Resenha: Heresia de S. J. Parros

23 julho 2011
Postado por Livy






Heresia
S. J. Perris

ISBN: 9788580410020  
Tradução: Vera Ribeiro
Páginas:
364
Lançamento:
15/04/2011
Preço:
R$ 29,90
Editora: Arqueiro 
Pontuação: ♥ ♥ ♥ ♥ 
Sinopse: Inglaterra, 1583. O país enfrenta um período conturbado, marcado por conspirações para derrubar a rainha Elizabeth, que é protestante. Muitos de seus súditos estão insatisfeitos com o governo e anseiam pelo retorno do país à religião católica. Em meio a esse clima de conflitos religiosos, o monge italiano Giordano Bruno chega a Londres, tentando escapar da Inquisição, que o acusou de heresia por sua crença num Universo heliocêntrico. O filósofo, cientista e estudioso de magia logo é recrutado pelo chefe do serviço de espionagem real e enviado a Oxford. Oficialmente, ele vai participar de um debate sobre as teorias de Copérnico, mas, em sigilo, deve se infiltrar na rede clandestina dos católicos e descobrir o que puder sobre um complô para derrubar a rainha. No entanto, quando um dos membros mais antigos de Oxford é brutalmente assassinado, a missão secreta do filósofo é desviada de seu curso. Enquanto ele tenta desvendar o crime, outro homem é morto e Giordano Bruno se vê envolvido numa sinistra perseguição. Alguém parece estar determinado a executar uma sofisticada vingança em nome da religião. Mas, afinal, de qual religião? À procura de pistas, o monge percorre os labirintos da biblioteca de Oxford e visita tabernas infames e livrarias misteriosas fora dos muros da universidade, chegando a lugares que ele nunca soube que existiam e fazendo descobertas que poderiam ameaçar a estabilidade da Inglaterra. Envolvido em uma rede de intrigas e traição, ele percebe que às vezes nem mesmo os mais sábios conseguem discernir a verdade da heresia. Alguns, no entanto, estão dispostos a matar para defender suas crenças. Baseado em fatos reais da vida de Giordano Bruno, Heresia exigiu uma pesquisa minuciosa da autora, que investigou a fundo a trajetória do monge e o contexto político e religioso da época em que ele viveu. O resultado é um suspense histórico repleto de reviravoltas surpreendentes.


Antes de mais nada,vamos conhecer um pouco da estória do livro: No século XVI, durante a Inquisição Católica e a Reforma Protestante, Giordano Bruno, um monge italiano, desafia todos os dogmas e toda ortodoxia cristã, inclusive a ameaça de excomunhão, para fazer-se ouvir entre os acadêmicos e propagar as suas teorias revolucionárias sobre o universo. Fugindo de Nápoles, Giordano passa a viver erraticamente pela Europa, vivendo de favores e de aulas de teologia em algumas universidades, até encontrar amparo junto ao rei da França, Henrique III. Algum tempo depois, segue para Londres, na Inglaterra Anglicana, sob o reinado da rainha Elizabeth, onde espera encontrar liberdade de expressão para as suas teorias. Amparado por Sir Francis Walsingham, Ministro de Estado da Rainha, Giordano Bruno segue para a Universidade de Oxford incubido por ele da missão de procurar naquele lugar os últimos remanescentes dos papistas e denunciá-los à corte. Na companhia de Sir Philip Sidney, um militar-poeta que conhecera em Pádua, durante a sua fuga da Itália, e do palatino Albert Laski um dignatário polonês vivendo na corte de Elisabeth, Giordano Bruno dirige-se para Oxford para travar um debate de suas ideias com o diretor daquela intituição, o acadêmico John Underhill e, de quebra, acalenta esperanças de vasculhar a biblioteca da escola para tentar localizar um livro raro e hermético, além de profano, escrito por um sábio egípcio de antes da Era Cristã chamado Hermes Trimegistos. Apesar de toda a empolgação que o debate e a busca pelo livro profano suscita em Giordano Bruno, o ex-monge católigo excomungado pela Igreja, ele não imagina que sua estadia em Oxford irá se transformar em uma busca muito mais importante e perigosa, a medida em que sua mente aguçada e inquiridora tentar elucidar um crime que ele próprio presenciara em seu primeiro dia na universidade.

Apesar do livro ter como pano de fundo conceitos teológicos, filosóficos e ortodoxos da religião cristã, o enfoque central acaba sendo o suspense policial investigativo. Nesse estilo literário, S. J. Parris contempla mais os fãs de Sherlock Holmes (Arthur Conan Doyle) e Hercules Poirot (Agatha Christie) do que os fãs de Robert Langdon (Dan Brown) e afins.

Após a chegada de Giordano Bruno à Oxford, fica evidente que Parris passa a valorizar bem mais o aspecto investigativo policial do que uma possível biografia do personagem histórico. Parris trilha com perfeição o seu thrillher de suspense histórico, seguindo os passos de Agatha Christie ao invés de percorrer os caminhos já batidos e utilizados, que são herança de Dan Brown. O que já seria motivo suficiente para justificar o interesse pelo livro.

Em sua narrativa, Parris não se incomoda de apresentar-nos capítulos longos e descrições detalhadas do ambiente, do tempo e dos personagens. Por isso, não se iluda achando que Heresia seja uma leitura rápida, como se vê em muitos livros atualmente. O esmero da autora, com sua narrativa precisa e rica em detalhes e de diálogos refinados, produz uma leitura agradável e cativante que nos enreda do começo ao fim, sem ser enfadonha ou apelativa, sem a necessidade de usar uma linguagem arcaica para garantir a ambientação de época. Isso, felizmente, torna ainda mais desejável a sua leitura.

A medida em que nos deslumbramos com a recriação perfeita dos ambientes e dos costumes da época, S.J. Parris nos faz sonhar de olhos abertos. É um verdadeiro desfile de personagens exuberantes, ricos em emoção e personalidade que é impossível ficar indiferente a qualquer um deles, por mais insignificante que seja a sua participação na história. E o mais interessante de tudo é que nenhum, absolutamente nenhum, personagem é inserido na trama por acaso. Até os mais simplórios tem o seu minuto de fama em Heresia. O que demonstra o cuidado com que Parris teve para criar uma trama bem amarrada, com nós em todas as pontas. E esse é justamente o ponto-chave de Heresia: a trama. S.J. Parris não poupa no suspense. Ela o constrói gradativamente, como se cozinhasse em fogo brando, aumentando-o gradativamente a medida em que vai se chegando às últimas páginas. Por isso, prepare-se para os altos e baixos e as reviravoltas inesperadas durante a leitura, arrastando Giordano Bruno e outros personagens para um delirante passeio em uma montanha russa de emoções, drama e crimes violentos.

Apesar dos muitos pontos positivos do livro, tenho que mencionar dois pontos negativos. Parris, lamentavelmente, não se aprofundou na vida e obra de GiOrdano Bruno. O teólogo e filósofo Giordano Bruno é apresentado na primeira dúzia de páginas do livro de forma bastante resumida. Na sequência, já em Oxford, o teólogo dá lugar a uma segunda personalidade do teólogo, diga-se Dr. Bruno, uma espécie de Sherlock Holmes da Idade Média. Sai o personagem histórico do século XVI e entra em cena o detetive investigativo fictício. (não que isso seja ruim, mas o ponto é que ela não precisava ter utilizado uma figura histórica para ser seu protagonista, já que a história poderia ter se desenvolvido com qualquer outro personagem). O outro ponto que ficou a desejar foi o debate entre o Dr. Bruno e o diretor Underhill. S.J. Parris criou uma espectativa muito grande em torno desse debate, do qual eu esperava, se tornasse um dos grandes momentos do livro, com grande tensão. Quando finalmente acontece, a cena é rápida, a autora passa batido e, em poucas linhas faz um resumo que mais parece um rascunho de suas ideias. Confesso que eu esperava uma disputa acalorada.

Felizmente, esses dois aspectos negativos não chegam a abalar o excelente trabalho da autora. Heresia é, sem dúvida alguma, um livro para ser lido e relido. Um thriller histórico de suspense policial em plena Idade Média que tem todos os elementos necessários, senão um pouco mais, para, seguramente, virar filme. Adoraria ber uma produção assinada por Tim Burton na direção e Jonny Deep no papel de Giordano Bruno.

Sem pestanejar, Heresia é recomendadíssimo.

NOTA EXTRA:  
CAPA = 10
NARRATIVA = 9
ORIGINALIDADE = 8
PERSONAGENS = 9
HISTÓRIA = 8,5
NOTA GERAL = 8,9

Comentários via Facebook

6 Comentários:

  1. Livy tu sabe q quando li as primeiras resenhas sobre esse livro imaginei algo bem parecido com os livros do Dan Brown (que nao gosto nadinha), mas lendo essa resenha percebi q nao...e isso é muito bom , pq gostei bastante da historia, só q nao queria aquele foco teologico que ela da nos livros sabe...Gosto mais do quesito misterio e acao.
    Acho que vou gostar.
    beijinhoooos

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  2. @Ana Leticia

    Oi, fico contente com sua opinião. Realmente não tem nada haver com o Dan Brown, e isso é ótimo! Pois tem sua originalidade! O estilo é totalmente diferente!

    Aliás, Heresia, você pode arriscar sem medo. é um livro muito bom de suspense.

    bjos

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  3. Parabens! Nem gostava muito do livro mas sua resenha me deixou bem curiosa. Ja vi varias pessoas que amam o livro. A capa nao chama muito minha atençao, mesmo por eu achar um pouco parecida demais com um a capa de um outro livro.
    Acho bem legal essas historias de suspense.
    bjim

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  4. Parece fantástica...eu também tinha a impressão que era algo "alá" dan brow e idem, não gosto nadinha dele, me animou...e como eu sou a maior fã de sherlock holmes...vemk Heresia!!!

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  5. Tava louca pra ler esse livro, mas achava que o Giordano Bruno ia ser fiel ao verdadeiro. Agora fiquei desanimada...

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