[Resenha] A Queda, de Michael Connelly

29 abril 2014
Postado por Livy

A Queda
Michael Connelly
ISBN: 9788581052090
Tradutor: Cassio de Arantes Leite
Ano: 2014
Páginas: 312
Editora: Suma de Letras
Pontuação: ♥ ♥ ♥   
A três anos da aposentaria, a carreira do detetive Harry Bosch no Departamento de Polícia de Los Angeles está perto do fim. Numa manhã, ele recebe dois novos crimes para solucionar, junto com seu parceiro David Chu. No primeiro, uma prova de DNA, encontrada no pescoço de uma vítima de um crime cometido há vinte anos, indica que o criminoso era uma criança de apenas oito anos. As evidências levam Bosch a se perguntar se o caso apontaria para uma criança assassina ou se houve uma falha do laboratório de análises criminais. O segundo crime investigado não é menos instigante: um delito que tem, certamente, caráter político. O filho do vereador Irvin Irving – um antigo inimigo de Bosch – pulou ou foi empurrado da janela de um hotel de luxo. O mais surpreendente é que foi o próprio Irving quem solicitou ao Departamento de Polícia que a investigação fosse conduzida por Bosch. Em A queda, Michael Connely mantém a narrativa perspicaz e repleta de reviravoltas. Na trama, o detetive protagonista busca descobrir os indícios para solucionar os dois casos. Afinal, há três décadas, um assassino opera secretamente na cidade e uma conspiração política age no departamento de polícia corrompendo a instituição. 

Quem é que não gosta de ler um bom livro, que nos dá a satisfação de uma boa leitura? É o retorno do nosso dinheiro em forma de uma leitura prazerosa. E Michael Connelly é um desses raros autores que nos proporciona isso, e algo mais. Ler um de seus livros é sempre satisfatório. A Queda, por sua vez, não deixa pra menos. Esse é o décimo sétimo livro da série protagonizada pelo detetive Harry Bosch que está em sua melhor forma, tendo que resolver dois casos de suspense e mistério que nos prendem do começo ao fim da leitura. São dois casos distintos e intrincados que vão extrair do detetive Bosch o melhor do seu instinto policial.

Agora Bosch está na Unidade de Abertos/Não Resolvidos do DPLA (uma espécie de Cold Case de Los Angeles), cuidando de casos antigos não resolvidos, tendo como novo parceiro o detetive David Chu (aliás, um típico mala sem alça). Já de início, Bosch e Chu pegam um caso de 25 anos atrás de uma garota de 19 anos vítima de estupro e estrangulamento. Rotina, obviamente. Sim, até a dupla ser convocada pelo chefão (do décimo andar) para investigar um suposto suicídio. O suicida em questão é ninguém menos que o advogado George Inving, filho do respeitado (e temido) vereador Irvin Irving, político casca grossa, ex-policial do DPLA e inimigo jurado do departamento e do próprio Harry Bosch. E o mais estranho de tudo é que o pedido para a investigação partiu do próprio vereador em pessoa. Pode? Já aí fica claro que o vereador tá de sacanagem com o detetive, e Bosch, obviamente, fica com a pulga atrás da orelha tentando entender por que o vereador o escolheu para investigar o suicídio do próprio filho.

Bom, isso vai ficar evidente lá pelo final da história, o que será uma grande surpresa, lhes garanto. E as surpresas não param por aí. A história tem altos e baixos o tempo todo, com alguns reveses dramáticos que vão dar aquele trabalhão para o Harry Bosch.

Em A Queda a narrativa de Connelly está impecável, enxuta, caprichosa, evidenciando cada vez mais o cuidado dele em manter os fãs focados naquilo que ele sabe escrever de melhor: o suspense investigativo. Além da boa narrativa de Michael Connelly, consolidada em mais de 20 anos de estrada passados na pele de Harry Bosch, com mais de 50 milhões de exemplares vendidos em mais de 30 países, contamos ainda com personagens bem caracterizados e que evoluíram, assim como o próprio protagonista, ao longo da série. Se não bastasse o maravilhoso Harry Bosch e sua filha Maddie, também contamos com outros personagens de peso, como a tenente Gail Duvall, chefe imediata de Bosch; Kizmim Rider, ex-parceira do detetive e atual tenente, além de amiga, trabalhando no gabinete do chefão, a chefatura; David Chu, o parceiro há dois anos, e mala sem alça da equipe; Ivin Irving, o vereador pé no saco e linha dura da cidade; Marty, o chefão; Gabriel Van Atta, o legista; Deborah Irving, nora do vereador; Clayton Pell, pedófilo; Hannah Stone, a psiquiatra e par romântico de Bosch, entre outros… e aqui eu incluo um serial killer que você, assim como eu, você vai querer ver no corredor da morte!

Ufa! E olha que eu ainda não disse quase nada sobre o livro… Mas o resto eu vou deixar que vocês descubram por si sós, pois A Queda tem muito a oferecer ao leitor. Bosch está a um passo de se aposentar, e nesse episódio vai passar o diabo para solucionar os dois casos. Depois disso, penso que ele vai querer se aposentar de vez. Mas como diz Kiz Rider: "É por isso que a gente faz isso". Então, quem sabe Bosch seja um daqueles sujeitos que nunca se aposentam? Sinceramente, eu conto com isso!

Pra finalizar, A Queda é um romance moderno e atual que toca fundo em temas que estão circulando na mídia todos os dias: corrupção política, crimes hediondos, justiça cega, crimes não resolvidos, violência sexual, pedofilia... Mas também tem politicagem, ingerências, romance, amizade, lealdade, traições e um fiozinho de esperança. Além de tudo isso, também prova que pessoas como Harry Bosch estão fazendo muita falta em nosso cotidiano, em todas as estâncias da sociedade. Por que, como ele próprio diz:  "Todo mundo importa, ou ninguém importa".

Ou seja, a lei, os direitos, os deveres e responsabilidades, valem para todos ou não valem para ninguém. Se você fizer a sua parte, você fará a diferença num mundo cada vez mais desumano. Lembre-se: "Os maus crescem e ganham espaço quando os bons se omitem".

A Queda já está entre as melhores leituras do ano! É recomendadíssimo! Boa leitura!

P.S.: Ah, fiquei tão empolgada com a resenha que ia esquecendo de comentar sobre a capa e afins. A capa ficou show. Está dentro do contexto e é Bosch naquela silhueta escura, não tenho dúvidas. A tradução de Cássio Arantes está excelente. Ele se preocupou em manter os nomes de departamentos públicos de L.A. na sua forma original, com tradução ao lado e, ainda, justificou no final do livro o significado ambíguo de The Drop, o título original do livro. Também vale dizer que a diagramação do livro ficou 10, na medida certa! Amei!

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5 Comentários:

  1. Adorei a resenha, já fui adicionar o livro no goodreads para não esquecer! Muito bom ler resenhas de livros que envolvem tanto os leitores!

    Mas confesso que não gostei muito da capa, pode ser que depois da leitura eu sinta mais simpatia por ela ;P
    Beijos
    Isadora
    http://novoromance.com.br/

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  2. Olá, Livy!
    Fiquei bastante interessada no livro, também não é para menos! Com tantos elogios fica difícil não desejar. Os temas tratados no livro também me chamaram bastante atenção, alguns deles geralmente fazem os livros serem bastante inteligentes. Mas me desanimei com isso de décimo livro...
    To fugindo de séries :(


    Beijos
    http://www.interacaoliteraria.com/

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  3. A capa eu não gostei muito, mas o enredo me pegou! O único problema é ser mais uma série!
    Bjs, Rose

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  4. Oi Livy, acredita que eu nunca li nada do Connelly?! Apesar de ele ser muito elogiado e fazer bem meu estilo, ainda não tive a oportunidade, mas logo terei, espero..rs.
    Gostei muito da sua resenha, dá para perceber que é um livro bem inteligente e que vai abordar temas polêmicos. Fiquei ainda mais curiosa.

    bjs
    Aline Lima
    http://alinenerd.blogspot.com.br/

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  5. Adorei a resenha.. Mas qual livro da série eu devo ler primeiro? Eu vi que alguns não foram traduzidos pro português..

    Bjks,

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