[Resenha] A Biblioteca Perdida do Alquimista, de Marcello Simoni

28 novembro 2013
Postado por Livy


A Biblioteca Perdida do Alquimista
Marcello Simoni
ISBN: 9788564850453
Tradutor: Denise de C. Rocha Delela
Ano: 2013
Páginas: 368
Editora: Jangada
Pontuação:  ♥ ♥ ♥   
Primavera de 1227. A Rainha Branca de Castela desaparece de forma misteriosa. Estranhos rumores se espalham pelo reino e alguns falam de uma intervenção diabólica. A única pessoa que pode resolver o enigma é o mercador de relíquias Ignazio de Toledo, conhecedor de ciências herméticas e notável por sua capacidade de resolver mistérios antigos. Em Córdoba, onde Ignazio foi convocado, ele encontra um velho mestre, que fala de um livro que todos procuram e que pode dar pistas sobre o desaparecimento - o lendário Turba Philosophorum, um raro manuscrito atribuído a um discípulo de Pitágoras e que preserva o expediente alquímico mais cobiçado do mundo. Porém, no dia seguinte, o mestre é encontrado morto, envenenado. A busca de Ignazio começa imediatamente. O encontro, em seguida, com uma freira e um homem considerado por todos um possuído, conduz Ignazio ao castelo de Airagne e a um misterioso homem, o Conde de Nigredo. Nesse local se oculta um terrível segredo, mas não será fácil sair dali com vida depois que ele for descoberto...
A Biblioteca Perdida do Alquimista é o segundo livro de Marcelo Simoni, autor de O Mercador de Livros Malditos (editado também pela Editora Jangada) tendo como protagonista o mercador “moçárabe” Ignazio de Toledo, seu filho Uberto e o fiel amigo Willalme.

A capa do livro é interessante para criar um clima pré-leitura. Evoca algo mágico, misterioso e, ao mesmo tempo, tenebroso e ancestral. Bem típico desse gênero literário que tem como tema central a alquimia medieval. Adorei a parte gráfica do livro, ótima qualidade!

Esse é o primeiro livro que leio do autor. E, como dizem, a primeira impressão é a que fica. Por isso, posso garantir que gostei muito. Foi uma grata surpresa, uma leitura fascinante e uma ótima oportunidade para conhecer um autor que possui um excelente potencial como escritor, ainda com uma brilhante carreira pela frente. O Mercador de Livros Malditos agora está nos meus planos de leitura futura, sem dúvida alguma. Isto porque me empolguei com a leitura desse segundo livro e quero ler o anterior. Claro, a leitura do deste livro não exige que você leia o primeiro para entender o que se passa na trama atual; pois os livros, apesar de terem os mesmos protagonistas, são independentes.

Quanto ao livro em si, A Biblioteca Perdida do Alquimista é um ótimo thriller histórico de mistério. Fascinante, pra dizer o mínimo. Tem intrigas nas cortes de Espanha e França, envolvendo o rapto de uma rainha, traições, experiências alquímicas (aliás, uma tenebrosa experiência de alquimia como eu nunca tinha visto antes, nem mesmo em filmes), seitas secretas envolvendo um tenebroso castelo e um misterioso e sombrio conde, a busca por um livro raro sobre alquimia, perseguições, trapaças, inquisição, tortura, os místicos e misteriosos cátaros, romance (sim, romance) e um mercador habilidoso na arte de se meter em encrencas.

Ignazio de Toledo é o típico mercador estilo Marco Polo inteligente e versado em alquimia, filosofia, religião e ocultismo. Entre outras coisas. Viaja o mundo atrás de relíquias e confusão, muita confusão. Não que ele a procure, claro. Na realidade, as confusões em que ele se mete parecem fazer parte do seu negócio. Elas o procuram, inevitavelmente, porque o homem é aventureiro. Apesar de enfrentar grandes perigos, Ignazio gosta mesmo é de desvendar os mistérios ocultos. Esta é sua paixão primaz. Sua ousadia é apaixonante. O homem parece não ter medo de nada, na mesma proporção em que ele parece ser protegido por uma força invisível. Consegue escapar de situações das mais difíceis de se imaginar, e só usando a esperteza e o  intelecto.

Marcello Simoni nos encanta com uma narrativa rica em historicidade, conhecimento alquímico, literatura mística do século XIII e uma ótima ambientação de época com personagens bem caracterizados. O mistério sobre o Conde de Nigredo e o castelo de Airagne se mantém do começo ao fim do livro, com um desfecho aterrador. Por trás da narrativa que mistura ficção e história, Simoni destila seu conhecimento filosófico, ou teológico, ou místico, se preferirem. Destaco aqui um trecho que achei, entre outros, muito interessante:
“- Já estou danado. Minha vida é uma maldição.” (diz Willalme)
“Ao ouvir essas palavras, Ignazio esbofeteou-o.
(…) - Sua vida conta muito, seu tolo! E seus atos geram consequências para as pessoas que lhe querem bem – recriminou-o o mercador. - Se quer dar asas  a cólera matando um homem sem valor, faça isso. Porém, não reparará o mal que ele cometeu. Deseja repará-lo realmente? - Apontou Juette com um dedo brusco – Pense nela, que precisa de ajuda e não de sangue.
WIllalme contemplou a jovem, agachada no chão e oprimida pelo peso do mundo. Gostaria de abraçá-la e garantir-lhe que não precisava recear nada. A mesma promessa feita à sua irmã pouco antes de ela morrer... Então, com um suspiro profundo, baixou a arma e permitiu que o monge se fosse.”
Acho que eu não preciso dizer nada, não é mesmo. Achei essa passagem muito bonita e profunda, apesar do clima dramático e muito triste a motivou. Lembro-me de duas frases de Mahatma Gandhi que cabem perfeitamente nesse contexto. Ele disse:
“Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.”
“O fraco jamais perdoa: o perdão é uma das características do forte.”
Em suma, A Biblioteca Perdida do Alquimista é um livro agradável, interessante, com um bom suspense, ótimo mistério, história e ficção caminhando pareias numa narrativa instigante e com personagens fascinantes. Não é um tratado sobre alquimia ou um massante romance de conspirações contra a Igreja Católica (felizmente). Antes de mais nada, é uma aventura em um mundo marcado pelo egoismo, o despotismo, a heresia, a inquisição e por pessoas que buscam desesperadamente sobreviver aos mistérios e horrores que se escondem nos porões do misterioso Castelo de Airagne. Quem sobreviverá?

Dos quais tive oportunidade de ler, A Biblioteca Perdida do Alquimista sem dúvida, é um dos melhores livros do gênero. Leiam, e surpreendam-se!

Comentários via Facebook

1 Comentários:

  1. Oi Livy, eu também acho que a primeira impressão é a que fica, e quando leio pela primeira vez um autor e não gosto, demora bastante para eu arriscar de novo. Que bom que este valeu a pena. Já anotei a dica.
    Bjs, Rose.

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