[Resenha] Belleville, de Felipe Colbert

12 novembro 2014
Postado por Livy

Livro cedido pela editora
ISBN: 9788581634111
Páginas: 304
Ano: 2014
Selo: Novas Páginas 
Editora: Novo Conceito
Classificação:  ♥♥♥♥♥
Se pudesse, Lucius aterrissaria em 1964 para ajudar Anabelle a realizar o grande sonho do seu falecido pai! De quebra, ajudaria a moça a enfrentar alguns problemas muito difíceis, entre eles resistir à violência do seu tio Lino. Claro que conhecer de perto os lindos olhos verdes que ele viu no retrato não seria nenhum sacrifício... Sem conseguir explicar o que está acontecendo, Lucius inicia uma intensa troca de correspondência com a antiga moradora da casa para onde se mudou. Uma relação que começa com desconfiança, passa pelo carinho e evolui para uma irresistível paixão – e para um pedido de socorro...

Ao começar uma leitura temos sempre algumas expectativas, neste caso como gosto muito de histórias que envolvem viagem no tempo ou qualquer coisa semelhante, comecei a ler Belleville com muito interesse. Mas para minha alegria, minhas expectativas com relação ao livro não só foram atingidas como superadas. Me vi sem conseguir parar de ler, devorei o livro e simplesmente me apaixonei pela história destes personagens tão humanos e cativantes que roubaram meu coração e me emocionaram muitas vezes durante o desenrolar da trama.

2014. A história tem inicio com a chegada do jovem Lucius à Campos de Jordão, para cursar Matemática na universidade local. Como ele ficará na cidade pelos próximos cinco anos, seu pai e ele acharam ser proveitoso que o rapaz alugasse uma casa durante este tempo. E é assim que ele acaba indo morar sozinho, em um velho casarão distante do centro da cidade.

Ali, logo nas primeiras horas passadas na velha casa, ele vê uma estranha formação de estacas fincadas no chão, em sinuoso caminho, perto do bosque que se localiza nos fundos do terreno da casa. Não muito depois ele encontra de forma acidental uma foto em preto e branco, dentro de um velho livro na estante. Na foto, uma bela jovem parece estar enterrando uma pequena caixa bem próximo de um dos pilares da estranha formação que lhe chamara a atenção mais cedo e que agora aguça ainda mais sua imaginação. Sua curiosidade o leva a querer comprovar aquilo, e ele não só encontra a caixa, como dentro há uma carta da garota da foto que se identifica como Anabelle. A moça é, aparentemente, uma antiga moradora do casarão, pois a data da carta é de 50 anos atrás, mais precisamente de 1964.

Nela, a jovem endereça a carta para um futuro morador da casa. Ela esclarece que a estranha formação é o inicio da construção de uma pequena montanha-russa. Esta construção era o sonho de seu falecido pai, que a chamava de Belleville, que queria dar de presente a filha. Porém, com sua morte, o projeto acaba se tornando também o sonho de Anabelle para concluir ela mesma em memória ao pai, que fora um ser humano maravilhoso. Mas sem condições de dar continuidade à construção, ela pede em sua carta que se houver condições, a pessoa que a lesse pudesse tornar o sonho de seu pai realidade.

Lucius até fica tocado, mas não tem dinheiro nem tempo para o projeto. Ele quer ajudar, mas não pode. Então força a si mesmo à pensar nos estudos, e escreve também uma carta para outro futuro morador, que pudesse, quem sabe, cumprir com o pedido feito pela jovem Anabelle. Colocando-a junto a primeira e enterrando a caixa no local em que a encontrara tenta esquecer tudo sobre a jovem e seu estranho pedido. Mas não consegue, por mais que se esforce. O que Lucius nem imagina é que sua carta chegaria até Anabelle, voltando para o passado. Quando ele volta a desenterrar a caixinha e encontra dentro outra carta de Anabelle, eles começam a se corresponder, sem conseguir explicar como algo tão extraordinário é possível.

Dúvidas e medos, receio e aceitação... estes dois jovens solitários separados pelo tempo e espaço, aprendem a confiar e a amar sem medir esforços. Apesar da impossibilidade do elo que os uniu, Belleville e sua construção é o alicerce de algo que crescerá juntamente com ela, para ser eterno. E isto se torna uma verdadeira obsessão para Lucius, ao mesmo tempo, infelizmente, que surge na vida de Anabelle o asqueroso e sumido tio Lino, que se aproveita da menoridade da jovem, como das leis da época, e na falta de outros parentes que lhe pudessem dar apoio, para não só se apoderar do casarão como de sua vida. Sua vida se torna um verdadeiro inferno e logo se torna prisioneira sem nenhum direito e em constante ansiedade pela próxima maldade perpetrada pelo repulsivo tio. Sem nada poder fazer, Lucius corre contra o tempo para tentar salvar Anabelle, sem ter como saber como tudo acabará.

A narrativa de Felipe Colbert é fluida e muito bem construída, e as jogadas entre o passado e o presente tem dois focos narrativos contados em primeira pessoa por Lucius e Anabelle. E conforme a trama avança, as expectativas aumentam assim como a carga emotiva. Temos dois personagens principais maravilhosos. Eu adorei Anabelle e Lucius, pela força e coragem que demonstram, e como enfrentam todas as adversidades. Também adorei a forma como os dois tinham contato, através das cartas: o elo que cresce, que se torna tão importante para ambos, e que se torna amor através das palavras trocadas entre eles, é algo muito especial.

Há personagens secundários fantásticos também, em destaque o professor Miranda e o mecânico Ezequiel. Mas dentre tantos personagens tenho que dizer que um dos que mais me surpreenderam foi o tio Lino, que se supera a cada aparição e conseguiu me convencer de todo seu potencial para a vilania e que prova ser aquele tipo de pessoa feita da mais pura seiva do mal. Como eu o odiei, e odiei com todas as minhas forças! Nem dá para descrever o quanto este personagem é odioso!

É claro que tem muito mais: mais emoções, mais personagens, mais acontecimentos que enriquecem o livro.  As últimas páginas me prenderam de uma forma que eu não consegui largar: cheia de tensão, expectativa, receio e esperança. Mas adorei o final e após terminar a leitura ainda guardo dentro de mim suas emoções e penso que sempre haverá uma lembrança ou outra a voltar a minha memória.

Belleville, de Felipe Colbert, é um livro cheio de magia, e traz uma bela e emocionante história de amor e superação. Só sei que eu amei ler este romance, que aqueceu meu coração, e que assim como sofri, também sorri com esta história e um amor que ultrapassa os limites e barreiras do tempo e espaço.

Comentários via Facebook

9 Comentários:

  1. faz tanto tempo que quero ler este livro que sua resenha só ressaltou que eu preciso matar essa vontade em breve!
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  2. Oi Livy! Desde a primeira vez que vi esse livro em uma livraria, tenho mantido meu interesse por ele. Ainda não consegui comprar, mas espero de verdade poder fazer essa leitura em breve.
    A sua resenha só me deu ainda mais vontade de lê-lo.. Adoro viagens no tempo, quando bem narradas.
    Grande beijo e até a próxima ♥

    Thati;
    www.nemteconto.org

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  3. Olá Livy.
    Nossa, que história fascinante.
    Muito envolvente.
    A capa do livro é linda.
    Eu vou compra - lo. Me apaixonei.
    Beijos

    http://leituradelua.blogspot.com.br

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  4. Nossa, esse livro parece ser muuito bom!! Acho que eu vou amar!!
    www.s2nopiquedamoda.blogspot.com.br

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  5. Oi Livy! Deste autor li A última nota e amei, espero que este livro traga uma história capaz de me encantar tanto quanto a outra, sou romântica assumida e estas tramas que ultrapassam tempo e espaço são minhas preferidas, o filme A casa do lago eu perdi as contas de quantas vezes assisti.

    Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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  6. Oi Livy

    Tentei ler esse livro mas acabei abandonando-o. A história não conseguiu me cativar e eu não consegui encontrar em suas páginas o que todos os leitores parecem ter encontrado.
    Não desisti completamente, mas não me sinto animada a voltar ainda que sua resenha tenha me deixado curiosa principalmente com relação ao horroroso Tio Lino.

    Beijos
    Mundo de Papel

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  7. A casa do lago!! Foi o meu primeiro pensamento...
    É incrível como existem tantos talentos no Brasil que são poucos conhecidos pelo grande público..
    Sua resenha foi maravilhosa... me deixou super com vontade de ler...
    Obrigada...
    Bjuss

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  8. Oi, Livy, tudo bem?
    Só ouço elogios sobre este livro. Vi vários posts sobre a Bienal de São Paulo com o autor e morri de vontade de estar lá comprando o livro dele autografado, rs. Além disso a capa é linda e o autor teve uma ideia genial para dar de base a esse livro.
    Super beijos <3
    http://livros-cores.blogspot.com.br/

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  9. só por causa da sua resenha vou ler esse livro e vou fazer uma resenha no meu blog !
    atmosferaresenhista.blogspot.com

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