[Resenha] Joyland, de Stephen King

29 julho 2015
Postado por Livy

Livro cedido pela editora para resenha
ISBN: 9788581052984
Tradução: Regiane Winarski
Ano de Lançamento: 2015
Número de Páginas: 240
Editora: Suma de Letras
Classificação: ♥♥♥♥ 
Carolina do Norte, 1973. O universitário Devin Jones começa um trabalho temporário no parque Joyland, esperando esquecer a namorada que partiu seu coração. Mas é outra garota que acaba mudando seu mundo para sempre: a vítima de um serial killer. Linda Grey foi morta no parque há anos, e diz a lenda que seu espírito ainda assombra o trem fantasma. Não demora para que Devin embarque em sua própria investigação, tentando juntar as pontas soltas do caso. O assassino ainda está à solta, mas o espírito de Linda precisa ser libertado — e para isso Dev conta com a ajuda de Mike, um menino com um dom especial e uma doença séria. O destino de uma criança e a realidade sombria da vida vêm à tona neste eletrizante mistério sobre amar e perder, sobre crescer e envelhecer — e sobre aqueles que sequer tiveram a chance de passar por essas experiências porque a morte lhes chegou cedo demais.

Joyland foi editado pela HCC, Hard Case Crime, que é uma marca norte-americana criada para publicações de livros policiais no estilo de romances noir das décadas de 1940-1950. Nessa série de livros, que já conta com mais de cem livros publicados desde 2004, entre novas edições e relançamentos, Stephen King figura com dois livros: The Colorado Kid (2005) e Joyland (2013).

Segundo Setphen King menciona, em uma entrevista concedida ao programa Fresh Air da Rádio Pública Nacional (RPN), a ideia de escrever Joyland surgiu quando ele viu um garoto em uma cadeira de rodas empinando a imagem de Jesus estampada numa pipa, em uma praia, cerca de vinte anos antes do lançamento do livro.

Quanto ao parque de diversões, segundo o autor, Joyland foi inspirado em um parque que existe em Salem, em New Hampshire. Por conta disso, alguns fãs e críticos do autor alegam que a sua ambientação de parque de diversão para Joyland não é fidedigna; ou seja, a forma como um parque de diversões funciona não está descrita corretamente no livro. A isso o King responde na "Nota do Autor", à página 239 do livro: “Pessoal, é por isso que se chama ficção.”

Por outro lado, se Stephen King não se deu ao trabalho de recriar nos mínimos detalhes o funcionamento de um parque de diversões  – pelo que fico muito agradecida, pois isso teria adicionado uma centena de páginas extras à leitura que, sinceramente, seria desnecessário –, ele, igualmente, não se preocupou em aprofundar o suspense sobrenatural e o mistério policial no livro.

Bem, não que o sobrenatural e o mistério policial não existam em Joyland. Pelo contrário, eles existem. No entanto, o drama e o excelente desenvolvimento das personagens acaba por eclipsar, ou relegar em segundo plano, esses dois aspectos essências da trama que quase passam despercebidos no decorrer da leitura.

A meu ver, é aí que Joyland fica a desejar, desmerecendo a belíssima capa em estilo dos filmes noir de suspense e terror dos anos 1950. Como thriller de suspense policial com assassinatos de serial killer num parque de diversões, com um toque sobrenatural fazendo uma das vítimas assombrar o parque, o livro é regular, para não dizer decepcionante.

Afora isso, Joyland é uma história muito bem escrita, com momentos emocionantes, ótima empatia, boa ambientação dos anos 1970, história divertida em certos momentos, ousada em outros, com bom aprofundamento do drama pessoal de algumas das personagens que giram ao redor de Devin Jones. Como drama que envolve o rapaz Devin Jones, o garoto Mike na cadeira de rodas e sua pipa, e sua mãe, Annie Ross, além de outros bons personagens igualmente carismáticos (aos quais King dedica uma rica construção de personalidade), o livro é excelente.

Devin Jones é o típico bom moço que, aos vinte anos, se torna o queridinho de Joyland. Dev é aquele tipo de cara que você quer ter como amigo, namorado, marido e genro. É carismático, afetuoso, sincero, bom trabalhador, inteligente, amoroso, entre outros predicados mais. Além de aprender a fazer amizade com uma rapidez incrível, também aprende os ofícios que lhe ensinam na mesma velocidade, e ainda encontra tempo para salvar algumas pessoas da morte e investigar um misterioso assassino que tem rondado o parque. De quebra, afeiçoa-se por Mike e sua mãe, e traça com o garoto na cadeira de rodas uma linha de afinidade que poderá ser a salvação de Joyland.

Apesar do carisma e do esforço de Dev para desvendar o mistério por trás do fantasma da garota Linda Grey, que assombra o Trem Fantasma do parque, e descobrir quem é o serial killer que ronda Joyland, eu esperava um pouco mais de Stephen King, bem mais, muito mais, por já ter lido alguns dos seus ótimos livros: O Iluminado, Escuridão Total Sem Estrelas, Doutor Sono, Novembro de 63, entre outros.

Apesar de um pouco decepcionada, Joyland me agradou bastante como um drama gostoso de ler, com ótimos personagens, aquele jeitinho especial que King tem de construir personalidades carismáticas e dramáticas, além de valorizar a amizade e os sentimentos humanos na narrativa. O final também me agradou bastante.

Por essas e outras, acredito que Joyland é um dos livros mais lights de Stephen King que eu já li, em termos de suspense e terror, mas, por outro lado, é uma narrativa que vai agradar todos os leitores pela sua simplicidade e pelo seu teor humano. Como não poderia deixar de ser, mesmo não sendo o melhor livro de Stephen King, ainda assim é um bom livro para quem procura algo mais leve e não voltado para o terror pelo qual o autor é tão conhecido e querido. Ótima dica para quem quer começar a ler Stephen King por algo mais neutro. 

Comentários via Facebook

11 Comentários:

  1. Também achei que se fosse mais aprofundado o suspense sobrenatural e o mistério policial o livro seria melhor, talvez até ficaria entre os melhores livros do mestre. O final também gostei, achei muito satisfatório. O King é tão bom, que mesmo Joyland estando entre os livros que menos gostei dele, de 16 que li, ainda acho um livro muito bom !

    bomlivro1811.blogspot.com.br

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  2. Eu tenho vontade de ler os livros do Stephen mas tenho medo deles serem muito macabros. Esse parece ser ótimo para conhecer a escrita do autor. Pelo jeito está mais leve e ai eu não morro de medo lendo, hahaha. E que pena que não foi tão bom igual aos outros para você. :( É ruim quando a gente deposita nossas expectativas no livro de um autor que a gente já conhece e acaba se decepcionando depois. </3

    Beijos!
    http://www.prateleiracolorida.com.br/

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    1. Oi Beatriz! Leia Sob a Redoma do Stephen King... Ele não é de terror. Tem algumas partes mais fortes, mas nada que cause medo, assim você conhece a escrita do Mestre e não fica traumatizada...rsrs... E o livro Sob a Redoma é maravilhoso, difícil parar de ler depois que começa. :D Beijosss...

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    2. Leia 'Salem e tenha muito medo!

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  3. Oi Livy!
    Nunca li nada do autor e me interessei pelo enredo deste livro, deve ser uma ótima dica apesar de ter deixado a desejar em alguns pontos. :)
    beijos ♥
    nuclear--story.blogspot.com | Participe do sorteio

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  4. Nossa, jura que Joyland te decepcionou assim? :( já li alguns livros do SK também, mas sinceramente esse é o primeiro que a capa e a sinopse realmente me deixaram na vontade de ler, e é uma pena saber que não seja uma obra tão boa quanto as outras. Maas, ainda assim vou acabar lendo um dia, tenho certeza haha sua resenha ficou ótima, muito bem explicada, e a sinceridade é sempre um ponto positivo pra deixar outros leitores em alerta

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br
    Tá rolando promoção de 'Billy e Eu' lá no blog, vem conferir!

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  5. Ele é realmente aficionado por Salem! Por acaso ele nasceu lá, ou foi criado, ou os dois? Acho que vou pesquisar isso... O único livro que li dele foi Salem, e não gostei :/ Enfim... Acho que ele não é bom quando coloca essa cidade como pano de fundo xP

    Beijos!
    Quero ver a decoração do seu quarto!! Deve de ter ficado linda com estas fotos, tenho um aparelho chamado LG Pocket Photo que imprimi fotos mais ou menos assim, mas bem pequeninas. Pena que soube desta loja só agora que já estou a ir embora :(

    beijinhos!
    Dia de Alice

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  6. Não sabia do que se tratava esse livro, apenas que tinha uma capa linda e que era de um autor que eu preciso ler ainda! haushu' Mas sua resenha clareou bem sobre a história do livro e como ela é abordada. Pensei que teria um terror bem macabro mesmo, mas apenas pensei isso por conta da capa, não sei bem porquê. Acredito que gostaria de ler esse livro dele por conter uma história mais leve. Mas já comecei a ler Escuridão Total Sem Estrelas e espero terminá-la em breve <3

    Beijos
    http://mon-autre.blogspot.com.br/

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  7. Oi Livi tudo bem? Não custume ler nada do Stphen King, mas uma das minhas metas para este ano é sair um pouco da minha zona de conforto, por isso baixei a névoa no meu kobo! Espero tomar gosto ^^

    Beijos,
    Joi Cardoso
    Estante Diagonal

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  8. Oi !! Nunca li um livro desse autor mas fiquei muito interessada.
    Tenho um blog e se você puder dar uma olhadinha por la agradeceria mto ;)
    Www.apenasumminutomais.wordpress.com

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  9. Adorei a resenha, parabéns! Eu gosto muito dos livros do Stepen, já li alguns menos conhecidos e esse eu ainda não conhecia. Bem, ele tem muitos livros, né. Acredito que eu leria o livro apenas por ser do Stephen, por que não me senti muito atraída pelo livro não. Você poderia fazer um post com os melhores livros dele, eu amaria de paixão! <3 Segui seu blog viu! Não vou perder mais nenhuma resenha.
    Sinta-se à vontade para visitar meu blog, adoraria vê-la por lá. Um enorme beijo.
    http://palavrasambulantes.blogspot.com.br/

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