[Resenha] Graffiti Moon, de Cath Crowley

30 junho 2014
Postado por Livy

Graffiti Moon
Cath Crowley
ISBN: 9788565859226
Tradutor: Marina Slade
Ano: 2014
Páginas: 240
Editora: Valentina
Pontuação: ♥ ♥ ♥   
Uma aventura emocionante e perigosa como um grafite clandestino. Uma noite de arte e poesia, humor e autodescoberta, expectativa e risco e, quem sabe, amor verdadeiro. Um artista, uma sonhadora, uma noite, um significado. O que mais importa? O ano letivo acabou, aliás, o último ano do ensino médio. Lucy planejou a maneira perfeita de comemorar: essa noite, finalmente, ela encontrará o Sombra, o genial e misterioso grafiteiro, cujo fantástico trabalho se encontra espalhado por toda a cidade. Ele está de spray na mão, escondido em algum lugar, espalhando cor, desenhando pássaros e o azul do céu na noite. E Lucy sabe que um artista como o Sombra é alguém por quem ela pode se apaixonar — se apaixonar de verdade. A última pessoa com quem Lucy quer passar essa noite é o Ed, o cara que ela tem tentado evitar desde que deu um soco no nariz dele no encontro mais estranho de sua vida. Mas quando Ed conta para Lucy que sabe onde achar o Sombra, os dois de repente se juntam numa busca frenética aos lugares onde sua arte, repleta de tristeza e fuga, reverbera nos muros da cidade. Mas Lucy não consegue ver o que está bem diante dos seus olhos.

Graffiti Moon da autora australiana Cath Crowley, me deixou curiosa. Desde que vi que a Editora Valentina iria lançar o livro, me vi ansiosa para conferir se seria tão bacana quanto parecia. A premissa me me pareceu muito interessante, e foi quando concluí a leitura que vi que o livro é bem mais fofo do que imaginava, não esperava por isso.

Conhecemos, em capítulos alternados, Lucy e Ed. O livro se passa em primeira pessoa, alternando entre ambos. O interessante é que a história do livro se passa totalmente em apenas uma única noite. O ensino médio já terminou e esta noite Lucy vai sair com sua amiga Jazz e a recente amiga Daisy, e virar a noite se divertindo. Elas estão em um lugar para comer, e Jazz, que tem um quê de vidente, anuncia que os próximos garotos que entrarem pela porta são os garotos com quem as três amigas irão ficar naquela noite. Lucy que não gosta muito de se envolver com qualquer garoto, não gosta muito da ideia. E para sua surpresa entram realmente três rapazes na lanchonete: Ed, Leo e Dylan

Entre Leo e Jazz surge uma química imediata; e Daisy e Dylan têm a chance de se entender, já que são namorados mas estão meio brigados. O problema é com a Lucy: ela conhece o Ed e não tem uma lembrança muito boa dele, assim como ele dela. Más impressões, alguns enganos aqui e ali. 

Mas para Lucy nada disso importa. Ela não quer saber se terá que aguentar Ed a noite inteira, pois tudo o que ela realmente quer é conhecer o famoso artista grafiteiro Sombra. O misterioso artista espalha pelos muros e paredes da cidade sua arte que, Lucy entende, transborda de emoções e sentimentos. Ela tem uma paixão pelo misterioso Sombra e sua arte, e acredita até mesmo estar apaixonada. Como ela tem uma alma artística, ela sabe que Sombra é incrível e muito inteligente. Sonha em conhecê-lo e, quem sabe, ter um romance com ele (é inacreditável). E quando ela descobre que os rapazes conhecem o misterioso artista, ela então parte junto a Ed, em um tour dos trabalhos dele, em busca do sonho de Lucy.

Enfim, não vou contar muito os detalhes da história porque acabarei contando o livro inteiro. Graffiti Moon tem uma história simples, que basicamente é a aventura de Lucy e Ed noite a dentro à procura do Sombra. Não somente Lucy e Ed tem sua aventura, mas todos os personagens do livro têm seus assuntos pendentes e problemas para resolver, tanto com o passado, quanto com o presente. O que é legal é que, ao fim da noite, com o raiar de um novo dia, todos acabam encontrando seu caminho, e se encontrando de alguma forma.

O que gostei muito no livro é que a vida que Cath Crowley retrata é muito real. Os personagens (nenhum deles) não tem uma vida perfeita. Lucy mora com os pais, mas eles não moram exatamente juntos. Ela ama mexer com sua arte em vidro e é fascinada por arte. Ed mora com a mãe, que batalha para sustentar o lar, já que o pai os abandonou. Ed é um cara sofrido, que deixa aflorar sua dor e tudo aquilo que pensa ou sente de uma forma muito bonita. E ele tem dificuldade em ler, não consegue se concentrar nas palavras, e por isso teve dificuldades na escola e a abandonou antes de concluí-la (no livro não fica claro o porque de sua dificuldade, mas eu realmente creio que com um pouco mais de conhecimento, o que não foi o caso no livro, ele poderia ter tido ajuda, já que parece sofrer de dislexia), mas é muito inteligente. Leo é um cara sensível que adora escrever poesias, mas teve uma vida bem difícil. Com pais brigando o tempo todo, com bebida envolvida, ele os larga e vai viver com a avó, que supre sua necessidade de carinho.

Nenhum dos personagens é perfeito, ou tem uma vida maravilhosa, mas o que achei bacana é que nenhum deles se rende ao crime, à bebidas ou outros meios de "fugir" da realidade. Eles não enfrentam situações fáceis, mas vivem. De longe meu personagem preferido é o Ed. Eu adorei o modo como ele se expressa, como ele é tão verdadeiro e simples. Já com Lucy me irritei muito. Logo de cara achei a obsessão dela pelo Sombra muito exagerada. Em muitos momentos ela chega a desprezar o Ed, ou qualquer envolvimento com outros rapazes, pelo simples fato de nenhum deles ser tão bom, ou tão inteligente, ou não amar tanto arte quanto o Sombra. Achei ela um pouco preconceituosa neste sentido, afinal, se ela não dá espaço para conhecer ninguém realmente, como pode julgar desta forma? Além de que uma pessoa sensível como ela me irritou muito com seus mimimis.

Por outro lado, tenho que confessar que até o fim da noite ela acaba dando uma trégua e aprendendo a enxergar o que realmente importa. Percebe que o que ela acha ser perfeito não é realmente tão ideal. E entende que, muitas vezes, o que mais vale a pena está ao alcance de nossas mãos, não em uma ilusão. No fim achei mega fofo o romance de Ed e Lucy, suas descobertas, seus anseios e sonhos.

O que mais gostei no livro, na verdade, é a expressão dos sentimentos através da arte. Ao decorrer de todo o livro, é como se eu pudesse respirar toda esta arte, como se pudesse ver com o coração tudo o que os personagens estão vendo e sentindo também. Gostei do modo como a arte toma contornos e formas abstratas, junto aos sentimentos dos personagens, e como cada expressão tem seu significado e seu peso. Em muitos momentos me senti maravilhada com os pensamentos de Ed ou Lucy, e tudo isso através do amor pela arte, quase como uma poesia. E eu cheguei à conclusão de que gostei muito da narrativa de Cath Crowley, pois eu gosto muito quando o autor sabe explorar bem os sentimentos e pensamentos dos personagens, e foi o que ela fez.

Graffiti Moon é um livro, em suma, bem fofo. Não tem uma super história, em muitos momentos chegou a ser até bem simples, mas é bacana justamente por esta simplicidade. Apesar de alguns poréns no livro, e apesar de não ser um dos meus preferidos, me proporcionou uma leitura agradável e rápida, e me senti bem ao terminar a leitura, pois o fim é muito amor.

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2 Comentários:

  1. Gostei da resenha Livy. Aprecio livros simples, coerentes e interessantes. Beijo!

    www.newsnessa.com

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  2. Oi Livy! Gostei muito do livro, e acredito que a autora trouxe um diferencial quando optou por passar as emoções de seus protagonistas com a arte deles, Ed e Lucy não sentem como a maioria das pessoas, é algo mais intenso, as vezes melancólico, e até por isso mais marcante, os desenhos do Sombra me deixaram mexida, o casal é muito expressivo. Outro ponto positivo foi a opção por personagens comuns e cheios de problemas e dificuldade financeira, nem tudo na vida são flores, e nem todo casal da ficção precisa ser rico, bem vestido e estudar em escolas de elite, não que eu não goste de enredos mais cheios de glamour, mas acredito que mudar de cenário faz bem. Ótima resenha.
    Bjos!!
    Cida
    Moonlight Books

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