Resenha: O Inocente de Scott Turow

06 setembro 2011
Postado por Livy

O Inocente
Scott Turow

Tradutor: Domingos Demasi 
ISBN:
850109336X 
Gênero:
Policial 
Páginas:
434
R$
39,90
Editora: Record
Pontuação: ♥ ♥ ♥ ♥
Sinopse: Em Acima de qualquer suspeita, um dos melhores thrillers policiais de Scott Turow, os promotores Rusty Sabich e Tommy Molto se enfrentaram em um julgamento de assassinato envolvendo um intrincado jogo de emoções e suspeitas. Em O inocente, a aguardada sequência dessa envolvente história, Rusty, agora um respeitado juiz-presidente, é novamente acusado de assassinar uma mulher próxima a ele. Desta vez, a vítima é sua esposa, Barbara, morta aparentemente por causas naturais. Mas a situação muda por completo quando Tommy, seu antigo adversário, e o subpromotor Jim Brand descobrem que Rusty ficou em companhia da esposa morta por quase 24 horas sem comunicar o ocorrido a ninguém, nem mesmo ao próprio filho, o que lhe daria tempo suficiente para ocultar possíveis provas. Tommy, ainda frustrado por não ter conseguido condenar Rusty no caso de mais de vinte anos atrás, a princípio hesita em levá-lo novamente a julgamento. Mas à medida que novos elementos incriminatórios vão sendo descobertos, ele acredita ter finalmente chegado o momento em que vai provar a culpa de Rusty – só que, agora, por dois assassinatos. Inicia-se, então, um julgamento que é um clássico de Turow — uma sala de tribunal retratada da forma mais tensa e explosiva. Com seus insights característicos, tanto sobre as sombrias verdades da psique humana quanto sobre as complexidades do sistema judiciário penal, Turow mais uma vez prova sua genial capacidade de criar suspenses em que os leitores viram as páginas compulsivamente para enfim saber "quem foi?".

Pouco mais de 20 anos após os acontecimentos narrados em Acima de Qualquer Suspeita, Rusty Sabich está de volta envolto com outra disputa judiciária. Sua esposa, Barbara, falece e o óbito aponta para causas naturais. Porém não é o que pensa Tommy Molto, promotor de justiça do estado, que já no primeiro livro foi uma pedra no calcanhar de Rusty. Atiçado por seu colega promotor, Jimmy Brand, certas evidências parecem apontar a causa mortis como um possível assassinato. A suspeita, obviamente, recai sobre Rusty. Movido por um duplo motivo, Tommy Molto pretende tornar a vida do seu rival um inferno. Se por um lado ele está obstinado em fazer com que a justiça seja feita, por outro lado os acontecimentos de 20 anos atrás continuam vívidos em sua memória. Para Molto, Rusty Sabich sempre foi um sociopata que deveria estar atrás das grades. Agora, com a morte de Barbara, o obstinado promotor vê-se diante de uma chance única de pender o prato da balança a seu favor. Para Rusty, o evidente desejo de vingança de Tommy Molto talvez não seja o maior de seus problemas, já que, como aconteceu há 20 anos atrás, ele envolveu-se numa paixão tão ardente e arrebatadora que ameaça destruir tudo o que ele conquistou em duas décadas. Poderá a vingança ser maior que a paixão, e suplantar o a renúncia e o perdão diante do verdadeiro amor?

Resumidamente esse é o escopo central de O Inocente, um romance que promete repetir o extraordinário sucesso literário e cinematográfico de Acima de Qualquer Suspeita . Para os fãs de Scott Turow, uma leitura obrigatória; para os que estão conhecendo o autor agora, sem dúvida alguma, uma excelente leitura com o que há de melhor no gênero romance-drama-suspense, no estilo thriller juridico.

Inicialmente, quero dizer que não li o primeiro livro (mas, depois desse, já estou correndo atrás daquele) e, apesar de não tê-lo feito, não encontrei nenhuma dificuldade em me entrosar com a narrativa de O Inocente. Scott Turow inseriu no livro muitas informações sobre os acontecimentos de 20 anos atrás. Portanto, você não ficará perdido no tempo e no espaço. O Inocente pode ser lido separadamente, sem problema algum.

Gostei da capa do livro, com as letras do título e do nome do autor em relevo; do tom azul (frio) da fotografia (como o tom frio da própria justiça), que enfatiza o contexto do livro: justiça. Dessa vez ela será feita? Também gostei da parte gráfica e editorial do livro.

De original vou apontar a forma como o autor nomeou os capítulos até o término da Parte 1, lá pela página 190. Scott Turow usou uma linha do tempo para situar o leitor no espaço-tempo da narrativa, entre o aniversário de Rusty, a morte de Barbara e a eleição para a Suprema Corte, para sujo cargo concorre Rusty. Assim sendo, fica impossível a gente não saber para que época da narrativa o autor está nos levando.

Outro aspecto interessante, apesar de não tão original, é a forma como o autor dividiu a narrativa na visão de Rusty Sabich, na do filho Nat e, ainda, na visão de Anna, advogada assessora de Rusty. Quando a narrativa enfoca as ações de Tommy Molto, o autor usa a voz do narrador. Esse ir e vir entre as mentes dos personagens principais ficou muito interessante, pois temos mais de um enfoque para os acontecimentos em curso, o que torna a narrativa bastante rica em detalhes e com pontos de vistas muito íntimos e particulares que faz com que a história fica mais excitante a cada novo capítulo.

A narrativa possui diálogos criativos, explicativos (quanto aos acontecimentos de 20 anos atrás) e objetivos, sem rodeios ou redundâncias, floreios descabidos ou excessos de termos jurídicos. É cativante e muito apaixonante; dramática e humana também. Uma mescla bem balanceada de romance, drama, suspense, investigação, humor, paixão e julgamento de tribunal. Porém, não se iluda: O Inocente não se trata apenas de bastidores de tribunal. Há mais no livro do que isso. Com isso, Scott Turow demostra competência no âmbito jurídico e prova que é um excelente escritor.

Quanto aos personagens, Tommy Molto é um osso duro de roer,típico promotor conciente do seu dever, cujo lema é fazer justiça a qualquer tempo, mesmo depois de 20 anos. Mas Jimmy Brand, o outro promotor público... Pelo amor de Deus, que cara ignorante! Só pra dizer o mínimo. Não sei como Tommy suportou esse cara até o último capítulo do livro. Já nos primeiros capítulos eu queria dar uns tabefes no infeliz. Felizmente, não é só de casca de ferida que O Inocente é feito.
Gente, esse filho do Rusty, o Nat... Meu Deus, que tentação. O cara é alto, de olhos azuis, lindo de morrer. E o melhor de tudo, é um mimo. Passei mais da metade do livro querendo colocar ele no meu colo e deixar o coitadinho chorar no meu ombro. Mama mia! Já Rusty, apesar dos seus sessenta e poucos, continua mostrando que está em forma, não só na cama como nos tribunais. Aliás, o confronto dele com Tommy, no julgamento, ficou muito bom. Verdadeiro duelo de titãs. Anna... bom, é típica mulher fatal que arrebata os corações masculisnos. De imediato, me antipatizei com ela, mas, a medida em que o drama da moça se apresenta, passei a gostar da bandida. Também gostei muito do simpático juiz Yee, que preside o julgamento de Rusty. Barbara Sabich tem uma participação pequena, com uma atuação neutra, consumida por suas neuroses e entupida por remédios antidepressivos. Sua morte não me causou nenhuma emoção,pelo menos não tanto quanto o drama envolvendo Rusty, Nat e Anna.

Em suma, O Inocente é um romance que, apesar de valer-se do universo jurídico para alicerçar-se, sua amplitude nos faz refletir sobre situações que resvalam na profundeza da alma humana, cheia de sentimentos e atitudes bem terrenas, ao mesmo tempo em que monstra o arrebatamento da paixão e suas consequências. Scott Turow explora com muita propriedade os dilemas da sociedade moderna, exausta e enfastiada, na maioria das vezes indiferente e cruel. Mas, também, nos revela que o amor pode tudo, o qual é capaz de, atravéz da renúncia, fazer-nos crer que somos capazes de amar e perdoar, sempre.

O Inocente é um livro com uma atuação digna de virar filme e fazer o mesmo sucesso que fez Acima de Qualquer Suspeita.  Pois tem romance, suspense, investigação e personagens arrebatadores.
Recomendadíssimo. Tanto para os fiéis seguidores do autor, quanto para os aficcionados por livros sobre tribunais, e, também, por que não, para os que estão atrás de uma boa leitura.

E para quem não sabe, Scott Turow nasceu em Chicago, USA, em 1949. Fornou-se em direito pela Universidade de Havard. Seus livros já foram traduzidos para 25 línguas e já venderam mais de 25 milhões de exemplares em todo o mundo. Dentre os seus livros, alguns viraram filmes: Acima de qualquer suspeita (1990); O ônus da prova (1992); Erros irreversíveis (2004). 

Livros do autor:
Acima de Qualquer Suspeita (Presumed Innocent), 1987
O Ônus da Prova (The Burden of Proof), 1990
Declarando-se Culpado (Pleading Guilty), 1993
As Leis de Nossos Pais (The Laws of Our Fathers), 1996
Ofensas Pessoais (Personal Injuries), 1999
Erros Irreversíveis (Reversible Errors), 2002
Heróis Comuns (Ordinary Heroes), 2005
Os Limites da Lei (Limitations), 2006


NOTA EXTRA:  
CAPA = 8
NARRATIVA = 9
ORIGINALIDADE = 7
PERSONAGENS = 9
HISTÓRIA = 9
NOTA GERAL = 8,4

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5 Comentários:

  1. Livy, eu adorei a resenha e fiquei super curiosa pra ler o livro!
    Ele parece mixar vários dos elementos que me atraem em um livro: suspense, romance, questões policiais e jurídicas, além de uma dose reflexiva muito bem escrita!
    É ótimo saber que a leitura do primeiro livro não é obrigatória pra que esse seja entendido, mas acredito que eu preferiria lê-los em ordem!
    Beijos!

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  2. Ai que blog mais lindo guria, gostei muito dele,ja me tornei seguidora e pretendo vir visitar sempre, o layout dele é divino viu e as postagens são demais. Parabéns de verdade.

    Balaio de Livros.

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  3. Livy tu leu acima de qualquer suspeita??? é meio uma sequencia ou nao? AConselha a leitura do primeiro antes?
    Eu ainda n li nada do Scott Turow, mas só leio elogios sobre ele e o engraçado é um dos meus generos favoritos...preciso ler algo dele urgente.

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  4. Parabens pela resenha!
    Tou super curiosa para ler esse livro.
    E a segunda resenha que elio sobre ele e cada vez fico com amis vontade de le-lo.
    Acho super legal esse estilo de estoria.
    bjim

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  5. Gostei da sua resenha, mas a capa me deu uma boa desanimada.
    Mesmo assim vou procurar por ele :)

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