[Resenha] Irmã, de Rosamund Lupton

11 dezembro 2013
Postado por Livy


Irmã
Rosamund Lupton
ISBN: 9788501094858
Tradução: Ana Luiza Borges
Ano: 2013
Páginas: 322
Editora: Record
Pontuação:  ♥ ♥ ♥   
() Favoritado!
Quando Beatrice recebe uma ligação informando que sua irmã mais nova, Tess, está desaparecida, embarca no primeiro voo para Londres. Porém, ao descobrir as circunstâncias do sumiço, percebe que não conhece detalhes da vida de sua irmã e não está preparada para os fatos terríveis que precisa enfrentar. Enquanto a polícia, o próprio noivo e a mãe aceitam a perda de Tess, Beatrice se recusa a desistir e parte numa perigosa jornada para descobrir a verdade, sem se preocupar com as consequências.

Estava aqui tentando encontrar uma palavra que definisse bem o livro, e o que senti ao lê-lo. Mas percebi que, não importa o quanto eu pense, não poderei achar uma única expressão que se encaixe perfeitamente. Pois este é um livro carregado de emoções, de sentimentos e de percepções. Cativante, envolvente, sincero, surpreendente... são algumas palavras que me vem à mente. Mas com certeza não definem ao todo, ou com clareza, a experiência que o livro Irmã, da autora Rosamund Lupton, me proporcionou.

Primeiramente, não esperava tanto deste livro, que considero um dos melhores thrillers psicológicos que já tive a oportunidade de ler. Achei, erroneamente, que a história seria muito mais branda e banal. Mas me enganei. E isso foi muito bom!

A narrativa de Lupton é única. A forma como conduz a trama, assim como sua escrita são sensacionais! Em muitos momentos chega a ser poético, em outros se torna trágico! Muitos momentos são verdadeiramente cortantes, dilacerantes e angustiantes! E outros são tão singelos e tão verdadeiros que chegam a doer! Uma das coisas que tornou o livro genial é justamente a forma como é narrada: a autora nos apresenta sua trama através de Bee, e em primeira pessoa. Desde o início tudo é relatado como uma conversa íntima, uma carta, uma despedida, para sua irmã Tess. É através das emoções, e pensamentos descontinuados, mas que vão amarrando os pontos e detalhes até formar toda a sequencia do livro, que vamos conhecendo os fatos que nos levam a acontecimentos inimagináveis.
[...] No dia em que você foi encontrada, as horas enlouqueceram: um minuto esticou-se por metade do dia, uma hora passou em segundos. Como num livro infantil, atravessei semanas e anos, passei pela segunda estrela à direita e segui direto para uma manhã que nunca chegaria. Eu estava numa pintura de Dalí, com relógios derretidos, num chá do Chapeleiro Maluco. Não é surpresa que Auden tenha dito "parem todos os relógios." Foi uma tentativa desesperada de agarrar-se à sanidade.
E o modo como Lupton amarra cada detalhe, cada personagem, cada momento, é muito criativo e inteligente. Aliás, este livro é um prato cheio para quem gosta do gênero. Eu não pude evitar roer as unhas, ansiar por respostas, e a cada página virada me via realmente assaltada por novos sentimentos: angustia, carinho, amor, raiva, impotência, tristeza... E também me vi surpreendida! Cada fato é desvendado aos poucos, sendo degustado, fazendo que que o leitor aprecie o gosto da ideia ali expressa. Até que tudo muda de lugar novamente! O livro está cheio de reviravoltas, e é de tirar o fôlego! Não por conter ação, mas por toda a tensão e apreensão que causa.

Me vi sem ar, tentando vir à tona junto com Bee. O livro é quase um ser vivo, e pude sentir ganhando vida em minhas mãos. Os personagens são muito reais, seus sentimentos são palpáveis e cortantes, como a respiração é visível em um dia verdadeiramente frio. Bee, principalmente, é o fio condutor para a percepção de tudo o que iremos desvendar com nossos olhos.

Conforme Bee avança em suas investigações, sozinha e desacreditada, ela percebe que a verdade é muito mais dura do que parece. Percebe que participou muito pouco dos últimos momentos de sua irmã, assim como tem participado de forma superficial de sua própria vida. Foi negligente e egoísta. Mas o que nos motiva, junto à Bee, é o amor que ela sente por Tess. O modo como ela se agarra à lembrança da irmã, e o modo como acha respostas. Mas mais que isso, em determinado momento ela praticamente se torna a própria irmã, se pondo em seu lugar e conhecendo nuances que ela não conhecia, ou não estava preparada para ver.

E conforme as coisas vão ganhando forma e vão vindo à luz, não pude deixar de me emocionar. Traz à tona diversos alertas e realidades, pintando o mundo como ele realmente é: cheio de imperfeições, crueldade e dor... mas ao mesmo tempo, cheio de esperanças, cor e vida. E a união destes fatos, o modo sútil como tantos lados fracionados se encontram, é mais um dos pontos fortes do livro. Lupton conseguiu captar, com muita sensibilidade, a essência humana da forma mais crua e simples. De forma que podemos ver à olhos nus em suas linhas narradas.

E há mais! A história vai muito além do que parece. Isso me deixou de boca aberta, porque realmente não esperava que a trama fosse ganhar a proporção que ganhou. De um simples desaparecimento para algo muito maior, devastador e assustador. E belo!
[...] Sorri para Amias e creio que, nesse momento, lembramos de você exatamente da mesma maneira: seu entusiasmo pela vida, por suas miríades de possibilidades, por seus milagres diários.
Simplesmente é impossível definir o livro de uma forma concreta! Sei que, me envolvi de tal forma, que não pude deixar de me emocionar, e chorar. O livro vai muito além do comum, e de forma simples se torna grandioso! Para mim, uma leitura indescritível! Um dos favoritos do ano, com certeza! Recomendadíssimo! 

Comentários via Facebook

8 Comentários:

  1. Livy, sua resenha foi tão cheia de vida que me emocionei e quero esse livro pra mim!
    Talvez ele seja um estilo policial psicológico, misterioso demais (estilo que eu amo), surpresas avassaladoras! Fiquei com muuita vontade de lê-lo!
    Até mais! | Saphiy

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  2. ótima resenha!
    estou bem curiosa para ler este livro... gosto deste tema cheio de suspense e investigações, só não imaginaria que fizesse alguém chorar :O
    quero ler logo!!!

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  3. nossa, arrepiei pela resenha *_* se já tinha gostado da sinopse, agora fiquei ainda mais curiosa! adoro thrillers, mas não é sempre que me deparo com um que me balance realmente! acho que é o tipo de narrativa que requer muito mais talento do que imaginação pra prender o leitor. E pelo jeito, Irmã te prendeu com tudo né?
    Procurarei!!

    Beijinhos
    http://nossosromancesadolescentes.blogspot.com.br/

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  4. Olá, Livy!
    Pode ter faltado uma única palavra para definir o livro, mas você usou muito bem todas as palavras que compuseram esta resenha, e vai deixar muita gente que passar por aqui, assim como eu, com uma ansiedade imensa de "sentir" este livro! Parabéns!!

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  5. "Lupton conseguiu captar, com muita sensibilidade, a essência humana da forma mais crua e simples. De forma que podemos ver à olhos nus em suas linhas narradas." Nossa, parece muito bom, e passar algo muito profundo e significativo. Já estava querendo ler o livro, mais ainda agora.

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  6. Amei a resenha. Agora fiquei louca pra ler!

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  7. Tess é o nome da minha autora favorita :)
    Gostei muito da historia. Que vontade de ler!!!!

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