[Resenha] Suspeitos, de Robert Crais

16 setembro 2014
Postado por Livy

ISBN: 978-85-04-01901-8
Tradução: Cayo Candido
Páginas: 279
Ano: 2014
Editora: Editora Nacional
Pontuação: ♥♥ 
() Favoritado!
Scott não está bem desde a aterrorizante noite em que homens não identificados assassinaram sua parceira Stephanie e quase o mataram também, deixando-o cheio de ódio, humilhado e sempre à beira de um ataque de nervos. Maggie também não está bem. A pastora-alemã sobreviveu a três temporadas no Iraque e Afeganistão farejando explosivos até perder seu tratador no ataque de um homem-bomba. Seu estresse pós-traumático é tão grave quanto o de Scott. Eles são a última chance um do outro. Ele era um jovem policial em ascensão, ela foi criada para cuidar e proteger. Juntos, vão começar a investigar o caso que ninguém quer que investiguem: a identidade dos homens que assassinaram Stephanie. O que os dois descobrem é que nada é o que parece ser. Eles seguirão por um caminho que os levará através das obscuras lembranças de seus infernos pessoais. Será que conseguirão sair dessa e encontrar os culpados? Ninguém pode prever.

Eu poderia resumir minha resenha definindo numa única frase a minha leitura desse livro: sensacional! Como é bom encontrar em um romance policial todos os bons elementos literários que nos traz satisfação e prazer de leitura. E ao término da mesma, ainda ficamos com aquele bom e velho gostinho de quero maisSuspeitos, de Robert Crais, nos possibilita tudo isso. Porque é uma história muito legal que prende nossa atenção desde a primeira página.

Esse é o primeiro romance de Crais que leio, e me encantei pela forma direta e envolvente com que ele escreve, apresentando  personagens marcantes, cujo drama e personalidade vamos conhecendo ao longo da narrativa a medida em que nossa empatia vai sendo atraída pela trama crescente. Quando nos damos conta, estamos lendo avidamente.

Suspeitos é um thriller policial bem diferente, carregado de dramaticidade. Os protagonistas são um policial fardado, Scott James, e uma cachorra pastor-alemão, Maggie. Ele, perdeu a sua parceira de polícia em um assassinato do qual foi o único sobrevivente e testemunha ocular; ela, a cachorra, sobreviveu a uma terrível emboscada no Afeganistão e quase morreu tentando salvar o soldado que cuidava dela. Ambos possuem um trauma recorrente que os assombram continuamente. Nove meses depois aos incidentes, Scott está fazendo terapia para tentar aceitar que quase foi morto  por presenciar um crime, e está de volta ao serviço policial, transferido para o Pelotão K9 do Metro, de Los Angeles, especializado em treinar cães para rondas de rua.

No centro de treinamento K9, sob o comando do Sargento Dominick Lelande, Scott vai ter a sua última oportunidade de mostrar que está recuperado e pronto para a ativa. Ele precisa interagir com um cão policial e treiná-lo; os dois precisam casar perfeitamente. Por isso os policiais podem levar os cães para casa e conviver com eles 24 horas por dia. E é aí que Scott conhece Maggie. A cachorra pastor-alemão que atuava como fuzileira T415 do programa CTM – Cão de Trabalho Militar, no Afeganistão. Da mesma forma como Scott, Maggie tenta sobreviver com o trauma que a incapacitou para o serviço militar. A família que a recebeu em doação dos fuzileiros navais decidiram doá-la ao K9, mas Domick Lelande, rigoroso com suas normas de treinamento com seus “adoráveis cães”, não a quer por perto, pois Maggie não consegue superar o trauma que trouxe da guerra. Ao simples disparo de uma bombinha e a cachorra surta, completamente.

Scott e Maggie carregam dentro de si um drama, um pesadelo recorrente. E isso os tornam afins, pois suas mentes e seus corações estão entrelaçados pela semelhança da dor, do medo e da solidão que os martiriza. E um tanto quanto o outro tentará encontrar nesse abismo que os distância (e que também os aproxima) uma forma de superar o trauma e reencontrar um novo caminho para as suas vidas. Sensível e muito tocante!

Eu me emocionei em vários momentos da leitura, pois o envolvimento que Crais nos impõem é muito forte. Ele fala de emoções das quais nenhum de nós pode se furtar, já que a sua linguagem narrativa é simples, direta e muito familiar.

Mas não pense você que Suspeitos é um dramalhão. Muito pelo contrário. O drama vivido por Scott e Maggie é apenas um pano de fundo, uma tela em branco, na qual Crais tece a sua trama ou colore um quadro de profunda beleza que evoca as sutilezas do amor e da amizade entre duas criaturas completamente diferentes. Crais se apropriada desse apelo emocional em muitas partes do livro, sem exageros, e casa-o com perfeição num thriller policial de tradicional estilo: crime-mortos-suspense-investigação.

Nove meses depois do crime que Scott presenciou (mas do qual ele pouca coisa, ou quase nada, se recorda) – após amargar um longo período em salmoura –, o caso é reaberto por uma nova equipe de detetives da homicídios. Assim, de forma bem gradativa, Scott é levado a reviver os fatos daquele trágico encontro com a morte. A medida em que novos elementos do caso surgem, a investigação avulta e o elemento dramático atinge proporções angustiantes de tensão, suspense e fatalismo.

Confesso que os capítulos finais me deixaram com as unhas em petição de miséria. Precisei pagar caro para uma manicure dar um jeito na situação. E no fim, me apaixonei de tal maneira por Scott e Maggie que a simples ideia do que estava acontecendo com eles, ou o que poderia vir a acontecer nos momentos finais, me deixou em transe angustiante na segunda metade do livro em diante.

Além deles há outros personagens igualmente simpáticos e cativantes no livro. Particularmente, me simpatizei muito com o sargento Lelande, a detetive Joyce Cowly e o treinador Paul Budress. Mas também há aqueles odiosos, casca de ferida. Mas esses, você mesmo vai descobrir quem são.

Esses cães não são máquinas, caramba. Eles estão vivos! Eles são criaturas de Deus de sangue quente, que vivem e têm sentimentos e vão te amar com todo o coração! Vão amar vocês quando seus maridos e esposas te passarem para trás. Vão amar vocês quando seus filhos bastardos mijarem em suas covas! Vão ver e testemunhar suas maiores vergonhas e não irão julgá-los! Esses cães serão os mais sinceros e melhores parceiros que vocês um dia poderão esperar ter e eles darão a vida por vocês. E tudo que eles pedem, tudo que eles querem ou precisam, tudo que custa pra VOCÊ pra ter TUDO isso, é uma simples palavra de carinho. Cacete, os dez melhores homens que conheço não valem o pior cachorro aqui e nem um de vocês aqui também, e eu sou o maldito Dominick Leland e eu nunca estou errado. Capítulo 9, pág.77

Suspeitos é dividido em prólogo e quatro capítulos: Bola Verde (prólogo), Scott e Stephanie (I), Maggie e Scott (II), Proteger e Servir (III) e Matilha (IV); além dos subcapítulos, num total de 45. Em alguns destes, Crais os nomeia com o nome de alguns personagens, principalmente Joyce e Maggie. O legal é que, no caso da Maggie, a narrativa é sob a ótica da cachorra. Nessa ocasião, passamos a conhecer os sentimentos dela, tanto para com o seu antigo dono, o fuzileiro naval Peter, quanto, agora, por Scott. E creiam-me, é simplesmente apaixonante.

A forma como Scott ajuda Joyce Cowly a desvendar os assassinatos de nove meses atrás é bem interessante. As pistas surgem, mas ele não as enxerga com clareza. Está tudo ali, bem diante dele, mas ele não as vê, pois o trauma, a dor da culpa pela perda de Stephanie, o deixa cego. Mas Maggie, apesar da sua dor em particular, vê, fareja, ouve, e seus sentidos, muito mais apurados do que os de Scott, os leva até os criminosos. E a forma como isso acontece é muito, mas muito legal. Se você tem um cachorro (eu tenho um, o nome dele é Ravel), então você entende como isso acontece. Os cães são muito mais sensíveis do que nós. Talvez por que sejamos racionais demais, enquanto eles são puro sentimento. Seja como for...

Suspeitos encanta e nos faz acreditar que a amizade existe, e que, sem dúvida alguma, ela pode surgir, e sempre surge, nos momentos mais difíceis de nossas vidas.

Contente e em paz, Maggie percorria sonolentamente um campo esverdeado. Barriga cheia. Sede saciada. O conforto da mão calorosa de Scott. O homem era Scott. Ela era Maggie. Esse lugar era o caixote deles e o caixote deles estava seguro. Capítulo 27

O livro é maravilhoso. Leiam! Esse já está nos meus favoritos, para sempre!


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13 Comentários:

  1. Olá, Livy.
    Sua resenha está bem emocionante. Dá para perceber o quanto essa leitura mexeu com você. Achei muito bacana essa ideia de um enredo com drama e suspense. Além do mais, histórias envolvendo cachorros já têm seu apelo emocional. Gostei bastante. Pretendo ler um dia.
    Beijos!

    http://ymaia.blogspot.com.br/

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  2. Esses dias estava querendo ler um livro policial e fiquei na duvida em qual escolher. Adorei a dica. Não conhecia o livro ainda e olhando pela capa não dá para imaginar que é tudo isso. Ainda bem que temos as resenhas heheeh.

    Blog Prefácio

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  3. Ai Livy
    sua garota má. Bad, bad girl. Poxa, meu ponto fraco são romances policiais, e quando vejo uma indicaçao diferente, e que eu não conhecia, fico logo curiosa.
    E depois dessa resenha, você despertou mais do que a curiosidade, e sim a vontade de ler, pra ontem!!
    bjos
    www.mybooklit.com

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  4. Oi , tudo bem?
    Eu adorei a resenha do livro e fico super feliz que você tenha gostado. O livro parece ser daquele que nos prendem do inicio ao fim, ele já está na minha lista de desejados.

    http://fonte-da-leitura.blogspot.com.br/

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  5. Oiee ^^
    K9 é o nome de um filme não é? haha'
    Não gosto muito de romances policiais e coisas do tipo, mas a sua animação me deixou super curiosa para lê-lo.
    MilkMilks
    http://shakedepalavras.blogspot.com.br

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  6. Parasse ser um livro bastante interessante, deve compensar a ler
    -G
    http://oocaderninhopreto.blogspot.com.br/

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  7. Gostei da resenha Livy. O livro me pareceu ser bem intenso e como sou apaixonada por cachorros a leitura com certeza seria bem-vinda. Beijo!

    www.newsnessa.com

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  8. Nossa, que surpreendente e emocionante também. Adorei essa relação ser abordada. Eu tive um cachorro e sei como eles são. rs.
    Eu achava que era pura aventura mas ainda tem essa parte emocionante. Gostei. Com certeza já faz parte da minha lista de livros desejados.

    bjs.

    www.booksandmuchmore.com

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  9. Nunca li, parece ser ótimo! Adorei seu blog, realmente muito incrível, tem tudo para fazer o maior sucesso; Já estou seguindo, segue o meu também?
    www.espacegirl.com

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  10. Oi, não me mate ok, mais não gosto muito desse estilo de livro kkk... mais adorei a resenha que até daria uma chance... Não sou fã de policiais e os que li não me concenceram.. hunf..
    Beijokas
    Jeh
    www.jeitodler.com

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  11. Oi Livy! Adoro passar aqui e encontrar livros que nunca ouvi falar, e sempre de gêneros que curto, esta semana tinha sido o Anno Dracula e agora este policial, achei a trama diferente de tudo que já li, me pareceu muito cheio de sentimentos, algo que nem sempre encontro nestes livros.


    Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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  12. Bom sou novata leitora de livros de romance policial, mas eu estou gostando e eu adorei essa resenha estou muito curiosa para ler ele, esse relacionalmente se vai acontecer mesmo com corações partidos e mentes perdidas.

    Beijos
    Cabeças de Vento

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  13. Olá!! Indicação interessante... não tinha ouvido falar desse livro ainda... e se visse a capa iria passar batido por ele...
    Mas o que mais me chamou atenção foi sua resenha... Achei ela bem emocionante e abrangente... levando em conta a quantidade de páginas o autor tem que conduzir bem a história para ela não ficar superficial, mas de acordo com vc ele é bem mais profundo do que aparenta...kk...
    Parabéns pela resenha, chamou minha atenção para o livro...

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