[Resenha] Placebo, de Steven James

17 agosto 2014
Postado por Livy

Placebo
Steven James
ISBN: 9788504019025
Ano: 2014
Páginas: 384
Tradutor: Rafael Farinaccio
Editora: Companhia Nacional
Pontuação: ♥ ♥ ♥   
Ilusionismo, ciência e magia negra. Uma combinação improvável, com resultados eletrizantes. Ao investigar um polêmico centro de pesquisa neurológica para seu programa televisivo, o ex-ilusionista Jevin Banks descobre uma conspiração envolvendo o Pentágono e uma das maiores companhias farmacêuticas do mundo. Jevin está atrás de respostas, não apenas sobre o duvidoso programa de comunicação telepática e o que está por trás dele, mas também para a tragédia familiar que ele sofreu. Placebo explora os limites da ciência, da consciência e da fé. Este livro leva o leitor a uma jornada intensa, em um mundo onde homens de negócios, políticos e militares atuam por trás dos panos o tempo todo, e nada é o que parece ser! 

Uma incrível jornada pelo mundo da ciência, medicina, conspirações e paranormalidade. Esse é o primeiro livro de Steven James que leio. Adorei, o livro é maravilhoso. Me apaixonei pela forma como Steven James escreve, por sua criatividade, por sua originalidade e por seus personagens adoráveis. Gostei tanto que já estou ansiosa pelo próximo livro da série Jevin Banks, e igualmente dos livros da série Patrick Bowers.  Placebo tem tudo o que você pode esperar de um ótimo livro.

Jevin Banks é um mágico que ganhou muito dinheiro produzindo e executando mágicas ao estilo Houdini (escapismos). Depois da morte da esposa e dos dois filhos pequenos, Jevin deixa a mágica de lado e passa a dedicar-se em tempo integral a um programa de TV para o canal a cabo Entertainment Film Network, especializado em desmascarar “videntes picaretas, pastores de televisão vigaristas e adivinhos golpistas”, e congêneres.

Para tanto chefia uma boa equipe de campo: Charlene Antioch é sua assistente desde os tempos de mágica e escapismo. Ela é bonita e inteligente, religiosa, carismática, odeia falar em celulares e é extremamente dedicada ao que faz (salvou Jevin de muitas escapadas malsucedidas), e vê em Jevin Banks mais do que um patrão ou amigo. Com ele, forma a dupla investigativa nos documentários do programa de TV.

Xavier Wray é um figuraço. Javin o conheceu há três anos em Las Vegas, quando estreou o seu show Escapismo: A experiência de Javin Banks. Xavier é careca, e as comparações caricatas com o mentor dos X-Men são inevitáveis. Isso porque o sujeito adora temas relacionados a ficção científica, teorias conspiratórias, ufologia, e afins. E adora dizer bicho o tempo todo. Nos shows de mágica, ajudou Jevin a criar muitos dos seus truques de escapismos; no programa de documentários, ajuda com o suporte técnico, com seus muitos gadgets.

Fionna McClury é uma especialista em sistemas da informação. Trabalho de logística, no dizer de Banks: “recolhimento de informações”. Um eufemismo para Hacker. Uma mãe solteira com 4 filhos, todos educados em casa, aos quais, obviamente, ela educa com rigor, enquanto trabalha em casa como “consultora de cibersegurança”. Empresas da Fortune 500 a tem em sua folha de pagamento para testar os seus firewalls. Segundo Javin, “ela consegue (invadi-los com sucesso) em nove de cada dez vezes". “Os filhos dela às vezes a ajudam, como dever de casa". Pode?

E nós temos o próprio Jevin Banks. Um sujeito muito inteligente que adora mágica, curte o insólito e paranormal, além de se interessar por física quântica e amar os seus amigos. Tem um drama pessoal bastante doloroso, o qual ele carregará consigo da primeira a última página do livro, e o qual se resolverá da mesma forma dramática como começou. Ele também tem um sentimento especial por Charlene, porém a morte recente da esposa e dos filhos cria um certo bloqueio em seus sentimentos.

Por essas e outras qualidades, Jevin é levado a investigar, para o seu programa de TV, um experimento telepático, ou psi, no Centro de Pesquisa Lawson, sob a chefia do prêmio Nobel em física dr. William Tanbyrn. O experimento diz respeito a conectar uma pessoa, dentro de uma câmara fechada, a computadores e medir a suas emoções e a transmissão de pensamento para uma outra pessoa (com a qual ela possui alguma ligação emocional ou afinidade) posicionada fora da sala de teste. Segundo o dr. Tanbyrn, isso não só é possível como pode revolucionar o mundo da ciência e da medicina em todo o mundo. E é para o instituto de pesquisa que Jevin e Charlene se dirigem como um casal inscrito para participar dos testes, munidos de equipamentos de espionagem para tentar provar que o experimento não passa de um embuste.

No entanto, as coisas não saem exatamente como eles esperam, e o que parecia ser apenas uma investigação de rotina, como tantas outras encenadas pela dupla, acaba mostrando-se muito mais complexa e intrigante, além de perigosa, cercada de muito mistério e possibilidades insólitas.

Com teorias de física quântica, tecnologia de ponta, conspirações e misticismo, Steven James nos conduz com maestria pelos bastidores da Casa Branca, pelos porões das grandes empresas farmacêuticas, nos labirintos da parapsicologia e nos meandros obscuros do sincretismo religioso. Sabe explorar, como nenhum outro, o que há de mais moderno na medicina e na informática, criando um thriller de mistério e suspense original e arrebatador.

Placebo tem um ritmo de filme, com uma narrativa limpa e concisa, diálogos inteligentes e, algumas vezes, bem-humorados. Steven James recria o gênero conspiratório e de mistério, tão alardeadamente imputado a Dan Brown, e que aqui ganha um novo patamar (ao quadrado, diga-se bem) e renova um tema já calejado e esgotado, emprestando-lhe uma nova forma e roupagens mais coloridas. No quesito conspiração, o autor foge do esteriótipo “a Igreja Católica há muito esconde a verdade…” e aponta para um inimigo bem mais real e concreto: a mente humana. E de quebra, nos leva por um rico universo de experimentos psíquicos e paranormais.

O dr. Cyrus Arlington, CEO da RixoTray, é o cientista por trás desses experimentos. Um sujeito mesquinho e arrogante que não mede esforços para fazer prevalecer as suas teorias. O que lhe permitirá lançar mãos a expedientes escusos, como magia negra e assassinatos sob encomenda. Também contará com o apoio de Ryah Colette, uma cientista brilhante que oculta um passado obscuro, e que não mede esforços para ser bem-sucedida em seus experimentos; Glen Banner, um assassino frio e impiedoso, além de implacável, que tem na vida um único vício: matar; e os gêmeos, uma dupla de paranormais que encabeçam um experimento de ponta, denominado Projeto Alfa.

Por essas e outras eu considero o livro ótimo e o recomendo. Sem dúvida alguma, Placebo já está na minha lista de bons livros lidos até o presente momento.
Boa leitura!


Curiosidade:

Do latim placere (agradarei), Placebo é uma espécie de fármaco inócuo sem nenhuma propriedade química. Tem por finalidade induzir o paciente a acreditar que está sendo medicado, porém a cura advêm de sua crença nisso, do seu estado psicológico e emocional, de que está sendo curado. Por exemplo, um comprimido de vitamina C pode aliviar a dor de cabeça de um paciente se ele acreditar que está tomando uma aspirina. No Dicionário Médico Hooper, Placebo é “o nome dado a qualquer medicamento administrativo para agradar do que beneficiar o paciente” (Fonte)





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1 Comentários:

  1. Olá Livy!

    Na verdade, não sei se iria gostar muito da obra. Como você citou durante a sua resenha, o autor está um passo à frente do Dan Brown. E confesso que não gosto da escrita do Dan Brown... Nunca consigo terminar os seus livros!
    Por mais que ame mistérios e suspense, não sei se estou tão ansiosa pela leitura deste. Parece ser muito bom, claro! Mas não me cativou.
    Adorei a sua resenha :)

    Beijos,
    Ana M.
    www.vicioemlivros.com

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