[Resenha] Reconhecimento de Padrões, de William Gibson

02 dezembro 2014
Postado por Livy

Livro cedido pela editora
ISBN: 9788576570479
Tradutor: Fábio Fernandes
Edição: 3
Ano: 2013
Páginas: 416
Editora: Aleph
Classificação:  ♥♥♥♥
Cayce Pollard é uma coolhunter. Suas habilidades como caçadora de tendências, aliadas a um quê de profetisa e a uma inusitada alergia a marcas registradas, faz dela uma profissional disputada por corporações do mundo inteiro. Chamada a Londres para uma nova oportunidade de trabalho, Cayce recebe uma proposta ambiciosa e obscura: descobrir quem está por trás da criação e disseminação do “filme”, uma coleção de fragmentos de vídeo postados anonimamente na web e que atraem milhares de seguidores, inclusive ela mesma. Pivô de um jogo perigoso, Cayce correrá todos os riscos para atingir seu objetivo, lançando-se numa busca frenética que envolve sabotadores industriais, hackers de primeira linha, chefes da máfia russa, fanboys da internet e espiões aposentados. Reconhecimento de Padrões é um retrato brilhante da cultura de consumo e de esoterismo pós-moderno. Com ele, William Gibson abre a Trilogia Blue Ant, um mosaico do século 21 que se desdobra nos livros Território Fantasma e História Zero.

William Gibson é uma sumidade do mundo literário, principalmente do gênero ficção científica. Ele é o criador do termo "ciberespaço" e do gênero "cyberpunk", que é uma ramificação do universo Sci-Fi. O autor ficou mundialmente conhecido com seu romance de estreia, Neuromancer, de 1984. Nele Gibson antecipou os conceitos que usamos com muita frequência e naturalidade nos dias de hoje, criando um mundo virtual rico em elementos iconográficos antes mesmo do grande bum da internet e das mídias de convergência, tão comuns ao nosso cotidiano. E isso há 30 anos atrás. Não é por nada que ele é considerado o “guru do mundo virtual”.

Neuromancer ganhou os principais prêmios da ficção científica: Nebula, Hugo e Philip K. Dick. O livro foi publicado em 1991 pela Editora Aleph, e é o primeiro da trilogia Sprawl, seguido por Count Zero e Mona Lisa. Neuromancer é considerado até hoje um dos livros de ficção científica mais importantes do gênero, por ter introduzido novos elementos relacionados à inteligência artificial, robótica, realidades virtuais, sistemas neurais, entre outras coisas que hoje fazem parte das tecnologias ditas de ponta do nosso século. A trilogia cyberpunk de Gibson ainda inspirou a Trilogia Matrix e o mangá/anime Ghost in the Shell. Neuromancer também virou videogame em 1988, pela Interplay Productions e distribuído pela Activision; o game é um action-adventure cyperpunk.

William Gibson, além de romancista de sucesso, também criou os roteiros de Aliens 3, O Cyborg do Futuro (Johnny Mnimonic: The Interactive Action Movie, 1995), Enigma do Poder (New Rose Hotel, 1998) e dois episódios para a aclamada série de TV Arquivo X.  

Reconhecimento de Padrões, lançado originalmente em 2003, é o primeiro livro do autor que não está inserido totalmente no universo ficção científica cyberpunk, isso porque a história narrada na trilogia Bigend/Blue Ant se passa nos dias atuais, ou mais precisamente no início da primeira década do século XXI. Há 30 anos atrás isso seria, obviamente, Sci-Fi; pois quando os grandes romancistas das décadas de 1950 à 1980 escreviam sobre o século XXI o viam como algo que estava muito além, num futuro inimaginável cheio de máquinas imensas, velozes e com a humanidade colonizando outros planetas na órbita solar e além. Gibson inicia o século XXI com aquilo que ele tem de mais moderno: internet, celulares, mídias digitais e computadores.

Apesar de não ser um genuíno cyberpunk e não se caracterizar 100% como Sci-Fi, Reconhecimento de Padrões busca demonstrar a interação que nós hoje fazemos com as tecnologias chamadas de “convergentes”. Na ocasião em que o livro foi publicado, essas tecnologias de mídia que hoje temos como comum e indispensáveis (muitas delas já se tornaram parte do nosso cotidiano) eram, naquela ocasião, conceitos embrionários que estavam começando a despontar no horizonte do século XXI. Celulares, computadores, internet, mídias de som e vídeo, entre outras coisas, vislumbravam um horizonte promissor, mas ainda estavam engatinhando. Gibson deu-lhes volume e uma alma em seu livro, fazendo-as parecerem parte do cotidiano das pessoas, até mesmo com parte essencial de suas vidas, como ocorre hoje, quase quinze anos depois.

E é exatamente disso que trata o livro Reconhecimento de Padrões: mídias de convergências aliadas a grandes empresas corporativas de marketing. Na trama central a protagonista Cayce Pollard é incumbida de descobrir o autor por trás de um filme misterioso e badaladíssimo na Internet que está sendo baixado gratuitamente em partes fracionadas. Cada parte baixada exibe um trecho do filme, e a cada download feito os trechos assistidos são comentados na Internet com um grande alvoroço. Parece uma coisa boba e banal. Mas por trás desse suspense todo para se chegar o término do filme, montar as parte e exibí-lo em sua integridade, há toda uma trama envolvendo alta tecnologia, máfia, e algo misterioso inserido no próprio filme.

O segundo volume dessa trilogia é Território Fantasma, de 2007. E aqui no Brasil, em 2013, pela Editora Aleph. O terceiro é Zero History, editado em 2010.

Particularmente, o livro não me empolgou. A primeira metade é muito cansativa. A trama se forma muito lentamente, quase ao ritmo de adaptação de Cayce no Japão, por conta do jet leg. A narrativa de Gibson também me deixou com jet leg, pois só fui começar a entender alguma coisa da história na segunda metade do livro. Achei a narrativa dele meio confusa. Além do que, não consegui me simpatizar com CayceBigend é um chato. Os outros personagens ou são um endereço de e-mail ou figuram sem muita emoção. A trama é interessante e melhora muito na segunda parte do livro; porém, por conta da falta de carisma dos personagens e da narrativa confusa e arrastada de Gibson, o livro fica a desejar.

Em suam, Reconhecimento de padrões é altamente indicado para os fãs de William Gibson e para os fanáticos por tecnologia.


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