[Resenha] Eu, Robô, de Isaac Asimov

04 fevereiro 2015
Postado por Livy

Eu, Robô
Livro cedido pela editora
ISBN: 9788576572008
Tradução: Aline Storto Pereira
Ano: 2014
Páginas: 320
Editora: Aleph
Classificação: ♥♥♥♥
Eu, Robô é uma coletânea de contos escrita pelo russo Isaac Asimov. Os contos já haviam sido publicados em revistas. Asimovamarra os contos uns aos outros, como uma pesquisa de um jornalista, que vai entrevistando as pessoas e aí entram os contos. Um dos maiores sucessos de Asimov, contém as Três Leis da Robótica, enunciadas por Asimov e amplamente aceitas até por outros autores.

Isaac Asimov, nascido Isaak Yudavich Azimov em janeiro de 1920, na Rússia, faleceu em abril de 1992, em Nova Iorque. Foi escritor e bioquímico, autor de diversas obras de renome. Seus maiores sucessos estão na literatura, tendo publicado inúmeros contos e livros de não-ficção, mistério e fantasia, bem como  de ficção-científica. No entanto, foi exatamente este último gênero literário que garantiu ao autor a fama eterna, cujos livros, ainda nos dias de hoje, são republicados em todo o mundo. Mesmo depois de 20 anos de sua morte, Isaac Asimov ainda é cultuado por legiões de fãs no mundo inteiro e, na opinião de muitos críticos literários, ele continua sendo um dos grandes mestres da ficção científica. Asimov escreveu mais de 400 obras ao longo de sua carreira profissional.

Parte da ausência de humanidade do computador deve-se a que, competentemente programado e trabalhando bem, é completamente honesto. - Asimov

Para os leitores que ainda não conhecem as obras de Asimov, e eu me incluo nesse âmbito – já que esse é o primeiro livro do autor que leio e resenho -, aqui vai uma dica importante: desassociem o livro do filme homônimo, estrelado pelo ator Will Smith, de 2004 (dirigido por Alex Proyas). O Eu, Robô do filme é uma adaptação livre que se baseou em algumas sugestões contidas no livro Eu, Robô de Asimov. Portanto, livro e filme são tão diferentes quando o sol e a lua.

Desta forma, se você viu o filme, não precisa esquivar-se do livro; e os que desejam ler o livro, não precisam se preocupar em perder o filme de vista, se ainda não o assistiram; pois, como eu disse antes, um e outro são completamente diferentes. Na realidade, o que os dois têm em comum é somente o título; além, é claro, da temática envolvendo robôs e sua evolução.

Para você, um robô é um robô. Engrenagens e metal; eletricidade e pósitrons. Mente e ferro! Feitos pelo homem! Caso necessário, destruí-los pelo homem! Mas você não trabalhou com eles, de modo que não os conhece. São uma raça mais limpa e melhor do que a nossa. - Asimov

Eu, Robô, o livro, é uma coletânea de nove contos escritos pelo autor ao longo de vários anos, reunidos posteriormente em forma de romance. Os contos estão num sequenciamento lógico, inclusive por cronologia de data, e ao serem lidos nessa ordem nos dão a sensação de que os contos são capítulos de uma única obra.

O livro inicia-se com o meu conto favorito: Robbie. Nele, Asimov lança o que eu acredito ser a pedra angular da robótica. O autor traça os parâmetros iniciais da evolução dos robôs, apresentando-os de forma bastante rudimentar, de estrutura bem mecânica e pesadões, dotados de um computador limitado e sem a possibilidade da fala. Nesse contexto, encontramos a menina Gloria que ganha do pai um robô cuidador de crianças, como presente. No entanto, a menina acaba se identificando com a máquina em seu mundo solitário, como uma espécie de irmão, pelo qual ela nutre uma grande afeição. A atenção e o carinho que os pais não lhe dedicam é extraído da máquina que, onipresente, lhe dá toda a atenção do mundo. Isso até o dia em que Robbie desaparece de sua vida, substituído por um cachorro. Da infância à pré-adolescência, Gloria não deixará de pensar em Robbie um único dia, até a sua viagem com os pais para Nova Iorque, para visitar a fábrica de robôs U.S. Robots. Aqui, a carga dramática e a sutileza do conto é excepcional. Robbie surge quase como um conto de fadas futurista. E os conceitos de amor, abandono, renúncia e amizade também podem ser atribuídos às máquinas.

No conto seguinte, Andando em Círculos, encontramos Gregory Powell e Mike Donavan trabalhando numa estação mineradora no lado escuro do planeta Mercúrio, o planeta mais próximo ao sol do nosso sistema, as voltas com um robô chamado Speedy que apresenta algumas anomalias que o faz agir de forma independente. Os dois operadores da estação em solo tentam compreender a anomalia que afeta a máquina, ao mesmo tempo em que tentam manter a estação operante. Nesse conto, Asimov dá continuidade a evolução dos robôs, pois Speedy possui uma estrutura mais leve e de anatomia mais versátil, com um computador mais avançado e com a capacidade da fala, ao mesmo tempo tempo em que aborda novos conceitos sobre a moral e a interação humanos versus máquinas.

No terceiro conto, Razão, um ano e meio depois dos acontecimentos em Mercúrio, reencontramos Powell e Donavan, agora transferidos para a Estação Solar Nr. 5, envolvidos com um outro robô da U.S. Robots, o QT-1; uma máquina bem superior ao Speedy, chamado Cutie, que enfrenta outros questionamentos e dilemas morais...

Cutie chacoalhou a cabeça gravemente, e falou:
- Isso constitui uma obsessão. Por que insistem tanto em uma visão absolutamente falsa da vida? Admitindo que os não robôs têm capacidade de raciocínio, ainda há o problema de...
Sua voz desvaneceu em uma silêncio reflexivo.
- Se você tivesse uma cara de carne e osso, eu a quebraria – disse Donavan com a intensidade de um sussurro.
Powell alisou o bigode com os dedos e estreitou os olhos.
- Ouça, Cutie, se não existe a Terra, como você explica o que vê pelo telescópio?

Nos demais contos, Asimov vai introduzindo outros personagens, como a Dra. Susan Calvin, psicóloga, e novos robôs, tornando a leitura bastante interessante à medida em que compõe a evolução de consciência das máquinas e a afirmação da sua presença cada vez mais evidente na vida dos humanos. Terminamos com o Conflito Evitável, onde encontramos um mundo geopoliticamente modificado e onde as máquinas são predominantes e prepotentes.

-Mas você está me dizendo, Susan, que a Sociedade pela Humanidade está certa e que a Raça Humana perdeu a possibilidade de opinar sobre o próprio futuro.
-Ela nunca teve, de fato, essa possibilidade.  Ela sempre esteve à mercê de forças econômicas e sociais que não entendia... sujeita ao clima e aos resultados da guerra. Agora as Máquinas as entendem, e ninguém pode impedi-las, já que as Máquinas vão lidar com essas forças como estão lidando com a Sociedade... tendo, como de fato têm, a maior das armas à sua disposição: o controle absoluto da nossa economia.
- Isso é horrível!
-Talvez seja maravilhoso! Pense que, durante todo esse tempo, todos os conflitos se tornaram por fim evitáveis. Apenas as Máquinas são, de agora em diante, inevitáveis!

quase 70 anos, Asimov lançou as regras para os futuros escritores escreverem seus livros e roteiros com temáticas de robótica. Como ele mesmo disse, o tema robô já vinha sendo explorado desde a década de 1920; porém, nenhum outro escritor soube dar a verdadeira alma para o tema. Asimov, sem dúvida alguma, foi o pai da robótica moderna. Tudo o que está escrito nesse livro, ainda hoje, mesmo depois de seis décadas, continua atual e inovador. O que prova que Asimov foi um visionário em sua época. O futuro que ele projetou, ainda estamos por conquistar.

Eu, Robô é um daqueles livros que merecem ser conhecido. Se você gosta do gênero ficção científica, não tem como perdê-lo, sua leitura é obrigatória. Eu gostei muito. Como primeira leitura de uma obra do autor, fiquei muito satisfeita.

A Editora Aleph está de parabéns por essa reedição de Eu, Robô. A capa ficou linda. O layout das páginas, outro show. O que torna essa edição uma obra para colecionadores e fãs do autor, além de aficionados por Sci-Fi.


Comentários via Facebook

1 Comentários:

  1. Olá
    Eu recebi e a edição está linda, muuuito bonita mas ainda não me animei para ler, pois não faz meu gênero de leitura, estou esperando o momento certo para tentar e que bom que curtiu a leitura viu?
    Ótima resenha

    Comente ;)) http://realityofbooks.blogspot.com.br/2015/02/resenha-um-amor-um-cafe-nova-york.html
    Beeeijos

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