Resenha: Invisíveis, de Stef Penney - Editora Intrínseca

10 setembro 2012
Postado por Livy



Invisíveis Stef Penney
ISBN: 978-85-8057-228-5
Tradução:
Mauro Pinheiro
Lançamento:
27-07-2012
Páginas:
384
Editora: Intrínseca
Pontuação: ♥ ♥  
Sinopse: Quando Rose se casou com o atraente Ivo Janko, integrante de uma família de ciganos nômades, muitos se perguntaram o que os dois tinham em comum. Rose é quieta e tímida. Ivo é taciturno, porém carismático. Depois que ela desapareceu, boatos diziam que ela fugira por causa de um filho que nasceu com o problema genético da família. Mas o pai de Rose, Leon, não tem tanta certeza disso. Ele quer saber a verdade e contrata um detetive particular para descobri-la. É aí que entra Ray Lovell, um detetive que, embora pouco renomado, tem a vantagem de ser descendente de ciganos. Lovell concorda em pegar o caso. No entanto, sete anos após o desaparecimento de Rose, ele teme que tenha se passado tempo demais. Além disso, sua investigação é dificultada pelas únicas pessoas que poderiam ajudá-lo: a família Janko. Trata-se de um clã fechado, e a última coisa que desejam é um estranho se metendo em seus assuntos particulares. Ray não consegue entender a relutância deles em ajudar. Qual é o motivo de não quererem que Rose Janko seja encontrada?

Em 1978, Rose Wood casa-se com Ivo Janko, de uma família cigana que mantêm as tradições no estilo cigano antigo, ou seja, eles são viajantes, vivem em trailers e nunca estão no mesmo lugar por mais de uma temporada. Assim, desta união nasceu um menino, Christo. Alguns meses depois do nascimento do filho, Rose abandona o lar para nunca mais ser vista. Seis anos depois, Leon Wood, o pai de Rose, procura o detetive particular Ray Lowell para que descubra o paradeiro da filha. Apesar de relutante no começo (porque ele não investiga casos de pessoas desaparecidas), Ray acaba cedendo aos apelos de Leon. O fato de Ray ser meio-cigano o ajudará a penetrar com alguma facilidade no meio da comunidade cigana, a qual Leon e sua família também pertencem. No entanto, o que Ray não imagina, ao aceitar o trabalho, é que a procura por Rose Janko o conduzirá para um mistério ainda mais enigmático do que o sumiço inexplicável de Rose. Seguindo os rastros deixados por ela, Ray Lowell irá deparar-se com certas feridas e descobrir que elas nunca se cicatrizam de verdade.

Primeiramente, quero congratular o Júlio Moreira que fez a adaptação da capa original, da Jem Butcher Design. Um excelente trabalho gráfico. Condiz perfeitamente com o contexto da história, o barco à deriva em meio ao pântano (Black Path, onde Rose Janko pôs o pé na estrada para nunca mais voltar) sob um forte nevoeiro, com as letras do título em baixo relevo, reflexivas, como um sol entre brumas. Inspirador. Poético. Melancólico. Fatalista. Meu Deus, dá pra viajar só de olhar para essa capa. Gostei muito.

A história do livro, assim como a capa, é bem interessante. Ray Lowell acorda em um hospital, em estado de coma. Com o  acompanhamento médico e remédios, gradativamente ele vai recobrando suas memórias. O resgate dessas lembranças é que nos insere na história do livro, contada em dois pontos de vista. De um lado, obviamente, temos o ponto de vista do próprio Ray, investigando o sumiço de Rose Janko; do outro, somos conduzidos pelos olhos adolescentes de JJ, da família Janko.
Gostei desse enfoque que Stef deu no livro, permitindo-nos ver a situação de dois ângulos diferentes: um olhar investigativo, quase frio e impessoal, e o outro mais íntimo, familiar.

E esse olhar assim, quase místico, ou mítico em Invisíveis, tem como pano de fundo o modo de vida e a cultura cigana,  respaldado pela narrativa caprichosa de Stef Penney. A forma como ela divide a narrativa em dois pontos de vistas completamente diferentes, ficou muito legal. A ambientação do modo de vida cigano em contraste com o modo de vida comum das pessoas ficou igualmente interessante. A imersão na história é inevitável, e logo nas primeiras páginas a empatia está feita. Conforme vamos trocando de pontos de vista, no decorrer da leitura, vamos nos sentindo cada vez mais íntimos da trama. Logo, o mistério envolvendo o desaparecimento de Rose Janko passa a ser o nosso mistério, também.
O livro tem um toque de misticismo cigano. Mas também tem suspense, drama, paixão, amor, fé, perdão, religião e o desejo de encontrar a si mesmo. Sutilmente, Stef nos aplica o seu ponto de vista e nós o assimilamos.

Além de carismáticos, os personagens de Invisíveis são imprescindíveis. Subtraia um e toda a história perde o sentido. E dentre os personagens que mais me cativaram a atenção estão: Ray Lowell (o cara é persistente até as últimas consequências), Lulu Janko (a irmã de Ten), o pequeno Christo (com sua doença hereditária, que muito me comoveu) e o amigo e bondoso JJ. Me antipatizei com o Ten Janko, e lá pelo final da história soube porque. Mas isso você vai saber lendo, é claro!

E por falar nisso, sem querer dar spoiler, mas apenas realçando um ponto bastante interessante: lá pelas tantas da leitura, Ray Lowell encontra Rose Janko (em que circunstâncias e condições, você só saberá, lendo) e aí a gente se faz a seguinte pergunta: acabou o mistério? Não. É aí que o verdadeiro mistério começa. Por quê, o quê, como, onde etc...são outras tantas perguntas que você irá se fazer até o final do livro. E olha, a revelação final me surpreendeu. Fiquei embasbacada com a... Ah, não! Queriam que eu dissesse, heim? Pois leiam. Mistérios são feitos para serem desvendados, e o de Rose Janko é um daqueles que deveriam ter ficado soterrados por mais sete anos!

O que mais me agradou no livro foi a forma como Stef esmiúça a história sob a ótica de dois personagens distintos. E a  parte que mais me desagradou foi o final: achei-o um pouco ambíguo e vago. Acho que eu me envolvi tanto com a história e a narrativa que, ao terminar o livro, esperava um pouco mais. Não sei. Talvez seja aquele negócio de refletir sobre o que Stef quer nos passar com a resolução do caso Rose Janko, e, provavelmente, as conclusões a que cheguei não me agradaram.

Em suma, Invisíveis é um  romance de suspense bom, com história e ambientação bem construída, narrativa impecável com dois pontos de vistas diferentes, em primeira pessoa, com personagens cativantes e enigmáticos, como a própria cultura cigana. Ah, claro, com um final que nos faz refletir. É sórdido e surpreendente, ao mesmo tempo. Alguns poderão não gostar justamente pelo final um tanto fraco, mas tenho certeza que agradará a muitos fãs do gênero de suspense!

Comentários via Facebook

10 Comentários:

  1. uau fiquei muito a fim de ler o livro, adoro quando o pessoal fala dos personagens que os cativaram, fico curiosa desse jeito pra conhecer o personagem.

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  2. gosto desses livros com um toque de suspense. ainda não conhecia este livro, mas pela sua resenha, fiquei com bastante vontade de ler!

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  3. Olá! Vi esse livro no skoob, mas não fiquei tãããão interessada nele. Até que tem cara de ser um livro bom (pra mim, todos os livros parecem ser bons, já percebeu?) e não é por nada não, mas a maioria dos livros da Intrínseca são bons ou pelo menos abordam assuntos interessantes, hehe.
    Parabens pela resenha.
    bjim

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  4. Não havia ouvido falar desse livro ainda. A historia parece ser mesmo interessante.E a capa, que trabalho lindo! Amei. Bjksss

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  5. Gostei bastante da resenha, gostei de saber que neste livro encontramos os dois pontos de vista.
    Acho muito ruim, ficar apenas com uma opinião.

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  6. Romance, suspense e o final faz refletir... Livro perfeito então! \o/

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  7. Gosto de suspenses, me interessei por esse

    bjos

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  8. Nossa, a capa é mesmo linda e a história parece ser muito boa.

    Gosto de bastante de suspense e tenho atração pela cultura cigana (apesar de abominar alguns aspectos), então esse livro parece perfeito!!

    (Mesmo que o livro do Stephen King tenha me dado medinho AIUSHAUISHAS)

    =*

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  9. romance e suspense? já vai para a minha lista

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  10. Esse livro é maravilhoso e muito intrigante
    Estou lendo ele é estou a cada palavra, e a cada frase mas afim de chegar em seu final para que eu possa descobrir o que acontece com eles

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