[Resenha] Solo, de William Boyd

10 janeiro 2014
Postado por Livy


Solo
William Boyd
ISBN: 9788579622502
Tradutor: Cassio de Arantes Leite
Ano: 2013
Páginas: 320
Editora: Alfaguara
Pontuação: ♥ ♥ ♥   
O agente secreto James Bond, o notório personagem criado por Ian Fleming, que personifica o serviço de inteligência britânico, reaparece agora em uma nova aventura idealizada por William Boyd, um dos mais importantes autores britânicos da atualidade. Solo traz 007 em uma missão na qual terá de agir por sua conta e risco. Em Londres, em 1969, James Bond é convocado para uma missão quase suicida: infiltrar-se em Zanzarim, um pequeno país na África Ocidental cujas extensas reservas de petróleo levaram a uma sangrenta guerra civil. Ele deve destruir os planos separatistas do líder rebelde Adeka, que há anos se opõe às forças governamentais. Mergulhado em um país dilacerado e à mercê do implacável mercenário Jakobus Breed, Bond se verá numa situação limite. William Boyd mantém em Solo as características do agente secreto criadas por Fleming: suas bebedeiras são pesadas, sua conduta geralmente distanciada dá lugar a surpreendentes demonstrações de afeto e sua licença para matar é aplicada frequentemente. Bond também se mostra extremamente culto, além de apegado às situações que viveu na Segunda Guerra Mundial – na concepção de Fleming, o personagem nasceu em 1924. Essas peculiaridades o distanciam da figura contida que acabou sendo marcada pelo cinema. 

Esse é o primeiro romance com o personagem James Bond que leio. Sinceramente, foi uma grata satisfação. Conheço o famoso agente secreto britânico apenas pelos filmes de cinema, estrelados por Pierce Brosman e Daniel Craig. Sendo os três últimos, com Craig, os meus favoritos.


...Tinha de ser totalmente não autorizado – uma ação clandestina. Ele sorriu consigo mesmo no escuro do quarto de certa forma, o fato de ser uma operação não autorizada deixava tudo ainda mais atraente. Pretendia realizar aqui a 'solo', como disse para si mesmo. Na ética tática do Serviço Secreto, ele sabia que essas iniciativas pessoais solitárias eram estritamente proibidas. As punições por agir a solo eram draconianas. Bond sorriu consigo mesmo – não se importava. Ele sabia perfeitamente o que queria fazer.
James Bond, o famoso agente 007 do MI-6 inglês surgiu em 1953. E desde então, aos seus 60 anos, o personagem tem acumulado histórias fantásticas de pura ficção, espionagem e ação, tendo visitado o mundo todo em missões pra lá de impossíveis. Casino Royale foi o primeiro livro da série com o personagem, publicado em 1953. Iam Fleming, o criador de James Bond, faleceu em 1964, cerca de 11 anos depois de tê-lo trazido à vida. Foram 12 livros originais e dois póstumos. Após seu falecimento, outros autores se revezaram para manter vivo o agente secreto na literatura e nos cinemas. William Boyd é um desses autores. Solo é seu décimo terceiro livro, lançado este ano, e o primeiro com o personagem James Bond.

Depois desse imenso preâmbulo gostaria de elogiar a capa do livro. Ficou show. A textura aveludada, com fundo preto, as gotas de sangue e o “Solo” em amarelo, tudo muito ao estilo da arte dos anos 1960. Que me lembrou muito o estilo utilizado nos filmes. Adorei.

Solo segue o estilo dos livros escritos por Iam Fleming. William Boyd deixa isso bem explícito na Nota do Autor, logo no início do livro. Portanto, para os fãs de Daniel Craig e Pierce Brosman, não esperem encontrar um romance repleto de ação do começo ao fim, com explosões e engenhocas mirabolantes e mortíferas. Lembrem-se, estamos em fins dos anos 1960, em plena Guerra Fria. O romance pauta pelo clássico dos romances de espionagem e ação daquela época.  Mas, também, não se iludam ao pensar que Solo é carente de ação. Ela acontece em bons momentos da trama, na medida certa. Afinal de contas, esse é um romance de espionagem, e James Bond, é claro, tem licença para matar. A história começa em Londres, no dia do aniversário de Bond, e logo se estende até o continente africano e deste para os Estados Unidos, onde a trama tem o seu desfecho final.

Ao contrário do que costumamos ver nos filmes mais atuais do 007, James Bond de Solo parte numa missão sem nenhum aparato tecnológico avançado. Nada de gadgets incríveis. Nada de engenhocas avançadas e mortais. Ele conta apenas com sua astúcia, sua experiência e seu treinamento militar. Afinal de contas, lutou na Segunda Guerra Mundial. Na África, num país dividido pela guerra civil, Bond vai enfrentar inimigos dispostos a matar por qualquer coisa, sem escrúpulos ou piedade. Ódio e ganância corroem uma nação inteira, mergulhando-a numa chacina sem fim. A missão de 007 é por um fim a essa carnificina, custe o que custar. Mesmo que para isso ele tenha que chegar bem perto da morte. Nos Estados Unidos, seguindo sua linha de investigação, Bond vai confrontar-se com um inimigo muito mais poderoso e mortal do que a guerra pode produzir.

Solo é muito bem escrito. Possui uma narrativa cativante que nos envolve gradativamente, mantendo nossa atenção à trama desde o início. William Boyd é um bom contador de história e a sua versão para o mais famoso dos agentes secretos é excelente. Ambientação, personagens e trama dignos de Iam Fleming, sem dúvida alguma. James Bond continua mulherengo, bom apreciador de bebidas, exímio jogador de bacará e um agente mortal. Até o excesso de tabagismo é condizente com a época. Em dado momento dava pra ver as espirais de fumaça saindo das páginas do livro, a medida em que lia, tamanha a compulsão do agente, e dos demais personagens, em saciar-se com esse vício.

Eu, particularmente, como não fumo, detestei. Aliás, essa foi a única parte que me desagradou no livro. De resto, o livro é ótimo. Recomendo! Leia e descubra porque James Bond desafia a ética e sua lealdade ao serviço secreto de sua Majestade para trilhar uma missão clandestina, solo. Você vai se surpreender com o que um agente mortal, ansioso por vingança, é capaz de fazer. Boa leitura! 

Comentários via Facebook

5 Comentários:

  1. Eu não sabia que Bond tinha livros. Assim que terminei de ler a sinopse me surpreendi muito, e foi uma grata surpresa (bom saber que de bons livros bons filmes surgem). Só não sei se eu leria esse livro, fiquei na dúvida. Até mais Livy! Saphiy

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  2. É engraçado, eu não sou muito fã dos filmes do agente, acho tudo meio forçado demais, mas assisto. Em relação a este livro acho que será mais interessante.
    Bjs,Rose.

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  3. Olá, estou começando um novo blog: http://shadowofthebooks.blogspot.com.br/
    Adorei seu blog, beijo.

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  4. Nossa, já assisti os filmes, mas nunca imaginei que teria livros. Adorei a resenha. E se o personagem sabe prender desse as primeiras linhas, provavelmente é um livro que eu vou gostar de ler. Nunca li livros de ação. Beijos e estou amando o blog!!

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  5. Então você ainda não leu um livro de Fleming de verdade.
    Recomendo começar por Casino Royale de 1954. Garanto que vai gostar muito mais dos livros do que dos filmes.
    Abraços
    Fábio Sanches Carmona.
    Administrador Geral da Comunidade 007 Brasil
    www.comunidade007brasil.com.br

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