[Resenha] Mais Esperto que o Diabo, de Napoleon Hill

09 fevereiro 2015
Postado por Livy

Mais esperto que o diabo
Livro cedido pela editora
ISBN: 8568014003
Ano: 2014
Páginas: 200
Editora: CDG Editora
Classificação: ♥♥♥♥
Escrito em 1938, após uma das maiores crises econômicas, e precedendo a Segunda Guerra Mundial, este livro não somente é uma fonte de inspiração e coragem, mas deve ser considerado um manual para todas aquelas pessoas que desejam ser mais espertas que seus medos, problemas e limitações, pois, como o próprio Hill fala - em toda adversidade existe uma semente de benefício equivalente. Dessa forma, se você deseja ter mais força, coragem e fé em si mesmo, para vencer todas as adversidades que surgirem em seu caminho, este livro será um presente daquele que você deve amar sempre e muito - você mesmo. Quando amamos a nós mesmos e vivemos em paz e harmonia com nossa própria consciência, aí sim encontramos aquele que nos deu o presente da Vida. Sabendo mais sobre o Diabo e suas armadilhas mentais, acabamos nos aproximando mais de Deus.

Para os quem ainda não conhecem a CDG Editora, de Porto Alegre-RS, ela está voltada atualmente para publicações de livros que tem a finalidade de "mudar, inovar e trazer mensagens que possam servir de inspiração para pequenas mudanças que trarão grandes benefícios no seu dia a dia. E é baseada nessa ideologia que buscam publicar apenas livros que possam ajudar os leitores a serem pessoas mais felizes e realizadas." - como ela mesma se define na página inicial do seu site comercial. Com essa premissa, a CDG Editora publicou o livro Mais Esperto que o Diabo, um título de grande sucesso e repercussão global que já vendeu mais de 100 milhões de cópias em todo o mundo. O livro foi escrito por Napoleon Hil, o mesmo autor de Pense e Enriqueça que também se tornou um grande best-seller de vendas, com mais de 50 milhões de cópias vendidas em todo o mundo.

Mais Esperto que o Diabo é um livro muito interessante que merece a sua atenção. Mas, antes de iniciar a leitura do livro, é importante que você se dispa mentalmente de toda e qualquer imagem que tenha sobre o diabo, quer seja por sua religião, sua cultura, sua filosofia de vida, ou convicções próprias e sentimentos pessoais. Tenha em mente apenas que esse é um livro escrito por um homem que é considerado um dos grandes pensadores da sua época e que tem inspirado milhões de pessoas em todo o mundo a encontrar um caminho para a realização dos seus objetivos pessoais. De diabo, no termo clássico e religioso, o livro só tem no título.

Particularmente, eu não acredito que Napoleon Hill tenha entrevistado o Diabo. Acredito sim que ele, como um grande filósofo, pensador e homem de negócios, para não dizer um excelente marqueteiro, soube colocar suas ideias, sua filosofia de vida, em forma de entrevista onde o entrevistado é o suposto Diabo. E se você tirar o nome "Diabo" do título e o substituir por "eu" ou "você", daria, a meu ver, talvez o real sentido desse livro: "Mais esperto que eu"; "Mais esperto que você".

No início da entrevista, Napoleon Hill pergunta ao Diabo: "...Comece me contando onde você mora e então descreva a sua aparência física". No que o diabo responde: "..eu não possuo um corpo físico... Eu consisto de Energia Negativa e vivo nas mentes das pessoas que tem medo de mim. Também ocupo metade de cada átomo da matéria física e cada unidade de energia mental e física...".

O mais importante aqui é que Napoleon Hill demonstra que nós somos responsáveis pela nossa ruína tanto quanto pela nossa vitória. O seu grande trunfo já se evidencia no fato de que ele, supostamente, entrevistou o Diabo. Um ser mítico que suscita nas pessoas o medo, a dúvida, a violência, a derrota, a mesquinharia, e tudo o que é ruim e negativo. E é justamente por isso que ele o usa como arcabouço para atingir o seu propósito, que é levar às pessoas, de todas as épocas, a palavra de superação que as faça vencer o medo, enfrentar a dúvida ou as incertezas da vida, a pacificar os seus impulsos negativos, a tirar da derrota a melhor lição em seu proveito, vir a tornar-se uma pessoa de bem e generosa, sabendo que devemos fazer aos outros aquilo que desejamos que os outros nos façam, e, ainda, nos ensina a fórmula capital para nos livrarmos do alienamento mental.

Napoleon Hill pergunta: "..quais são os hábitos mais comuns pelos quais você controla as mentes das pessoas?". O Diabo responde: "...medo, superstição, avareza, ganância,luxúria, vingança, raiva, vaidade e preguiça.".

"Alienados" são aqueles que não sabem pensar por si mesmos; não possuem voz ativa, disciplina, determinação; são altamente sugestionáveis ao meio externo e aos desejos  de outras pessoas. O que significa que os nossos pensamentos podem influenciar, ou ditar, não apenas o nosso modo de ver as coisas, mas, e de forma muito mais impactante, nosso modo de vida. Se você pensa em termos de fracasso, fatalismo, miséria, desencorajamento, certamente estará sugando para dentro da sua vida essas coisas.

Napoleon Hill foi o precursor de todas essas filosofias motivacionais e palestras do tipo "tenha sucesso na vida". Ele traçou os primeiros  parâmetros da filosofia de que a nossa mente é muito poderosa, e que, através da sua disciplina, podemos atingir qualquer meta que nos proponhamos realizar. A mente, segundo esses pensadores, é uma usina de forças com dois polos de influenciação: um é positivo, atrai e realiza coisas necessárias ao nosso sucesso; a outra é negativa, atrai e gera coisas que causam a nossa desgraça. É como o Yin e Yang  da filosofia Taoista. Um é a energia do bem, o outro, a energia do mal. Positivo e negativo. Luz e trevas. Bem e mal. E essa dualidade existe na natureza, no universo, e em todos os níveis de existência. Também pode ser simplificada como Ação e Reação, onde toda ação gera um oposto de si mesma, chamada reação. Se a ação é boa, a reação nos trará benefícios; se a ação é má, obviamente a reação será de igual proporção.

Seguindo esse esquema universal, Napoleon Hill colocou sua filosofia em forma de entrevista para melhor elucidar as ações do mal e extrair de suas lições a oportunidade que todos nós temos de praticar o bem, através do qual podemos nos libertar de todo alienamento mental e alcançar a felicidade. Colocando o Diabo como entrevistado, Napoleon Hill está questionando todos os nossos medos e sentimentos negativos e aflorando-os para que os conheçamos melhor. Desta forma, aprendemos a distingui-lo corretamente, revertendo a sua energia negativa para um modo de pensar positivo. Uma oportunidade única de mudar nossos hábitos e romper nossos paradigmas para traçar uma nova margem de vida, mais feliz, segura e saudável.

Napoleon Hill  dividiu o livro em duas partes. A primeira parte é quase uma biografia da sua vida, um resumo de como ele galgou os degraus rumo a concretização da obra. A Primeira Grande Guerra Mundial já havia terminado e o mundo, uma década e meia depois, mergulhava numa catástrofe financeira que levou muita gente à miséria. De quebra, lentamente, o mundo caminhava para uma segunda guerra global, de maior proporção e com implicações morais e materiais até então nunca vistas. Em meio a esses conflitos ideológico, financeiro e espiritual, Napoleon Hill não se melindrou e, seguindo a inspiração daquilo que ele chama de seu "outro eu", conseguiu sobrepujar esses tufões que ameaçavam a humanidade, tornando-se ele próprio um farol a guiar muitas mentes rumo a um porto seguro. Dos germes de um mundo a beira do abismo, nasceu Mais Esperto que o Diabo.

A segunda parte do livro, praticamente mais de dois terços do mesmo, é dedicada a entrevista com o Diabo, dividida em nove capítulos de um total de dose. Ao término da entrevista, Napoleon Hill faz um rápido resumo da mesma, diluindo  a sua filosofia para facilitar o entendimento geral. E no finalzinho do resumo ele arremata, dizendo:

"Você somente tem que pensar e chegar às suas próprias conclusões em relação a cada parte desta entrevista. O quão razoável ela é. Você é o juiz, o jurado e o advogado, tanto da defesa quanto da acusação. Se você não vencer o seu caso, a perda e a causa perda serão somente suas."

A lição mais importante e significativa que eu pude apreender do livro é a de que nós somos os responsáveis por nosso sucesso ou por nosso fracasso, mediante os pensamentos e as atitudes que tomamos ao longo de nossas vidas. Não importa o quanto você seja feliz ou o quanto você tenha fracassado. Pense que é possível ser ainda mais feliz e extrair do fracasso algo bom e útil para você e para os seus entes queridos. E para isso ser possível, você precisa entender que seus pensamentos e suas atitudes são os artífices da sua vitória ou da sua derrota.

E uma forma de nós tornarmos possível viver em um mundo melhor é começarmos desde cedo a educar nossos filhos com pensamentos de bem. E a esse respeito, no capítulo 9 – Educação e Religião, o autor descreve, das páginas 138 à 141, como devemos educar nossas crianças e nossos jovens para que eles tenham uma vida plena e de sucesso. Transcrevo aqui a que eu achei mais significativa, para finalizar:

"Ensine as crianças que todas as escolas e livros de textos são elementos essenciais que podem  ser úteis no desenvolvimento de suas mentes, mas que a única escola de real valor é a grande universidade da vida, onde se tem o privilégio de aprender pela experiência."

Apesar de Mais Espero que o Diabo não ser exatamente o tipo de livro que estou acostumada a ler, e não ser um tipo de leitura que geralmente gosto, conseguiu me prender e apreendi boas mensagens com a leitura. 

Comentários via Facebook

4 Comentários:

  1. Olá Livy.
    O livro também não é o tipo que gosto de ler. Porém, gostei bastante, eles traz ótimas mensagens.
    E concordo com autor, na parte que ele diz que vive e mente e se "alimenta" dos medos.
    Sendo sincera, se eu encontrasse esse livro na prateleira, não sei se pegaria não rs...
    Eu gostei e aprendi até uma lição com sua resenha. Obrigada por compartilhar alguma frases do livros.
    Eu vou procurar por ele.
    Um grande beijo.

    http://www.leituradelua.com

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  2. Oi Livy! Na promo do aniver do meu blog tem um exemplar desse livro, de cara não dei nada pra ele, mas lendo agora sua resenha, tão bem argumentada me virou a cabeça, com considerar a ideia de ler o livro! Obrigada!

    Beijos,
    Joi Cardoso
    Estante Diagonal

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  3. O livro é fantástico! O nome do mesmo não é algo que me desperta interesse em ler, mas o conteúdo faz todo sentido.

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  4. Bom dia, Livy!

    Tenho recebido alguns comentários favoráveis ao livro e, devido a uma recomendação de leitura, busquei algumas informações sobre ele.

    Li com atenção a sua resenha muito elucidativa e bem escrita sobre "Mais esperto que o Diabo", a qual motivou-me à leitura do livro, pelo que, expresso aqui o meu agradecimento e, com o devido respeito, devo comentar que em um trecho de sua resenha a pessoa que a digitou cometeu um erro que merece ser corrigido: de "nove capítulos de um total de dose" para "nove capítulos de um total de doze".

    Atenciosamente, também pisciano,

    Sergio Silva

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