[Resenha] O Verão das Bonecas Mortas, de Toni Hill

09 maio 2014
Postado por Livy

O Verão das Bonecas Mortas
Toni Hill
ISBN: 9788564406636
Tradutor: Fátima Couto
Ano: 2013
Páginas: 376
Editora: Tordesilhas
Pontuação: ♥ ♥ ♥   
O detetive Héctor Salgado acaba de voltar de suas férias forçadas. Argentino, ele mora em Barcelona há 19 anos e está sendo investigado por agressão a um dos suspeitos em um caso de tráfico de mulheres. A companhia aérea perdeu sua mala e a bateria do celular morreu. Ele foi abandonado pela mulher. Para mantê-lo ocupado e longe da tentação de fazer justiça com as próprias mãos, seu chefe o encarrega de investigar, em caráter extraoficial e com o auxílio da novata Leire Castro, a morte do jovem membro de uma família poderosa, envolvida em negócios e política. Insatisfeita com o veredicto de suicídio, a mãe do adolescente procura uma resposta – que se revela surpreendentemente ligada a um episódio perturbador do passado da família. 

Guardem bem esse nome: Toni Hill. Você ainda vai ouvir falar muito desse autor. Sem sombra de dúvidas, temos aí um grande autor de romance policial. Um autor que, nos próximos anos, promete muita, mas muita, coisa boa na literatura internacional. Vamos acompanhar de perto, é claro. Ainda mais que eu me tornei fã já nesse primeiro livro. O Verão das Bonecas Mortas me surpreendeu muito!

Esse é um daqueles livros que a gente lê por indicação de amigos ou por ter ouvido falar, do qual não se espera muito (ainda mais com a capa, que me dá arrepios e dá até medo)... até começarmos a ler. Pois foi exatamente assim que aconteceu comigo. Quando iniciei a leitura do livro, meio já esperando pouca novidade, tinha por expectativa largá-lo logo, não estava realmente muito empolgada. Nas primeiras 80/90 páginas, ou nos primeiros nove capítulos, as coisas acontecem muito em fogo brado. Ou seja, nada acontece de interessante ou cativante. Héctor Salgado, o investigador policial protagonista da história, está de regresso da Argentina, onde foi visitar parentes seus sob licença forçada. Nesses primeiros capítulos somos apresentados pelo autor, numa narrativa em terceira pessoa, aos personagens principais, e somos postos a par dos motivos que levaram Héctor a tirar essa licença e afastar-se do serviço, bem como de seu primeiro caso para retomar as atividades na delegacia.

Até esse ponto o romance parece não decolar. Eu já estava para desistir do livro no nono capítulo quando, ao entrar no capítulo seguinte, comecei a me interessar pela direção em que a história estava seguindo. De repente, a água que estava amornando começou a ferver e, gradativamente, seguiu desse ponto para o final em ritmo de ebulição. E aí não consegui mais parar de ler. Adorei isso!

Toni Hill me fisgou, com toda certeza. Toda a situação do retorno de Héctor à Espanha; a separação da mulher; a acusação que recaí sobre ele por ter espancado  o Dr. Omar, suspeito de tratar clinicamente de meninas africanas contrabandeadas como escravas sexuais; o relacionamento canhestro com o filho; a reserva dos colegas de trabalho quanto a sua conduta policial; entre outras coisas, dá lugar a um caso de suicídio que o delegado Savall quer que Héctor cuide pessoalmente por dois motivos: porque quer que ele retorne ao trabalho sem compromissos sérios, enquanto corre o processo administrativo contra ele (por causa daquela agressão); e, também, porque Savall conhece a família de Marc Castells, vitima de suicídio, e quer que Héctor trate do assunto com um trato especial, já que há a suspeita de que o garoto tenha caído da janela do sótão.

A narrativa investigativa segue agora em duas frentes. Em segundo plano, temos a subinspetora Duval investigando o repentino sumiço do Dr. Omar, sem que Héctor saiba disso; na linha de frente, temos O próprio Héctor e sua nova parceira, Leire Castro, averiguando as circunstâncias em que Marc Castells se suicidou. Ambas as investigações terão sérios desdobramentos que exigirão do trio de investigadores o seu melhor potencial investigativo e, de quebra, a sua maior lealdade.

O mais legal da narrativa de Toni Hill é que ele não se prende única e exclusivamente no foco do personagem central, (ou nesse caso, do investigador Héctor Salgado) como fazem a maioria dos escritores desse gênero literário. Ao longo do livro ele passeia de um personagem a outro e, a medida em que vamos lendo, acabamos conhecendo todos e cada um deles acaba por nos oferecer pistas preciosas sobre o caso ou, ainda, nos antecipando certos acontecimentos que nos fazem ficar um ou dois passos à frente de Héctor. Mas é claro, essa aparente vantagem, a nosso favor, é só aparência. Nada mais. E olha que são muitos os momentos em que isso ocorre. Por que todos esses personagens têm muito a acrescentar ou a esclarecer. E quando pensamos que já sabemos o que está acontecendo, para onde o autor nos quer levar, constatamos, lá pelo término do livro, que ele ainda sabe nos surpreender e provocar uma certa empatia em nós que nos convencemos de que ler o segundo livro da série não pode ficar pra manhã.

Há um hall bem grande de personagens interessantes, e eu gostei de quase todos eles (odiei particularmente o Aleix Rovira), mas Leire Castro é a minha preferida. A policial é eficiente no que faz e, ainda por cima, é o lado romântico da história. Me emocionei quando ela conta pro namorado que... bom, isso vou deixar pra você ler no livro. Também me encantei pela dona Carmem, a senhoria do prédio onde Héctor vive. Além de um doce de pessoa ela é responsável por uma das cenas mais arrepiantes do livro, lá no capítulo 27. A cena descrita em mais de duas páginas e meia é apavorante. Confesso que me tirou o fôlego!

A narrativa de Toni Hill é agradável e de fácil assimilação. Ele expõe todos os detalhes da trama e não deixa pontas soltas. O final do livro (na realidade há dois finais, mas um deles) aponta para um desdobramento no segundo livro: Os Bons Suicidas. O suspense por ele criado é psicológico e nos enreda a ponto de nos levar por altos e baixos numa investigação com toques de mistério macabro e segredos sórdidos, que prende a nossa atenção o tempo todo. O que parecia ser apenas uma investigação de rotina para Héctor Salgado acaba se transformando num terrível pesadelo do qual ele tenta emergir lúcido.

A culpa não é expiada, ela é carregada.

O Verão das Bonecas Mortas me agradou em cheio. Tanto que já estou lendo o segundo livro da série, Os Bons Suicidas. Assim, espero que a leitura desse livro lhe surpreenda também, tanto quanto a mim. É interessante vermos escritores de outras nacionalidades, que não a de língua inglesa, despontando entre grandes nomes da literatura policial, como: Michael Connelly, John Verdon, Lisa Gardner, Tess Garritsen, entre outros, e não ficar nada a dever para nenhum deles.

E apesar de ter medo da capa, a imagem nela traduz perfeitamente o contexto da história. Confesso que depois que tomei conhecimento do segredo por trás dessa imagem, fiquei muito comovida. O livro está ótimo, com boa diagramação e um trabalho editorial competente da Editora Tordesilhas, além da ótima tradução de Fátima Couto. Esse eu recomendo, sem dúvida alguma!


Comentários via Facebook

14 Comentários:

  1. Adorei a sua resenha.
    Já conhecia o livro por ter visto algumas resenhas pela blogosfera, mas não sabia que era uma série. A capa também me causa um certo "desconforto". A trama parece ser bem amarrada, instigante. Gostei muito!

    Vou aguardar a resenha do segundo livro. Beijos!

    http://ymaia.blogspot.com.br/

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  2. Oie realmente a capa me assustou se nao fosse por sua resenha passaria longe dele em uma livraria! ahhaha gostei da trama!

    Beijos Joi Cardoso
    Estante Diagonal

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  3. Oi Livy! :)
    Tenho acompanhado um pouco do lançamento da Tordesilhas pelo blog da Mari (s2Ler) e vou guardar a indicação que vc está dando do Toni Hill. Ainda bem que vc foi persistente e não abandonou a leitura! ^^

    Beijos,
    Lygia - Brincando com Livros

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  4. Sou menina, mas sempre tive medo de bonecas! Nunca brinquei... sempre preferi os ursinhos. Essa capa é de dar medo. Por isso não quero te-la em minha estante.
    Mas a sinopse e sua resenha me fizeram querer ler; Só não vou ler por causa da capa.
    hehehe
    Boa Semana,
    Bruna Marie - WTF.

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  5. Eu amo romance policial, estou querendo comprar O Chamado do Cuco e o resto dos livros de Sherlock Holmes. A capa me deu medo de início, e nem sei porque abri a resenha (acho que por curiosidade) e agora não tenho dúvida de que vou ler esse livro. Alguém por aí sabe um site seguro pra baixar em .pdf?
    photo-and-coffee.blogspot.com

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  6. Já li inúmeras resenhas positivas sobre esse livro, é impossível não ficar curiosa!
    Confesso que também tenho medo dessa capa, sou muito medrosa, rsrs.
    Mas é bacana quando um livro tem uma narrativa gostosa!

    memorias-de-leitura.blogspot.com

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  7. Nossa, até eu que não gosto tanto assim de policiais me vi interessada pela obra do autor! Tantos elogios! Realmente a capa do livro é meio assustadora, mas fiquei curiosa para descobrir o significado por trás dela, rs

    Beijos,
    http://www.interacaoliteraria.com/

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  8. Oieeeeeee
    É tudo isso mesmo! Esse livro foi um dos melhores que li em 2013, e Os bons suicidas ta caminhando para ser um dos melhores de 2014.
    Amei!
    Sua resenha ficou incrível!

    Lele - tô pensando em ler

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  9. Oieeeeeee
    É tudo isso mesmo! Esse livro foi um dos melhores que li em 2013, e Os bons suicidas ta caminhando para ser um dos melhores de 2014.
    Amei!
    Sua resenha ficou incrível!

    Lele - tô pensando em ler

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  10. Oi!
    Nunca li nada do autor mas tenho bastante curiosidade.
    Esse livro me chamou bastante atenção, gosto muito do genero parece ser uma boa pedida.
    Realmente a capa da medo mas a a premissa dele cativa.
    Beijos
    Guilherme - http://leituraforadeserie.blogspot.com/

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  11. Pode apostar que vc me deixou loucamente curiosa para ler este livro e conhecer de uma vez por todas este autor!! Não sou muito de ler esse tipo de livro, mas os que eu li me agradaram bastante!!

    xoxo
    http://amigadaleitora.blogspot.com.br/

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  12. Já tinha visto a capa desse livro e ela me chamou muito a atenção. Gosto de livros fortes e de romances policiais e esse livro pareceu ótimo. Sua resenha só me deixou com mais vontade de ler.
    Vou comprar o primeiro livro da série. Espero encontrar uma leitura que me prenda.

    M&N | Desbrava(dores) de livros - Participe do nosso top comentarista de Maio

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  13. Eu amo filmes assim,mas nunca li um livro,acredita? Amei a resenha.A história parece muuuuito boa <3


    Beeijão ^^
    E ei, tu tem razão.Estou amando o livro "Eu amo Nova York". *_*

    http://borboletametamorfoseando.blogspot.com.br/

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  14. Oi Livy, não imaginava que esse livro fosse tudo isso que você descreveu na resenha...como eu já te disse antes, a capa é muito sinistra. Que bom que insistiu na leitura, um começo morno pode nos surpreender muito, do mesmo jeito que um livro pode começar bom e terminar muito ruim...eu sempre insisto nas leituras, sempre penso que vou me surpreender. Não sabia que era uma série, confesso que isso desanima um pouco, mas a sua resenha nos anima a conferir o livro.

    Beijos!!!

    @jannagranado
    http://livrospuradiversao.blogspot.com.br

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