[Resenha] Em Nome do Mal, de James Oswald

21 outubro 2014
Postado por Livy

Em Nome do Mal
James Oswald
Livro cedido pela editora
ISBN: 978-85-01-40305-6
Tradução: Marilene Tombini
Gênero: Policial
Ano: 2014
Páginas: 356
Editora: Record
Classificação:  ♥♥
A violência paira sobre Edimburgo. O corpo mutilado de uma jovem, vítima de um ritual macabro ocorrido há sessenta anos, repousa no porão de uma mansão. Os braços abertos, as mãos pregadas no piso de madeira, os órgãos removidos e dispostos em seis recipientes de vidro em torno da vítima. Além disso, uma proeminente figura local é brutalmente assassinada, um imigrante ilegal corta a própria garganta em um bar no centro da cidade, uma mulher se joga na linha do trem e outras quatro pessoas são mortas de forma violenta. O inspetor Anthony McLean tem certeza de que há uma ligação entre os assassinatos, os suicídios e o ritual no porão, mas não consegue encontrar uma explicação racional para os fatos. Na medida em que as coincidências aumentam, ele é forçado a considerar uma explicação sobrenatural. Poderia existir algo diabólico rondando a cidade que ele jurou proteger? Se sim, como detê-lo? As respostas que McLean procura logo farão com que se depare com a própria essência do mal. 

Em Nome do Mal é o primeiro livro da série de thrillers policiais protagonizados pelo inspetor Anthony McLean. Os outros livros que se seguem, já lançados lá fora, são: “The Book of Souls”, “Hamgman's Song”, “Dead Men's Bones” - com pontuações variando entre 3,9 a 4,5 estrelas. Ou seja, todos bem cotados. James Oswald desponta como o mais promissor escritor a ingressar no gênero thriller de suspense policial. E o seu sucesso e o carisma dos fãs já se evidencia nesses quatro episódios da série, em aproximadamente dois anos. Um feito notável para um escritor que acabara de sair do gênero fantasia, com os livros: Dreamwalker (livro 1), The Rose Cord (livro 2) e The Golden Cage (livro 3) da série The Ballad of Sir Benfro (todos inéditos no Brasil), e que lá fora fizeram grande sucesso.

James Oswald é um escritor de dois extremos. De um lado, a fantasia; do outro, o thriller policial. Pela qualidade da sua escrita, seria muito interessante e bem-vindo um livro que misturasse os dois gêneros, coisa muito rara de se encontrar na literatura, mas comum nos HQs, chamados de “crossover”. No entanto, nesse primeiro livro da série McLean, o autor soube mesclar o gênero policial investigativo de crimes em série com misticismo sobrenatural, desenvolvendo uma história interessante, cuja série promete ótimos resultados e vida longa.

Como thriller de suspense policial, Em Nome do Mal é “mais do mesmo”. A fórmula é recorrente: um policial boa pinta, solteirão, que trabalha numa delegacia com equipe limitada, baixos recursos e um drama particular, tem um chefão linha dura e um inspetor casca grossa que adora implicar com o sujeito e humilhá-lo, e que, de quebra, é o único capaz de resolver assassinatos cujo assassino é muito cuidadoso ao extremo e que não deixa qualquer tipo de vestígio. Clichê, pura e simples. Pois essa equação nós já vimos em outras séries policiais que, ao longo de dez, quinze ou vinte episódios em que a matemática do dois mais dois só pode ser quatro.

Mas... Dentro dessa equação, e nesse universo carregado de ótimos ou de não tão exuberantes thrillers policiais que surgem por aí, James Oswald, apesar de evidenciar o óbvio nos primeiros capítulos do livro que segue a mesma equação infinitamente exata dos outros romances desse gênero literário, nos surpreende... vejam bem, surpreende, compondo um thriller criativo, de narrativa fácil e sugestiva, personagens carismáticos, crimes ritualísticos, possessões e  algo mais que nos faz pensar seriamente que dois mais dois pode, enfim, ser  22.

Sessenta anos depois ao assassinato de uma jovem, cometido na década de 1950, eis que o corpo aparece nos dias atuais para revelar toda a sordidez de uma cerimônia ritualística brutal e satânica. Tony McLean e seus dois ajudantes, o sargento Bob “Rabugento” Laird e o detetive McBride são incumbidos de elucidar o caso e encontrar o assassino, ou assassinos. Mas como isso será possível depois de sessenta anos? As pistas já devem de estar frias e o criminoso, com toda certeza, morto. Em paralelo, eles são arrastados para outra investigação criminal comandada pelo inspetor-chefe Charles “chato” Duguid, um linha dura e irritante investigador que adora pegar no pé de McLean e humilhá-lo em qualquer lugar, e que está fazendo um alvoroço para elucidar uma série de mortes macabras envolvendo homens da alta sociedade de Edimburgo. Com o alto escalão da polícia pressionando de cima para baixo, McLean também terá que desvendar um misterioso assaltante que tem roubado algumas figuras abastadas da cidade  em circunstâncias bem misteriosas. Além de não deixar vestígios, o enigmático assaltante não arromba as portas ou janelas e entra nas residências sem disparar os alarmes que permanecem ligados o tempo todo. E se você acha que isso é pouco, então junte a tudo isso alguns suicídios que acontecem a intervalos regulares, onde pessoas estão cortando as gargantas, pulando de pontes... Ufa! Quer mais?

E depois, é claro, McLean ainda tem que lidar com o seu problema familiar, a internação da avó que o criou desde de sempre e a lembrança da morte dos pais; o fato de estar só e viver, quase sempre, para o trabalho; entre outras coisas. O legista Cadwallader, a perita Tracy e a policial Kydd são outros personagens bem interessantes e simpáticos que vão contribuir para que McLean e sua equipe avancem nas investigações, ou no redescobrimento de si mesmo ao longo da trama. E Jayne McIntyre, a chefona, vai contribuir como arbitra, ora pendendo para o lado de McLean, apoiando-o no que for possível, ora censurando-o pesadamente e encostando-o na parede, exigindo atitude e providências.

Em Nome do Mal é um thriller policial investigativo de crimes em série que tem um charme especial. É atual, mas tem o seu glamour; algo do tipo noir. A história é interessante, a narrativa é ótima, os personagens estão bem balanceados e interagem perfeitamente com as situações, a medida em que vão acontecendo, e McLean cumpre o seu papel direitinho. Claro, ele ainda não é perfeito, e seu amadurecimento se dará, obviamente, ao longo dos outros episódios da série. Apesar de muitos pontos a favor, que me deixaram atenta ao livro da primeira à última página, desejo apenas que James Oswald coloque um pouco mais de sentimento e paixão na série. Em alguns momentos McLean parece viver completamente alienado num outro mundo.

No final do livro, James Oswald acrescentou o capítulo 1 original, que fazia parte do conto que deu origem a saga de McLane. Lá ele também justifica porque decidiu suprimir esse capítulo da versão atual. Eu, particularmente, achei que ele agiu corretamente. Achei a cena muito violenta. As demais mortes que ocorrem ao longo da trama são igualmente violentas, porém são minimizadas pela descrição, quando os corpos são encontrados, e não pelo ato no instante em que as mortes são cometidas.

Adorei a capa do livro. Sombria é pouco, não é? Ótimo trabalho editorial. Enfim... Para os fãs do gênero, apesar do livro ser clichê, acho que vale a pena a leitura. É um bom livro sim, e é uma leitura gostosa. Agora é só esperar pela continuação!

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9 Comentários:

  1. Vontade de ir correndo na livraria comprar! Apesar de assustadores, gosto desses livros que tem essas mortes chocantes e gosto de ver como tudo vai se conectando.
    Adorei a resenha!

    Beijos!

    www.lendoporai.wordpress.com

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  2. Olá!

    Adorei seu blog, eu comecei um também a menos de um mês , o http://paradoxe-se.blogspot.com.br/ , quem quiser dar uma olhada e deixar sua opinião, ficarei muito grata.

    Beijos <3

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  3. Oiee ^^
    Taí um livro que eu não leria tão cedo. Não sou muito fã de suspense policial, mas thriller eu não leio mesmo...haha'
    MilkMilks
    http://shakedepalavras.blogspot.com.br

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  4. Gostei da resenha Livy. O livro realmente parece ser ótimo. Curto bastante thrillers policiais, então a dica foi anotada. Beijo!

    www.newsnessa.com

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  5. Oie Livy =)

    Hum... não costumo ler muito thrillers policiais, mas esse até que me chamou a atenção. Não tem nada de muito macabro nele não é? A capa é meio assustadora rs...

    Beijos e um bom final de semana;***

    Ane Reis.
    mydearlibrary | Livros, divagações e outras histórias...
    @mydearlibrary

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  6. Curto muito thriller policial, o livro parece ser ótimo, fiquei bastante interessada em ler!

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  7. Adorei a dica e a resenha Livy! Ainda mais para esta semana de Halloween, alias está rolando a semana do horror lá no blog <3

    Beijos Joi Cardoso
    Estante Diagonal

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  8. Ai minhanossa Livy..fiquei com medo de ler a resenha,d epois que vi a capae o título...tava imaginando coisas terríveis..srsrs
    Ma, foi bom eu ler ua resneha, pioeque fiquei mega interessada em ler esse livro.. Amo livros de suspende e com homens da lei..já vi que vai me prender totalmente.. bjs e parabéns pela resenha, ficou ótima...Essa vai pra lista dos desejados, com certeza.

    bjs

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