[Resenha] Duna, de Frank Herbert

07 março 2015
Postado por Livy

Livro cedido pela editora para resenha
ISBN: 978-85-7657-101-8
Série: Crônicas de Duna, vol. 1
Tradução: Marina do Carmo Zanini
Ano: 2010 
Páginas: 544
Editora: Aleph
Classificação: ♥♥♥

A vida do jovem Paul Atreides está prestes a mudar radicalmente. Após a visita de uma mulher misteriosa, ele é obrigado a deixar seu planeta natal para sobreviver ao ambiente árido e severo de Arrakis, o Planeta Deserto. Envolvido numa intrincada teia política e religiosa, Paul divide-se entre as obrigações de herdeiro e seu treinamento nas doutrinas secretas de uma antiga irmandade, que vê nele a esperança de realização de um plano urdido há séculos. Ecos de profecias ancestrais também o cercam entre os nativos de Arrakis. Seria ele o eleito que tornaria viáveis seus sonhos e planos ocultos? 

Frank Hebert nasceu em Tacoma, no estado estadunidense de Washington, em 1920, e faleceu em 1986 aos 65 anos de idade. Hebert foi um grande escritor, além de jornalista  de renome e crítica. Ele escreveu dezenas de romances de ficção, vários contos, artigos para jornais e revistas e alguns livros de não-ficção. Seu interesse por ficção científica surgiu depois da faculdade, já casado, lendo romances do gênero nos anos de 1950, quando começou a escrever contos. Seu primeiro livro publicado foi "The Dragon in the Sea", de 1955. Quatro anos depois, começou a trabalhar nos esboços de Duna, o qual só veria a ser publicado seis anos depois, em 1965. O livro foi um grande sucesso de público e crítica já em seu lançamento, ganhando o Prêmio Nebula naquele ano e o Prêmio Hugo em 1966.

Frank Hebert deu continuidade à saga de Duna com os livros: O Messias de Duna, Os Filhos de Duna, O Imperador Deus de Duna, Os Hereges de Duna e as Herdeiras de Duna, entre os anos de 1970 e 1986. A Editora Aleph, atual detentora dos direitos autorais da série para a língua portuguesa, vem relançando Duna e os dois subsequentes da série nos últimos anos. Os demais livros foram editados pela Editora Nova Fronteira, nos anos 1980 e 1990, com suas edições há muito esgotadas.

Até os dias de hoje, Duna só é comparado, pelos fãs, críticos e outros autores de ficção científica, à obra de R.R. Tolkein. E ao ler o livro você percebe porque a comparação é meritória.

Duna é um livro de ficção científica considerado original e único. Sua originalidade e profundidade de elementos cênicos e sua riqueza de personagens atraiu o olhar apurado do diretor cinematográfico David Lynch - que, entre outras coisas, também é músico, roteirista, produtor, roteirista e artista visual - e do produtor italiano Dino de Laurentiis - responsável por filmes como Sérpico, Os Três Dias do Condor, Conan - O Bárbaro, Hannibal, entre outros. Duna, o filme, foi lançado em 1984, com um grande elenco nos papéis principais: Sean Young, Vergínia Madsen, Jürgen Prochnow, o cantor Sting, Patrick Stwart, entre outros. Na ocasião, a pretensão do diretor era fazer uma saga à altura de Star Wars. O filme, com uma produção esmerada, foi muito elogiado e  indicado ao Oscar como filme na categoria som; porém ganhou os prêmios de Melhor Efeitos Especiais e de Maquiagem no Academy of Science Fiction & Horror Films.

É no início que se deve tomar, com máxima delicadeza, o cuidado de dar às coisas sua devida proporção. Disso toda irmã Bene Gesserit sabe. Portanto, para começar a estudar a vida de Muad'Dib, tome o cuidado de primeiro situá-lo em sua época: nascido no quinquagésimo sétimo ano do imperador padixá Shaddam IV. E tome o cuidado mais do que especial de colocar Muad'Dib em seu devido lugar: o planeta Arrakis. Não se deixe enganar pelo fato de de que ele nasceu em Caladan e ali viveu até os seus quinze anos. Arrakis, o planeta conhecido como Duna, será sem pre o lugar dele. - Excerto do Manual de Muad'Dib. Da princesa Irulan.

Agora, indo direto ao ponto. Tudo o que eu disse acima foi necessário, pois Duna não é um livro qualquer. Afinal de contas, ele é um senhor de 50 anos que merece toda a nossa atenção e respeito. E tudo o que se disser sobre esse livro ainda não será suficiente; ainda mais se você gosta de sci-fi e fantasia. Considere a sua leitura como obrigatória.

Duna é um grande romance de sci-fi, com muita aventura, ação e fantasia, também. Os cenários são interplanetários, e se passam em quatro planetas distintos: Kaitain, sede do império do universo; Giedi Prime, sede da dinastia Harkonnen; Caladan, sede da dinastia Atreides; e Arrakis, onde está a Especiaria e os lendários nativos do planeta. Dividido em três tópicos principais, ou livros - Duna, Muad'Dib e O Profeta -, a trama engloba temas relacionados à política, ecologia, religião, misticismo, nomadismo, além de nos conduzir por uma aventura repleta de traições, fanatismo radical, amor, renúncia e amizade.

Eu poderia falar das centenas de coisas legais e interessantes que contém o livro. Duna possui um universo tão rico e cheio de meandros, que é impossível comentar sobre cada um dos seus múltiplos e profundos aspectos em uma resenha, até aqui já enorme, sem escrever um outro livro. As naves, armas, os modos de luta, os poderes de telepatia, os vermes de areia, o povo nômade e místico de Arrakis, os exploradores de especiarias, os navegadores da Corporação, entre muitas outras coisas, são o que há de mais criativo em um livro do gênero. Lendo-o, percebi que muita gente bebeu eu suas águas, ou especiarias. Algumas comparações com Star Wars foram inevitáveis. George Lucas, certamente, leu Duna bem antes de pensar em escrever e dirigir o Episódio 4 da sua saga intergalática, de 1977.

As Bene Geserittis são uma ordem de místicas-religiosas que possuem o dom da telepatia, com um poder de influência política até na sede do império; os Atreides são o clã que detém a exploração da especiaria em Arrakis, e tem em Paul Artreides, filho de Leto e Jéssica Atreides, a sua melhor promessa de continuidade nos negócios da dinastia; os Harkonnen são um clã cujo líder, Vladmir Harkonnen, é um monstro sanguinário que jurou destruir a casa Atreides e tomar posse de seu planeta e da exploração de especiaria; o imperador Shaddan IV é volúvel e dança conforme a música, facilmente influenciado pelas Bene Geserittis, além dos líderes da Corporação dos Navegadores; os navegadores são criaturas monstruosas que vivem em recipientes cheios de especiaria, a qual  usam para pilotar as espaçonaves e fazê-las transpor o espaço-tempo numa espécie de dobra do universo, como se sumissem aqui e aparecessem ali, sem se deslocar realmente; a especiaria, por sua vez, é a espinha dorsal da trama, pois quem controla o comércio da especiaria tem um poder imenso, podendo influir nas decisões do Império; e como a especiaria está em Arrakis, ali também está o povo nômade e místico que acredita que um guerreiro chamado Muad'Dib, uma espécie de messias, surgirá em Arrakis para acabar com a produção de especiarias e devolver o planeta à sua legítima natureza. Mas o verdadeiro Muab'Dib só seria reconhecido como tal se fosse capaz de dominar e cavalgar um verme de areia... Ufa! E olha que isso é apenas uma pequena fração do que você vai encontrar em Duna.

Um ponto relevante no trabalho de Frank Hebert diz respeito a descrição da viagem intergalática das naves em seu livro. O conceito das naves transpondo o espaço-tempo, ou seja, as três dimensões do espaço e a dimensão tempo, as quatro dimensões para adentrar numa quinta dimensão, a dobra espacial – conceito esse também visto e explorado em Star Trek na série de TV, que foi ao ar em 1966, na ocasião que o livro foi publicado -, e, considerando-se que a maioria dos físicos, nos dias de hoje, já consideram que a única forma de se viajar longas distâncias no universo seria através de uma quinta dimensão, ou dobra espaço-temporal, nos faz concluir que Frank Hebert antecipou em cinquenta esse conceito, entre outros contidos no livro.

O outro aspecto interessante é que, assim como Tolkein foi beber nas lendas nórdicas para compor O Senhor dos Anéis, Frank Hebert inspirou-se profundamente nos costumes e religiosidade dos árabes e beduínos do Oriente Médio para tecer a saga de Duna.

Por essas e muitas outras, Duna é um daqueles livros que nos dá satisfação e prazer da leitura. A saga do Muad'Dib é apaixonante e me prendeu a atenção do começo ao fim. Me apaixonei tanto pelo livro que estou ansiosa para ler as continuações. E se aqui pudesse fazer um apelo à Editora Aleph, seria para que eles republicassem os outros livros da série. Esse maravilhoso trabalho de um grande escritor como foi Frank Hebert merece ser conhecido e reconhecido pelos fãs de sci-fi e fantasia no Brasil. Eu o considero nota dez e recomendo muito sua leitura!

Comentários via Facebook

3 Comentários:

  1. Olá,
    Não é o meu estilo de leitura, mas, pela sua resenha, ficou claro que o autor foi muito esforçado, fez várias pesquisas para escrever a obra.
    Ótima resenha. Beijos!

    http://ymaia.blogspot.com.br/

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  2. Oi Livy :)
    Que ótima resenha. Não conhecia esse livro, ou pelo menos não me lembro de ter visto sobre ele, mas me pareceu ser muito interessante. Adorei.

    Beijos, Vanessa.
    This Adorable Thing
    http://thisadorablething.blogspot.com.br/

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  3. Oie Livy =)

    Não conhecia o livro, mas só pelas referencias que você citou já fiquei bastante curiosa.
    Mais um que vai para minha infinita lista rs...

    Ótima resenha!

    Beijos;***

    Ane Reis.
    mydearlibrary | Livros, divagações e outras histórias...
    @mydearlibrary


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