Resenha: O Caso Rembrandt, de Daniel Silva - Editora Arqueiro

23 setembro 2012
Postado por Livy



O Caso Rembrandt Daniel Silva
Título Original: The Rembrandt Affair
Tradução: Claudio Carina
Lançamento:
06/08/2012
ISBN: 9788580410808
Páginas: 304 
Preço:
R$ 24,90
Editora: Editora Arqueiro
Pontuação: ♥ ♥  
Sinopse: Em Glastonbury, na Inglaterra, um restaurador de arte é assassinado e a obra em que trabalhava – um quadro de Rembrandt nunca exposto – é misteriosamente roubada. O renomado negociante de arte Julian Isherwood sabe que só existe uma pessoa capaz de encontrar o quadro e levar os criminosos à justiça: o espião israelense e restaurador de arte Gabriel Allon. Após sofrer um atentado, tudo o que Gabriel quer é cortar de uma vez por todas os laços com o serviço de inteligência internacional de seu país, também conhecido como “Escritório”. Mas parece que o mundo das operações secretas ainda não está pronto para deixá-lo em paz. Apesar de sua relutância, ele acaba sendo persuadido a assumir o caso. Ao seguir meticulosamente as pistas que o levam a Amsterdã, a Buenos Aires e, por fim, a uma mansão às margens do lago Genebra, Gabriel descobre segredos perturbadores relacionados ao roubo. Neste intricado quebra-cabeça, a pintura de Rembrandt é a peça-chave que o ajudará a desmascarar uma conspiração capaz de pôr em risco a paz mundial
Bom, bom, bom... A Editora Arqueiro me surpreendeu novamente. O Caso Rembrandt, de Daniel Silva, é o primeiro (e espero que não seja o último) livro de Daniel Silva que leio. Gostaria de ter outras obras dele, principalmente com o personagem Gabriel Alton, para poder tecer algumas comparações. Eu gosto de avaliar um personagem pelo conjunto das suas atuações, ao longo de uma série de livros em que ele participa. Seja como for, vou me basear nas impressões que Daniel Silva me trouxe no livro que tenho em mãos.

De imediato, ao pegar o livro, tive a impressão de que se tratava de um daqueles livros que embarcaram (alguns, lamentavelmente) na esteira do estrondoso sucesso de Dan Brown, causado pelo livro O Código Da Vinci. A capa e o título me sugeriram isso. No entanto, Daniel Silva e O caso Rembrandt seguem por um caminho completamente diferente, bem ao contrário do tão falado "estilo Dan Brown". Seja como for, para mim, foi uma grata surpresa descobrir, durante a leitura, que O caso Rembrandt segue um caminho bem diferente.

Agora, entrando no mérito da questão, tenho a dizer que adorei o livro. Como disse acima, Daniel Silva me surpreendeu e, em determinados momentos, me emocionou. Tanto, que aguardo ansiosamente poder ler outros livros do autor.

O Caso Rembrandt é um thriller de espionagem e suspense. A história começa com um latrocínio. O roubo do quadro de Rembrandt, até então desconhecido do público e da imprensa, conduz a nossa curiosidade e o nosso interesse por mais de 1/3 do livro. Logo em seguida, o quadro passa a segundo plano na trama no momento em que o restaurador Gabriel Allon é substituído pelo espião israelense Gabriel Allon. Claro que são ambos a mesma pessoa. Mas, no desenrolar da trama, é assim que as coisas ocorrem. Num dado momento, Gabriel está seguindo os rastros do quadro roubado, como um ex-agente aposentado, agora restaurador de quadros. Sua busca o fará sair da Cornualha, Espanha, para envolver-se numa caçada por países como: Inglterra, Holanda, Argentina, Israel, Estados Unidos e Suíça. O quadro, além de ter sido pintado por um dos pintores mais famosos do mundo da arte, também é o arcabouço para uma conspiração internacional que envolve terrorismo e produção de armas nucleares. Ao longo dos 2/3 seguintes, Gabriel irá utilizar-se de recursos de pessoal e tecnologia frequentemente utilizados pelos agentes secretos das maiores agências de espionagem do mundo. Dígnos de James Bond, sem dúvida alguma.

Outro ponto positivo. Daniel Silva sabe como cativar nossa atenção e interesse. Sua narrativa é clara, precisa e minuciosa, porém, sem ser cansativa. Cada personagem, cada diálogo, cada ação é milimetricamente pensado pelo autor. Nada ocorre por acaso ou sem um fundamento. Até mesmo a existência do quadro, seu roubo e a procura pelo mesmo, apesar de ter passado para segundo plano na narrativa, tem sua razão de ser. Isso fica bastante claro no decorrer da leitura e, no final, percebe-se que o quadro foi a porta pela qual Gabriel Allon volta a fazer o que ele sabe fazer de melhor: espionar.

Os personagens, assim como a narrativa e a história, são primorosos. Todos, sem excessão, estão bem caracterizados, cada qual desempenhando com perfeição o papel que lhes cabe na trama. Gabriel e Chiara são encantadores e me apaixonei por eles logo de começo. O drama vivido por Lena Herzfeld, na Segunda Guerra Mundial, me comoveu. Por conta dela e do que Gabriel faz com o quadro, fui as lágrimas. Me emocionei muito. E, confesso, são raros os livros que conseguiram provocar em mim tamanha empatia.

No decorrer da narrativa, os personagens principais nos dão algumas notícias sobre acontecimentos recentes vistos em outras obras do autor com o personagem Gabriel. Apesar de interessante, pois ilustra as qualidades e capacidades do personagem em questão, essas informações não afetam ou comprometem a leitura do atual livro. Pelo contrário, prende ainda mais a nossa atenção pela leitura.
Outro aspecto interessante no livro, que me agradou muito, foi a forma como Gabriel Allon se desenvolve na trama. Suas atitudes são íntegras. Ele jamais usa a força ou a tecnologia desnecessariamente, ou de forma insensata. O sujeito é honesto com os seus princípios até mesmo na hora de punir o inimigo. Gostei da forma como ele resolve o caso e pune os que se transformaram em pedra no seu sapato.

Esta não é apenas mais uma história de mistério, suspense ou espionagem. É, e aí reside o grande mérito de Daniel Silva, também, uma história sensível e apaixonante. Ao mesmo tempo em que o autor aponta para um problema crescente em todo mundo (inclusive aqui no Brasil) de roubo de obras de arte famosas, ele também realça outro aspecto preocupante que é notícia na mídia mundial, com alguma frequência: a escalada terrorista e os conflitos étnicos no Oriente Médio. Além disso, remete aos tempos do Holocausto, quando se praticou roubos e terrorismos em uma escalada quase apocalíptica. Desta forma, Daniel Silva nos faz refletir sobre o egoísmo, a ganância, a desumanidade e o uso indevido da tecnologia e do poder.

O Caso Rembrandt não é continuação de nenhum outro livro do autor e, também, não abre parenteses para uma continuação, até onde pude perceber. Apesar do finalzinho, um tanto melancólico e com ares de fim, sugerir que Gabriel Allon está se aposentando, definitivamente. Será mesmo? Bom, ele disse isso da outra vez, no livro anterior, provavelmente, quando Chiara quase morreu nas mãos dos russos. Eu, da minha parte, espero que ele não se aposente nunca, assim como, igualmente, desejo que Daniel Silva tenha muitas outras boas inspirações literárias com esse maravilhoso personagem.

Falando da capa, posso dizer que a versão brasileira ficou melhor que a original. Raul Fernandes fez um excelente trabalho gráfico, e soube como utilizar os elementos da capa original para criar uma totalmente nova. Ela evoca apropriadamente o contexto do livro, ou, mais precisamente, o estado de espírito de Gabriel Allon, quando somos apresentados a ele na Península do Lagarto, na Cornualha. Adorei.
A tradução de Cláudia Marina também merece destaque, bem como a diagramação de Valéria Teixeira. Ou seja, o livro foi muito bem estruturado, graficamente e gramaticamente falando.

Em suma, este livro foi para mim uma leitura reveladora e estimulante. O autor mostra-se à altura dos grandes mestres das histórias de ação e espionagem. A trama do livro ficou excelente, com as reviravoltas que todo caso de espionagem sempre tem. O final... Ah, sim, o final. Se o livro como um todo me encantou e surpreendeu, o término não poderia fazer por menos. Foi emocionante, para dizer o mínimo. O final é tudo aquilo que você pode esperar de um grande livro. Fazendo um trocadilho, Daniel Silva pinta uma narrativa rica em cores, historicidade, tecnologia e humanidade, conduzindo-nos pelo coração até o último parágrafo.

Por isso e outras, O caso Rembrandt é altamente recomendado. Uma leitura agradável, empolgante e envolvente da primeira a última página. Um thriller obrigatório para os fás de suspense, mistério, espionagem ou, ainda, para aqueles que estão a procura de um diferencial no mercado literário. 

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10 Comentários:

  1. Esse livro já estava na minha lista de desejos, depois que eu li a tua resenha, ficou a sensação de que não vou me arrepender de tê-lo posto na lista.

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  2. O livro parece interessante a capa me lembrou a sherlock holmes não sei por que hehe

    bjos

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  3. nossa que livro interessante, amei a historia

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  4. Não que eu não seja chegada a livros que abordem essas guerras, o que não curto muito é o drama que muitas vezes o autor nos passa com esses fatos. No entanto O Caso Rembrandt, me parece ser um livro repleto de suspense e misterios que vão deixar o leitor grudado do inicio ao fim, assim é bom pq a leitura nao fica cansativa e chata =D
    Gostei mt da sua resenha.

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  5. Gosto muito de suspense,espionagens e tals, mas esse livro não me interessou muito não.Mas gostei bastante dessa capa. Bjksss

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  6. Amo livros de suspense. De verdade. Suspense, ação, terror...meus favoritos.

    Quando vi a capa e a sinopse pensei o mesmo que você: Dan Brown.

    Adorei ler a sua resenha e perceber que o livro vai muito além disso. Agora estou com muita vontade de ler.

    Thais Vianna
    @dathais

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  7. curti muito a resenha, o livro parece ser muito bom.
    outro q eu nao conhecia.

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  8. Não conhecia o livro ainda, mas como adoro livros desse gênero, foi pra listinha de desejados! IUAHsiauhsaiuhsiuaHS

    =*

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  9. É incrivel que eu senti o mesmo, me fez chorar e rir, acabo de ler um outro livro dele o aliado oculto, e ele tem a capacidade de me fazer nao parar de ler, ontem foram 7 horas e 400 paginas ate terminar o livro é fantastico, vou continuar comprando e recomendando a leitura, e tenha certeza que o Gabriel Allon, continua o mesmo... lembra 007 mas um 007 possivel, dentro de historias de ficcao que bem poderiam ser reais, e isso é o que nos prende a narrativa.

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  10. Daniel Silva surpreende, em todos os seus livros, ele faz de uma ficcao quase uma realidade tratando a ficcao como realidade e vice-versa, tudo é possivel na narrativa dele, prende, nao cansa, e parece musica, ele faz uma coda, antes de um grande final, grande escritor de suspense, e conhecedor de temas da politica internacional, sendo sempre absolutamente imparcial, leiam outros livros dele.. mas o Rembrandt é espetacular!!!

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