Resenha: Puros, de Julianna Baggott - Editora Intrínseca

31 janeiro 2013
Postado por Livy






Puros
Julianna Baggott
Tradução: Flávia Souto Maior
ISBN:
978-85-8057-232-2
Lançamento:
06-08-2012
Páginas:
368
Editora: Intrínseca
Pontuação: ♥ ♥
Sinopse: Pressia pouco se lembra das Explosões ou de sua vida no Antes. Deitada no armário de dormir, nos fundos da antiga barbearia em ruínas onde se esconde com o avô, ela pensa em tudo o que foi perdido: como um mundo com parques, cinemas, festas de aniversário, pais e mães foi reduzido a somente cinzas e poeira, cicatrizes, queimaduras e corpos mutilados. Agora, em uma época em que todos os jovens são obrigados a se entregar às milícias para, com sorte, serem treinados ou, se tiverem azar, abatidos, Pressia não pode mais fingir que ainda é uma criança. Sua única saída é fugir. Houve, porém, quem escapasse ileso do apocalipse. Esses são os Puros, mantidos a salvo das cinzas pelo Domo, que protege seus corpos saudáveis e superiores. Partridge é um desses privilegiados, mas não se sente assim. Filho de um dos homens mais influentes do Domo, ele, assim como Pressia, pensa nas perdas. Talvez porque sua própria família se desfez: o pai é emocionalmente distante, o irmão cometeu suicídio e a mãe não conseguiu chegar ao abrigo do Domo. Ou talvez seja a claustrofobia, a sensação de que o Domo se transformou em uma prisão de regras extremamente rígidas. Quando uma frase dita sem querer dá a entender que sua mãe pode estar viva, ele arrisca tudo e sai à sua procura. Dois universos opostos se chocam quando Pressia e Partridge se encontram. Porém, eles logo percebem que para alcançarem o que desejam - e continuarem vivos - precisarão unir suas forças.

Sim, eu amo distopias. Adoro o clima desses livros, as situações inusitadas, as dificuldades, a aventura, etc. Quando vi que o livro Puros de Julianna Baggott iria ser lançado aqui no Brasil pela Editora Intrínseca, fiquei bem ansiosa e precisava conferir o resultado. Só que o termo "mais uma entre tantas outras" não pode se aplicar a este livro. Puros é impactante demais para ser classificado como os outros.

Brutal! Sim, Baggott criou uma distopia com uma realidade nua e crua; forte, verdadeira e intensa. O que me chamou muito atenção para esta história distópica é justamente o fato de que a autora não mediu esforços para mostrar aos seus leitores o quanto uma realidade pós apocaliptica pode ser cruel. Na verdade, como qualquer acontecimento que abale as estruturas do que se conhece pode ser terrível e marcar de forma irremediável muitas vidas. E este é o ponto forte do livro. Afinal, é muito gostoso ler uma distopia bonitinha, onde a heróina é linda, o mocinho um deus grego, e eles se dão bem sempre, e... todos são felizes para sempre. Sei que não é bem assim, mas realmente, é muito dificil ver distopias onde o autor mostre a verdadeira face da destruição, e suas consequências. Baggott explorou muito bem o acontecimento e o lado dramaático da situação, além de mostrar através da realidade dos personagens toda a dor e sofrimento que se enfrenta numa situação assim.

Em Puros nos deparamos com uma narrativa em terceira pessoa dividida em capítulos sob a ótica dos personagens centrais da trama: Pressia, Partridge, El Capitán e Lyda (mas ainda esperava, e adoraria, que houvesse capitulos sob a ótica de Bradwell, um dos meus personagens preferidos na trama, e par romantico de Pressia).

Imagine o mundo que você conhece explodir sob uma luz e calor intensos. Bomba nuclear! Explosões, caos, dor e sofrimento! Um mundo encoberto por cinzas. Os que sobreviveram à morte terrível podem se considerar com sorte? Ou irão viver uma vida tão terrível que era preferível não ter sobrevivido? Todos aqueles que sobreviveram e não tiveram a sorte de ter se refugiado no Domo (lugar seguro onde vivem os Puros, seres humanos imaculados, que não sofrerem qualquer lesão), estão desfigurados. Foram fundidos a objetos, animais, e a outros seres humanos. Sim, imagine uma grande quantidade de pessoas unidas por seus corpos como se fossem apenas uma: os Grupais. Imagine também seres que foram fundidos a animais, se tornando Feras, instintivos e vorazes. Outros se fundiram aos escombros, à própria terra e ao pó, os Poeiras. Outros, com um pouco mais de sorte se fundiram a objetos, como arames envoltos em pescoços, guidões de bicicleta no ludar do pulso, uma cabeça de boneca no lugar da mão. Queimaduras terríveis por todo o corpo.  E isto é apenas uma pequena amostra.
Sobretudo, ela quer que Bradwell pare. Ele está falando de assuntos em que ninguém toca, as Explosões e seus efeitos: as correntes de vento arrancando casas do chão, os ciclones de fogo, a pele ressecada dos morimbundos, os corpos carbonizados, a chuva preta e oleosa, as piras para queimar os mortos, aqueles que morreram dias depois, começamdo com um sangramento no nariz e depois se deteriorando por dentro. - pág. 44
Aí a autora nos pega de jeito, ela cria um mundo realmente bizarro, onde o limite do certo e errado, do que se é capaz de fazer pra sobreviver, para viver e subsistir talvez não possa ser julgado. Mas também, ela ulttrapassa qualquer estereótipo sobre beleza e seus conceitos. O que é beleza afinal?! Isto achei muito bacana, afinal o belo muitas vezes não se vê ou se toca. Assim como, também, o que motiva esssas pessoas, no fundo é a esperança! Eu realmente vi uma mensagem positiva no livro apesar desta realidade cruel em que estas pessoas vivem.
Mas claro, o livro é sim forte. E digo, não é uma leitura para quem não gosta de cenas um pouco mais fortes ou grotescas. O mundo que Baggott apresenta é violento. Ou seja, se você procura por uma ditopia bonitinha, este não é seu livro. Mas o que eu queria deixar claro é que, apesar disto, o livro não tem nada MUITO pesado a ponto de ser insuportável sua leitura. Nada que tirará seu sono, pelo menos o meu está em dia.

Em Puros somos apresentados inicialmente à vida de Pressia e de Partridge no mundo pós apocaliptico. Pressia enfrentando o mundo real, e Partridge querendo sair do Domo para encontrar sua mãe, que sempre acreditou estar morta, e fugir de seu pai. Não entrarei em detalhes sobre a trama, mas eu digo de boca cheia: eu amei o livro. Sim, sei que ele tem uma trama pesadinha, e um clima um tanto tenso, mas eu simplesmente adorei! E estou muito ansiosa pela continuação (Fuse).

A narrativa de Baggott é excelente. Me prendi do início ao fim do livro, querendo cada vez mais, devorando cada página até terminá-lo. Aniquilei com o livro rapidinho, e fiquei muito tempo pensando sobre a resenha. Realmente uma das mais dificieis de concluir. Por dois motivos: por que gostei muito do livro, e pelo seu teor forte. Realmente acho que, por mais que eu fale, não conseguirei expressar o que a leitura deste livro me proporcionou. Eu realmente estou muito empolgada, pois esta é uma das melhores distopias que tive o prazer de ler. Adorei todos os personagens, cada um com seus defeitos e personalidade marcantes, e de suma importância para o desenvolvimento da trama. Além disso, a história é realmente palpável, e crível. Afinal, a bomba atômica e a nanotecnologia são temas muito explorados. E a realidade do livro é totalmente atual, não em um futuro distante e inimaginável.

Apesar das fusões grotescas, que poderiam ser um pouco difícieis de imaginar e conceber, podemos olhar um pouquinho para trás e ver o que aconteceu em Hiroshima e Nagasaki. Foi um dos acontecimentos mais terríveis da humanidade. Pesquise sobre o tema e você poderá ter uma noção do que Baggott quis passar em seu livro. Aliás, achei muito interessante os Agradecimentos da autora no final do livro, em que ela cita este fato da história, e também mostra o quanto pesquisou para criar o universo de Puros:
A pesquisa para este livro levou-me a relatos sobre os efeitos causados pelas bombas atômicas lancadas em Hiroshima e Nagasaki. Durante o processo de edição, encontrei o livro de não ficção O último trem de Hiroshima, de Charles Pellegrino, que atualmente está fora de catálogo nos Estados Unidos. Foi uma leitura fundamental para mim, devido à forma como retrata os mortos e os sobreviventes. Espero que uma edição revista chegue às prateleiras. E espero, em geral, que Puros conduza as pessoas a obras não ficcionais sobre a bomba atômica - horrores que não podem ser esquecidos.
Resumindo, como disse, amei o livro! Puros é uma distopia diferente. Forte e brutal, curto e grosso, e perfeito ao seu modo. Com diálogos inteligentes e fortes, cenas chocantes, aventura, ação, suspense e até mesmo romance, Puros entra no meu hall de preferidos. Baggott tem uma narrativa única, impecável e envolvente; indo além do esperado, ultrapassando barreiras, chocando e surpreendendo. Os sentimentos e situações são muito bem explorados, e a trama segue num crescendo que me fez ficar ávida por mais.

Recomendo.

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14 Comentários:

  1. Distopia é um gênero que ainda não li nada, mas com certeza não começarei por esse! Cenas brutais não é a minha praia.

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  2. legal a resenha, eu nunca tinha me atentado muito a esse livro

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  3. não gosto muito de distopias, mas este realmente me deixou interessada!

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  4. Logo que foi lançado lá fora, me interessei pela sinopse. Depois, quando finalmente chegou aqui eu perdi o interesse, nem sei bem o porquê... De qualquer forma, depois de ler resenhas positivas, e por gostar de distopias, decidi dar uma chance e o adicionei a minha lista de desejos!
    agora so basta saber quando vou ter ele em maos... :/
    bjim

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  5. acho que nunca li uma distopia, mas esse parece bom (:

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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  7. Estou gostando deste gênero literário, pena que ainda não li este livro.
    Bjs, Rose.

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  8. Eu gostei bastante do livro. Foi bem chocante para mim, mas ainda assim, foi uma leitura ótima.
    Ansiosa pela continuação.

    Beijinhos,
    Thais Priscilla
    http://thaypriscilla.blogspot.com.br

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  9. Não gostei muito do livro não.A capa sim,mas a história não.

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  10. não gostei muito do livro, mas achei a capa perfeita lindissima

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  11. Ainda nao tive a oportunidade de ler nenhum livro distopico, mas com certeza puros esta na minha lista a historia é demais!

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  12. Desconheço o mundo da distopia. Mas seus 5 coraçõezinhos e por ser da Intrisecam, despertaram a vontade de ler Puros, em mim. Só não curti a capa.

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  13. to gostando de ler, incomoda um pouco alguns furos da autora, mas é bom!

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  14. Eu simplesmente ameeei esse livro ! É um enredo bastante inteligente, com uns personagens de aparência grotesca e bem forte, mas eu gosto disso.

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