Mangá Só Você Pode Ouvir

13 maio 2015
Postado por Livy


Amo mangá! E a cada dia que passa meu amor pelas publicações da JBC só aumenta. Quando vi o lançamento de Só Você Pode Ouvir, fiquei muito curiosa para conferir a história, que parecia tocante. O melhor é que este é um volume único (no momento tenho dado preferência para mangás assim), e já comprei vários que logo serão resenhados e indicados aqui.

Consegue me ouvir? A minha voz... pode ser ouvida por você?

Mas, falando de Só Você Pode Ouvir, se tem uma palavra que pode definir com perfeição este mangá é solidão. Li todo ele com um sentimento de abandono e solidão, e terminei-o com a mesma sensação, além de estar com o coração apertado. Terminei a leitura com um sentimento de fatalidade, do inevitável, de conformidade... e de esperança. E sentindo todo o peso do silêncio que ecoa dentro de mim. É uma leitura bem densa e tocante, e me fez refletir bastante sobre como é estar sozinho e não ter ninguém com quem contar ou se abrir e conversar, e sobre as falsas e vazias palavras que as pessoas soltam sem ao menos pensar.


Só Você Pode Ouvir é a história de Ryo, uma garota com muita dificuldade de se comunicar com seus colegas de classe, e que queria muito ter um telefone celular, já que todos têm um. O desejo é tão forte que ela começa a imaginar como seria seu “celular dos sonhos” em todos os detalhes. Até que ela se imagina fazendo uma ligação pelo celular imaginário. Mas alguém atende. Tem uma pessoa do outro lado da linha! 

Escrito por Hiro Kyohara (mesmo autor de Another e Tsumitsuki), este mangá adaptado de um conto do escritor Otsuichi também traz sua arte, com traços limpos e primorosos. Eu fiquei simplesmente apaixonada pelos belíssimos traços, fortes e marcantes, que trazem ainda mais sentimento e profundidade para a história de Só Você Pode Ouvir.


Quem lê a sinopse pode imaginar que trata-se de uma história sobre diferenças sociais, sobre o fato de não se ter um celular e não fazer parte da geração da tecnologia em que vivemos. Não, não estamos falando sobre não se ter um smartphone, ou não se ter dinheiro para comprar um. Não estamos falando de uma garota que se sente deslocada por não ter um celular. Estamos falando do sentimento de se sentir deslocada por estar só mesmo em meio a tantas pessoas. De não se ter alguém para lhe ouvir, para se abrir, para compartilhar os sentimentos, para lhe entender. Alguém que ouça de verdade a sua voz e compreenda seu silêncio. 

Ryo Aihara é uma colegial que enfrenta muitos problemas. Ela deseja ter um celular, deseja mesmo! Ela até mesmo imagina como o seu seria e como seria seu toque ao receber uma ligação. Mas, para que ter um celular se não se tem com quem falar? Ela é uma garota solitária. Não tem amigos, não consegue socializar, é insegura e vive reclusa dentro de si. Não consegue falar bem em público e não gosta do som da própria voz. Até que ela ouve dentro de sua cabeça um toque de celular e descobre que é o mesmo que ela imaginou para o seu celular imaginário. O som estava em sua mente, mas ninguém mais podia ouvir. A ligação era de Shinya Nozaki


Shinya também é um garoto solitário. Ele gosta de consertar coisas quebradas e abandonadas, que aos olhos de outras pessoas podem não ter conserto ou solução, mas que para ele tem. Ele também não tem amigos. Mas em meio à estranha descoberta de que ambos podiam ouvir a voz um do outro, telepaticamente, com um celular que só existia em suas mentes, Ryo e Shinya desenvolvem uma amizade que vai transpor as barreiras da distância e do tempo.


Aos poucos ambos vão se abrindo um para o outro e se ajudando. Encontram nesta amizade o apoio e empatia que tanto ansiavam e desejavam. Se tornam o refúgio um do outro. Um porto seguro. Mesmo morando em cidades diferentes e tendo uma hora no tempo os separando, sua relação vai se fortalecendo e ambos se entregam ao calor de se ter alguém que se importe, alguém que está lá do outro lado esperando apenas para ouvir sua voz. Alguém que entenda! Shinya, principalmente, ajuda Ryo a encontrar sua voz e a gostar do som dela. Ajuda a garota a descobrir seu amor-próprio e a perceber que mesmo quando tudo parece perdido e que estamos sozinhos, ainda há esperança e solução. O garoto que adora consertar coisas acaba consertando o coração ferido de Ryo, e Ryo se torna muito importante para Shinya. 


Este é uma mangá tocante e sensível que fala, como já disse anteriormente, sobre solidão. Mas, é mais que isso. Sua história toca mais fundo e traz uma reflexão muito maior. Quando estamos na fase transitória da adolescência e estudos, e estamos sozinhos e não temos amigos, tudo parece mais difícil e distante. Nem todos passam ou passaram por isso, estar sozinho e não ter amigos ou apoio, então podem não ter empatia pela situação. Mas creio que todo mundo já teve ou tem o seu silêncio: aquilo que não divide ou consegue compartilhar com ninguém, mas que machuca profundamente. E eu fico me perguntando: será que em algum lugar do mundo, alguém pode ouvir meu silêncio? Será que alguém pode ouvir minha voz? 

Esta relação de Ryo e Shinya poderem ouvir a voz um do outro vai além da compreensão. Não, não há explicação para como isso é possível, mas esta conexão acontece pelo fato de ambos serem iguais. O fato de ouvirem um ao outro significa isso. Você já teve a sensação ou já encontrou alguém que "realmente te ouve"? Sabe, aquela pessoa que é igual a você e que te compreende?


Uma das frases que me marcou ao ler este mangá é justamente esta: o das palavras vazias. Sabe aquela coisa de a pessoa sorrir na sua frente e lhe "dar uma facada" por trás? É mais ou menos isso. O fato das pessoas serem fúteis e se preocuparem com aparência. Um dos motivos por Ryo ser tão solitária é justamente não confiar, ser insegura e ter medo de se machucar. Ela tem medo de ser julgada, do que os outros pensam, do que os outros falam. E quem já não passou por isso? 

É triste não ter com quem conversar ou se abrir, e Ryo sente isso na pele todos os dias. É difícil se sentir deslocadae excluída. Não é que ela seja esquisita, ela apenas não se "encaixa". Não se sente à vontade socializando e por isso se fecha para o mundo. Ela perde o gosto por falar e pega raiva de sua própria voz por não ver motivos para falar. Este é seu silêncio, que grita dentro dela: a solidão. 


Quando somos mais jovens sempre passamos por muita angústia e incertezas sobre o amanhã. Assim como sofremos com a insegurança de nossas ações e decisões. Será que estamos seguindo o caminho certo? Ryo passa por toda esta situação e não tem todas as respostas, mas encontra em Shinya um reflexo, um sentimento verdadeiro, um eco de seu próprio eu. Ela encontra sua voz e percebe que tudo passa, mesmo que pareça difícil. 

Só Você Pode Ouvir traz uma história emocionante que culmina em um final tocante e inesperado. É um manga que me faz refletir e me tocou muito, e terminei de ler com o coração apertado no peito. Traz uma história que tem seu foco não apenas na solidão, mas no relacionamento e amizade, e que fala sobre amadurecimento, aceitação, amor-próprio, tempo, altruísmo e se doar por quem amamos e queremos bem. Ainda agora paro e fico refletindo sobre esta história, e é difícil explicar o que ela traz, pois é recheada de sentimentos que precisam ser sentidos, mais do que compreendidos. Sim, é um belo mangá que com certeza vale a pena ser lido (e sentido). 

Título Original: Kiminishika Kikoenai | Ano 2014 |  200 Páginas | Editora JBC | Arte e Adaptação por Hiro Kiyohara | História original por Otsuichi | Valor: R$ 13,90 | Volume Único
Classificação: ♥♥♥ 

Comentários via Facebook

10 Comentários:

  1. Eu quero! <3
    Adoro mangá e esse eu achei muito interessante.

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  2. Preciso dizer que é perfeito e que já quero? Não né? Ok u.ú
    Amei *O*, sabe que eu já tinha ouvido falar mas nunca tinha visto a capa nem os traços nem nada?
    Achei incrivel mesmo *O*
    Ótimo post Livy-chan o/

    http://meubaudeestrelas.blogspot.com.br/

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  3. Olá Livy,
    Fiquei emocionada com sua resenha :)
    Li alguns mangás, mas nenhum chamou minha atenção quanto esse, já vou adicionar na minha lista. Adorei a resenha. Beijos.


    http://www.adorkable.com.br/2015/04/resenha-um-porto-seguro.html

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  4. Olá Livy,
    Fiquei emocionada com sua resenha :)
    Li alguns mangás, mas nenhum chamou minha atenção quanto esse, já vou adicionar na minha lista. Adorei a resenha. Beijos.


    http://www.adorkable.com.br/2015/04/resenha-um-porto-seguro.html

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  5. Eu li Tsumitsuki e assisti o anime another. Acho que é uma característica do autor escrever coisas mais densas, dramáticas e fazer o leitor sentir a mesma coisa que os personagens. Eu mesma quando li tsumitsuki fiquei com o coração apertado e uma sensação ruim. Sabe quando você lê uma coisa e fica mal? Foi assim.

    Mas estou super afim de ler esse novo mangá. Parece ser bem tocante e um pouco menos tenso que tsumtsuki. Acho que vou me identificar bastante com a Ryo, já que em muitos momentos me sinto só e não tenho muito para quem me abrir.

    E o outro motivo para ler é: volume único. Como não amar? hahaha

    Beijos!
    http://www.prateleiracolorida.com.br/

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  6. Oie Livy =)

    Ahhh! Já quero esse mangá *-*
    A história parece ser tãooo linda! Não sei se você já leu o 1 Livros de Lagrimas, é lindo também t.t

    Beijos e um ótimo final de semana;***

    Ane Reis.
    mydearlibrary | Livros, divagações e outras histórias...
    @mydearlibrary

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  7. Olá Livy,
    Que história linda, é realmente tocante.
    Você conseguiu descrever toda a magia do mangá na sua resenha, com uma docilidade. Incrível.
    É um mangá para ler e passar adiante, para famílias e amigos.
    Beijos.

    http://www.leituradelua.com

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  8. Oie Livy,

    Nossa q lindo que esse mangá parece ser.
    Vou colocar na minha lista no skoob.

    Livy você já leu ou assistiu Death Note?






    colecionandohistor.wix.com/colecionandohistoria

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  9. Alguém Sabe onde eu acho esse mangá para ler online?

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