[Resenha] Skyland - Ilhas ao Vento, de David Carlyle

05 maio 2014
Postado por Livy

Skyland - Ilhas ao Vento
David Carlyle
ISBN: 9788539502189
Ano: 2014
Páginas: 248
Editora: Fundamento
Pontuação: ♥ ♥ ♥   
O mundo que conhecemos não existe mais! Estamos no século 23 e o planeta Terra foi praticamente destruído. O que restou foram grandes blocos que flutuam no espaço desafiando a gravidade - Skyland. E é neles que os homens vivem e lutam pelo bem mais precioso e escasso: a água! Quem controla tudo e todos é a Esfera, uma poderosa organização que detém o monopólio da água e domina o que sobrou da humanidade. Entre os humanos "privilegiados", estão os seijins, pessoas com poderes especiais. A inteligente e intuitiva Valery é uma delas. E, entre os desprovidos de tudo, está Lorenzo, um incansável caçador de água. Mas o que poderia unir os destinos de jovens tão diferentes? O que eles têm em comum? E o que significa o dossiê Carlyle, o documento que Lorenzo encontrou em uma de suas buscas por água? Nesse mundo devastado por uma catástrofe inimaginável, onde reina a luta pela sobrevivência, a chave para o segredo de Skyland precisa ser descoberta. É a única esperança. É a única chance. Ilhas ao Vento é o primeiro volume da trilogia Skyland. Você precisa conhecer esse universo! 

Ilhas ao Vento é o primeiro livro da trilogia Skyland escrita por David Carlyle. Neste livro conhecemos um mundo futurista onde o planeta Terra, como o conhecemos hoje, já não existe mais. Em 2078, devido a abalos naturais a terra sofreu uma grande explosão, mas o que poderia ser a destruição total do planeta foi um recomeço estranho para a humanidade. Estranhamente a gravidade segurou os fragmentos da explosão criando ilhas habitáveis. Indo contra qualquer noção cientifica, a gravidade mantêm essas ilhas suspensas no ar, assim como o ar respirável. Surgiu então Skyland.

Estamos agora em 2251, e o pior de tudo é que, com a explosão, obviamente os recursos hídricos se tornaram escassos. Já não chove mais; já não há mais mares, nem rios ou lagos. A água é agora um bem precioso e escasso, algo raro e pelo qual os cidadãos deste novo mundo tem que lutar e aprender a racionar. Não só isso, mas em um determinado momento até mesmo esses poucos recursos de água vão acabar. E então o que será da humanidade que restou?

É neste mundo que vive Valery, uma seijin muito inteligente que viveu toda a sua vida para a Esfera (o governo que monopoliza Skyland). Os seijins têm poderes extraordinários e misteriosos. Com sua audácia e inteligência, Valery vai ir além do que qualquer outro seijin que estuda com ela poderia pensar em ir. Ela será recrutada para um centro de estudos em Kyoto, onde uma grande pesquisa irá tentar desvendar os segredos da nova lei da gravidade em Skyland e como renovar o ciclo da água.

- Veja! A terra permanece suspensa no céu sem cair, desafiando as leis gravitacionais mais elementares da era antiga. Por que as ilhas não caem? Por que não colapsam? 

Também conhecemos Lorenzo e seu pai José, caçadores de água. Eles estão na Negrafloresta agora (um lugar sombrio e perigoso), e correm contra o tempo em busca de muita água para cumprir com uma dívida injusta. Mas nem imaginam que irão se ver em meio há algo muito maior e terrível do que uma simples dívida. Eles irão se ver em meio a um grande golpe do destino, que mudará suas vidas para sempre.

Carlyle alterna seus capítulos entre os acontecimentos que envolvem Valery e Lorenzo. Apesar de narrar em terceira pessoa, ele consegue transmitir muito bem todos os pormenores, todos os sentimentos e dificuldades de cada personagem. Um detalhe bacana é que em cada início de capítulo, ou da alternância entre um personagem e outro, o autor coloca detalhadamente a latitude e longitude da localização onde se encontram; assim como o dia, ano e local.

O autor também nos traz o passado, em 2078, através da Dra. Lily Carlyle (sim, mesmo sobrenome do autor), que luta contra todos os preconceitos de seus "colegas" de trabalho em sua pesquisa. É neste passado que vamos entender um pouco (e bem pouco) de como tudo começou, e como nosso planeta chegou ao ponto onde chegou. Na verdade, a explicação ainda é bem rasa. Vemos apenas como os experimentos e pesquisas de Lily são importantes, o quanto ela é desacreditada, e como ela pode ser a chave para entender o futuro. Assim também, vemos como pequenos abalos e "acidentes" começam a aparecer tanto em pessoas próximas a ela, como na própria natureza, culminando na fatídica explosão que irá mudar o mundo como o conhecemos.

David Carlyle é minucioso em sua narrativa e nos faz enxergar, com riqueza de detalhes, um futuro devastador e doloroso, onde a esperança é o motor da sobrevivência.

Gostei muito da construção dos personagens, e minha empatia por Valery e Lorenzo foi crescendo junto com a história. De início não fui muito com a cara da garota seijin, mas depois fui compreendendo seus motivos e atitudes, até que a vejo transformada de uma forma que me agradou. Lorenzo por sua vez é tão sofrido e passa por tantas algúrias que chega a dar dó. Lily foi a personagem que mais me envolveu. Fiquei condoída por tudo o que ela teve que passar, mesmo tendo razão.

E gostei muito da história em si. Cada detalhe é rico, a narrativa é gostosa e contribui para o total desenvolvimento de personagens e trama. Eu gostei muito do modo como tudo se desenrolou, mas confesso que no fim, não sei porque, fiquei com um apertinho no coração. Acho que foi o modo como o livro terminou, onde você vê que não há como fugir do destino do planeta.

Antes que a comunicação se interrompesse Lily ouviu só uma frase, em francês:
- Pode ser o fim do mundo como o conhecemos.

Outra coisa, o livro chega até mesmo a ser assustador, se você parar para pensar em como corremos realmente o risco de que nossas vidas mudem e o planeta como o conhecemos deixe de existir. Hoje vemos diversos abalos e mudanças na natureza que são alarmantes. O destino do nosso planeta é incerto, e perigoso, esta é a verdade.

Também gostei da capa e diagramação do livro! Perfeito! No livro há diversas ilustrações (no começo e fim do livro) que nos fazem visualizar Skyland de vários ângulos. Os panoramas são de tirar o fôlego.

Enfim, Ilhas ao Vento é um livro gostoso de ler. Tem uma ótima ambientação, toda uma trama muito bem tecida, inteligente e crível (apesar de fantástica), personagens interessantes, e muita aventura. A riqueza dos detalhes é incrível! Gostei de muitos outros detalhes que prometem garantir um ótima continuação, o bicho vai pegar em A Nave das TempestadesSkyland é uma trilogia que vou acompanhar até o final, com certeza!


Comentários via Facebook

5 Comentários:

  1. Gostei da resenha Livy, mas infelizmente o mote do livro não me chamou muito a atenção. Digamos que eu sou um pouquinho chata no que concerne a distopias...haha. Beijo!

    www.newsnessa.com

    ResponderExcluir
  2. Oi Livy! Mais uma distopia que vou querer conferir, é um gênero que gosto demais, minhas preferidas são Delírio e Divergente, a Seleção também, embora esta última eu veja mais como romance. Falando deste livro, entendi perfeitamente sua comparação com ser crível, mesmo sendo fantasia, todos os dias quando vejo o jornal e falam que os reservatórios de água aqui de São Paulo não recuperam o nível, imagino o sumiço geral da água, o livro em questão mostra algo que realmente pode estar mais perto do que pensamos.

    Bjos!!!

    ResponderExcluir
  3. Ual que resenha mais empolgante, eu não tinha prestado muita atenção ao livro, mas agora estouvendo ele com outros olhos.
    Concordo com você realmente tentar se colocar no lugar deles, imaginar que isto é bem viavel de acontecer no futuro é bem complicado.
    So fiquei na duvida se o livro é jovem adulto ou juvenil a escrita, pois os lviros da editora gerlamente são voltados para o publico teen ou to enganada, mas pretendo ler, amei sua resenha me deixou com vontade, beijos.

    ResponderExcluir
  4. qual o nome do 3° livro?
    Porque o 1° deve ser o ILHAS AO VENTO, o 2° A NAVE DAS TEMPESTADES e o 3° é qual?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. NECESSITO da continuação desse livro (que quero ler há anos e quase morri quando o vi, por acaso, numa livraria, ano passado), e você parece ser a única outra pessoa que o leu. Vamos falar com a Fundamento e pedir para que lancem o segundo (A Nave das Tempestades) e terceiro (A Guerra da Água) livros também? Já faz mais de um ano do lançamento do primeiro e eu acho que eles esqueceram de publicar o resto da trilogia T T Eu adoraria contar com a sua ajuda, Livy!

      Excluir

Veja os antigos!

Banner Publicidada – rodapé

Todos os textos, fotos e resenhas publicados são produzidos por e de uso exclusivo de No Mundo dos Livros. Exceto quando alguma matéria se baseia/inspira em alguma fonte, a mesma será sempre citada. Por isso, por favor, não copie nenhuma postagem sem a devida autorização.

Desenvolvimento com por