[Resenha] República de Ladrões, de Scott Lynch

27 junho 2015
Postado por Livy

Livro cedido pela editora para resenha
ISBN: 9788580413915
Tradução: Alves Calado
Ano de Lançamento: 2015
Número de Páginas: 544
Editora: Arqueiro
Classificação: ♥♥♥♥ 
Envenenado e à beira da morte, Locke Lamora segue para o norte com seu parceiro, Jean Tannen, em busca de refúgio e de um alquimista para curá-lo. Porém, a verdade é que ninguém pode salvá-lo. Com a sorte, o dinheiro e a esperança esgotados, os Nobres Vigaristas recebem uma oferta de seus arquirrivais, os Magos-Servidores. As eleições do conselho dos magos se aproximam e as facções precisam de alguém para fazer o trabalho sujo, manipulando votos. Se Locke aceitar, o veneno será purgado de seu corpo com o uso de magia – mas o processo será tão excruciante que ele vai desejar morrer. Locke acaba cedendo ao saber que o partido da oposição contará com uma mulher do seu passado: Sabeta Belacoros, a única pessoa capaz de se igualar a ele nas habilidades criminosas e mandar em seu coração. Novamente em uma disputa para ver quem é o mais inteligente, Locke precisa se decidir entre enfrentar Sabeta ou cortejá-la, e a vida dos dois pode depender dessa decisão. 

“Coloque dez dúzias de ladrões órfãos numa toca úmida feita de abobadas e túneis embaixo do que antes havia sido um cemitério, deixe-os sob a supervisão de um velho parcialmente aleijado e logo você descobrirá que controlá-los se torna um negócio delicado.”

Assim começa a terceira parte da saga dos Mestres Vigaristas, iniciada com As Mentiras de Locke Lamora, e seguido por Mares de Sangue, já editados pela Editora Arqueiro e já resenhados no blog.

República de Ladrões é basicamente dois livros em um. Inicia-se, como vimos acima, contando as peripécias de Locke Lamora quando ele era apenas um pirralho lutando pela vida nos bairros sórdidos de Camorr, e encontra a sua paixão, Sabeta. A narrativa se desenrola no passado dos jovens e nobres vigaristas, desde a sua infância até a adolescência, mostrando novas facetas da trupe de ladrões sob a tutela do Padre Correntes. O foco principal aqui é a interação de Locke com Sabeta, suas constantes disputas pelo primeiro lugar entre os vigaristas. Isso, obviamente, irá ter um reflexo muito grande nos acontecimentos no futuro.

E é aí que entra a segunda parte da história, quando Locke e Jean Tannem estão em Lashane, adultos, e Locke está morrendo envenenado. Tannem faz de tudo para salvar a vida do companheiro, mas a cura surge de forma inusitada e das mãos de alguém que eles nem mesmo esperavam. E isso os obrigará – sem nenhuma escolha, obviamente -  a seguir de navio para Kartane, a terra dos Magos Servidores. E nessa parte da trama, vamos conhecer mais intimamente os magos servidores e seu modo de vida, além de outros personagens interessantes na companhia de Locke e Jean, cada vez mais com uma língua ferina.

As duas partes, passado e presente de Locke Lamora e Sabeta, são contados em sequência; ou seja, num capítulo Scott nos leva ao passado e aos acontecimentos que irão influenciar nas decisões no futuro, e no seguinte ele nos transporta para o momento presente, onde Locke e Jean precisam ajudar um grupo de magos servidores a trapacear no complexo sistema eleitoral de Kartane dos Cinco Anos.
E para conseguir realizar os desejos de seus contratantes, sem serem mortos, Locke e Jean serão capazes de tudo, inclusive disputar contra o grupo rival liderado por nada menos do que Sabeta.

“Ótimo, agora preciso de uma cerveja antes de ficar assado como uma torta.”

O ponto alto desse livro é sem dúvida alguma a paixão e a rivalidade entre Locke e Sabeta. O resto nada mais é do que um pano de fundo em um palco, onde os dois exercitam a sua arte de trapacear. Claro que podemos contar com novos personagens e situações interessantes, que na maioria das vezes farão Locke Lamora se arrepender de se meter onde não devia. Mas isso já é uma sina recorrente entre ele e Jean.

Apesar da excelente narrativa de Scott Lynch, dos nobres vigaristas, das novas localidades, dos novos personagens e situações por eles vividos, República dos Ladrões tem uma trama mediana e não me empolgou tanto quanto os dois livros anteriores. Achei-o um tanto quanto enfadonho em alguns momentos, com diálogos desnecessários e irrelevantes para o desempenho da narrativa. Os golpes aplicados pelos nobres vigaristas também não são impactantes tanto quanto vimos nas obras anteriores. Nesse quesito, ficou a desejar. Para completar, não gostei de Sabeta; achei-a tão chata quanto os palavrões que Locke soltou ao longo de todo o livro.

“Você vai morrer por causa disso – sibilou o serviçal. - Eles vão arrancar a sua pele e fervê-lo em água salgada.”

Os momentos finais da narrativa é impactante e dramático, pois une os acontecimentos do passado com os do momento presente. E para coroar o bolo com uma cereja, Scott Lynch traz de volta o Falcoeiro. Para quem já leu os livros anteriores, lembram-se dele em As Mentiras de Locke Lamora? E além disso, Locke vai descobrir um grande segredo a respeito de si mesmo e do seu passado, que provavelmente terá desdobramentos no próximo episódio da saga: O Espinho de Emberlane. Só esses dois aspectos da trama, mais a disputa de Locke com Sabeta, e toda a parte infantil e adolescente dos Nobres Vigaristas, já garante a leitura.

Eu sou fã dessa série e, apesar dos pontos que me desagradaram nesse novo livro, continuo recomendando os Nobres Vigaristas pela alta qualidade da escrita criativa de Scott Lynch. Sem sombra de dúvida essa saga é uma das mais criativas e originais histórias de fantasia já publicada nos últimos tempos. E finalizando, adorei essa capa do livro.

Se você já leu As Mentiras de Locke Lamora e Mares de Sangue, obrigatoriamente deve ler República de Ladrões. Se ainda não leu, faça-o antes de ler esse livro. Porque Scott Lynch, certamente, nos reserva para O Espinho de Emberlane...

“O longo e sangrento trabalho à frente.”

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Comentários via Facebook

6 Comentários:

  1. Livy, assim como você eu também gostei mais dos volumes anteriores, e acho que o próximo livro da série provavelmente será melhor que este.

    bomlivro1811.blogspot.com.br

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  2. Olá, Livy.
    Ainda não li nenhum dos livros da série, mas todos me parecem muito bons, principalmente porque Locke, o protagonista, não é exatamente um mocinho. E eu adoro livros assim. Com certeza lerei.

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  3. Oi Livy!
    Até agora, só li o primeiro livro da série o.O
    Que vergonha! Preciso continuar a leitura \o/
    Bjks!
    http://www.historias-semfim.com/

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  4. Adorei seu blog, muito criativo e inspirador!
    Se puder dá uma olhada no meu eu agradeço, to começando agora:
    https://blogatall.wordpress.com/

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  5. Oi!
    Adorei a resenha, to com muita vontade de ler essa série.
    Abraço,
    Leitura Fora De Série

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  6. Eu acabei de ler Republica de Ladrões e não me arrependo em nada de começar a ler as desventuras dos Nobres Vigaristas, lembro que comprei o primeiro livro da série (As Mentiras de Locke Lamora) por que adorei a capa, mas, não fiquei só na capa, adorei a escrita, apesar de achar excessivo a quantidade de palavões, o que não desmerece em nada a leitura.
    Uma das coisas que eu mais gosto nos livros do Scott Lynch, é a capacidade dele nos mostrar o presente e o passado tão interligados. Adoro saber o que se passou na vida dos personagens, o que os levou a tomar determinado caminho.

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