que o autor teve ao escrever seu livro, e a mensagem que quis passar ao narrar sua história, provavelmente será diferente da minha visão e interpretação da mesma. Assim como você ao ler esta resenha e depois, ler o livro, pode ter uma impressão totalmente diferente da minha, e assim por diante.

Agora, falando do livro. Em primeiro lugar eu o definiria com duas palavras: curto e grosso. Eu já tinha ouvido falar que Lolita Pille não nos poupa com sua narrativa, ela é direta e certeira, nos atingindo com suas palavras sem pudor ou receio. Eu diria que o modo como ela conduz a história não é para os fracos. Se você não curte uma história forte e cheia de opiniões marcantes, talvez não goste muito deste livro.

Aliás a narrativa e história me lembraram muito o filme Gamer, que é de ficção científica futurista, dirigido por Mark Neveldine e Brian Taylor, e estrelado por Gerard Butler, lançado em 2009. Não que a história de ambos seja igual ou meramente parecida, longe disso. Mas é que a sensação que eu tive ao ver o filme, é a mesma que tive ao ler este livro de Lolita Pille. Em alguns momentos me empolgando e em outros me dando até mesmo aflição.

Como o próprio nome do livro diz, os cidadães de Clair-Monde, a Cidade, estão presos neste lugar que vive na Penumbra, sem verem a luz "verdadeira" do Sol. Através de bolhas que encobrem a Cidade, e por meio de projeções é recriado o céu, dando a falsa impressão de que tudo está normal. Mas tudo está muito longe de estar bem. Uma coisa interessante no livro, é que não se tem noção de tempo, se o que está acontecendo é um futuro longínquo ou próximo, já que a marcação de ano se inicia do zero. A história trata dos vícios e maldades que se encontram em cada ser humano, assim como trata também das instituições falidas e sem causa verdadeira, ou até mesmo dos governos falhos, que encobrem todo tipo de acontecimentos em benefício próprio. Além de destacar a dependência das pessoas e sua cegueira para o que é real.

O livro é dividido em cinco partes, que são respectivamente: O GRANDE APAGÃO, MORTE DE UM HACKER, AZUL COMO AÇO, EXIT, e ANTES DO CREPÚSCULO. Logo que comecei a ler o livro, a primeira parte me foi um pouco estranha, por diversos fatores, como por exemplo a narrativa abrupta de Lolita, e por algumas descrições realmente grotescas. E foi assim que terminei de ler O GRANDE APAGÃO, achando tudo meio estranho. Logo que o livro entra na segunda parte, MORTE DE UM HACKER, eu já estava mais acostumada com a narrativa e descrições da autora, assim como sua visão. Eu realmente comecei a gostar da trama, me envolvendo e torcendo por Syd Paradine.

A partir desta parte do livro, conhecemos melhor vários aspectos da história e dos personagens, e seu passado. Aliás Syd Paradine, apesar de ser um beberrão e desiludido, mesmo sem perceber, e apesar de continuar uma busca que talvez não tenha fim, ele é um personagem impressionante. Talvez não diria que seja carismático, definiria mais como envolvente. Não do tipo charmoso ou galã e metido a herói, mais do tipo sofrido e cansado demais. E toda sua trajetória e descobertas nos fazem querer terminar este livro. Eu diria que Lolita acertou em cheio com Syd Paradine. O livro ganha desde então um ritmo muito bom, com muita ação e fugas, em que Syd se vê ansiando por respostas e se esgueirando para salvar a própria pele. Outros personagens muito importantes na trama são Shadow Smith e Blue Smith.

Depois da terceira parte do livro intitulada de AZUL COMO AÇO, acho que a história começa a se perder um pouco. E quando terminei de ler o livro, acabei ficando com a impressão de que havia muitas cosias das quais eu gostaria de explicação. Talvez tenha sido falha minha, e infelizmente eu não posso dar muitos detalhes, pois não gosto de soltar SPOILERS em resenhas, mas realmente, foi esta a sensação que tive. Muitas incógnitas permaneceram no ar, e apesar de certa forma, algumas peças fundamentais se encaixarem,  ainda houve pequenos detalhes que escaparam à elucidação. Para finalizar, o final foi meio abrupto.

Não tirando o mérito da autora, as descrições são fantásticas, tanto as descrições psicológicas quanto  de ambientes e personagens. E para o propósito ao qual o livro se dispõe, acho que passa bem sua mensagem. Afinal se trata de uma expressão contra diversos males da humanidade, como os vícios e racismo.

Resumindo, gostei do livro, mas ele acabou sendo mediano. Alguns aspectos poderiam ter sido melhor explorados.

Comentários via Facebook

23 Comentários:

  1. Parece ser bem interessante, vou me informar mais sobre esse livro. Eu adorei Gamer, então provavelmente será interessante ler alguma coisa com o mesmo vibe.

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  2. Bom, pela resenha pareceu-me ser bom. Porém não gosto muito de ficção. :/

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  3. Oi Livy.

    Ah, não gosto de nada nesse estilo, não. Nem livros e nem filmes.

    Beijos!

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  4. Já conhecia Lolita pelo livro Hell, que eu adoro. Sou fã ela, a inteligência que ela pôe em seu livros é PERFEITA.
    Ainda não li Cidade da Penumbra, mas estou louca para ler :)
    Bela resenha.
    Beijos,
    Julie
    http://www.booksjournal.org/

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  5. Uau, adorei a resenha, o livro parece ser ótimo. Quero muito ler, estou doidinha! Beijos

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  6. Olá!

    Adoro livros assim! Infelizmente, minha tendência de escrita é esta e preciso melhorar.

    Abraços!

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  7. Esse livro deve ser legal.
    Acho que a estória do livro me chama a atenção
    :D

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  8. bom, esse infelizmente é um livro que não me chamaria a atenção pela capa... eu tenho que parar de prestar a atençao nas capas em vez de na historia, mas isso é dificil... rsrs
    parabéns pela resenha,
    beijos

    http://stolenights.blogspot.com

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  9. O livro parece bom, e a capa é engraçada, você olha e parece que entra no meio dos predios ali hahahaha

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  10. Através da sua resenha deu para ver que o livro é bom, vou procurar me informar mais sobre o autor.
    Obrigada pela dica.

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  11. não gosto muito de livros de ficção, mais acho que vale a pena lê-lo (:

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  12. Oi!

    Ah, de vez em quando eu tenho essa sensação também de que o livro está incompleto. Meio frustrante isso né?

    Bjos!

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  13. Bem pela resenha dá para dar uma arriscada na leitura, já que ninguem é perfeito, né???Mas acho que só leria se caisse em minhas mãos ávidas, comprar acho que não.Bjkkksss

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  14. O livro parece até ser legal pra passar uma tarde, mas ele não me chama muito a atenção,
    beijos.

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  15. Quando vi a capa não me chamou a atenção, mas NUNCA julgue um livro pela capa *-* eu quero ler

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  16. Que cidade doida nunca que eu queria morar na Cidade de Clair-Monde, é um mundo no qual nao suportaria viver.. mas adoraria ler pra ver como se consegue..

    rafa
    rafersom.blogspot.com

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  17. Já eu levei fé. Acho que o livro vai ser bom =]

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  18. Nunca tinha ouvido falar sobre esse livro

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  19. A 1° coisa que me chama a atenção é a capa do livro, mas não gostei dessa. E quanto ao seu comentário, é difícil saber se gostarei ou não, porque eu não costumo ler livro nesse estilo, então, o melhor é lê-lo e tirar minhas conclusões. Quem sabe né .. rs

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  20. Não conhecia esse livro, mas a história parece ser legal.

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  21. Amei a capa! Esse tipo de história me chama bastante atenção, gosto muito. O fato de não se saber o tempo em que se passa é bem interessante, com essa resenha deu até vontade de ler agora.

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  22. Se o livro é bom eu não sei, mas que ele chamou minha atenção, ele chamou.*-*

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