[Resenha] Os Filhos de Odin, de Padraic Colum

07 julho 2015
Postado por Livy

Livro cedido pela editora para resenha
ISBN: 9788567028569
Tradução: Santiago Nazarin
Ano de Lançamento: 2015
Número de Páginas: 224
Editora: Única Editora
Classificação: ♥♥♥
Antes de o tempo como nós o conhecemos começar, deuses e deusas viveram na cidade de Asgard, que significa Local dos Deuses. Uma era de mágica, quando seres míticos podiam usar seus poderes e definir os caminhos do futuro, e proteger o mundo. Entre as cruzadas de Odin para encontrar a sabedoria necessária para salvar o mundo, os feitos incríveis de Thor e seu martelo e as travessuras de Loki, o agente do bem e do mal, Padraic Colum reconta as sagas nórdicas revelando o tempo em que a magia, os poderes e as maravilhas fantásticas corriam pelo universo.

Padraic Colum nasceu no condado de Longford, no norte da Inglaterra, em 1881, e faleceu em 1972. Ao longo de sua vida foi escritor, poeta, dramaturgo, biógrafo e grande estudioso do folclore irlandês. Segundo os críticos de sua obra, foi o autor responsável pela Renascença Céltica. Iniciou sua carreira como escritor escrevendo peças teatrais. The Saxon Shillin foi sua primeira peça, de 1902. Em 1907, publicou seu primeiro livro intitulado Wild Earth. Na América, Colum escreveu uma série de livros infantis sobre as lendas e folclores, começando por The King of Ireland's Son (1916). Também escreveu uma série de livros juvenis sobre o folclore havaiano (1922). The Adventure of Odysseus (1918) e Os Filhos de Odin são consideradas as mais importantes obras da literatura folclórica  juvenil.

Os Filhos de Odin (original de 1920) e The Golden Fleece (1924) receberam o prêmio literário Newbery Honor Book. Os Filhos de Odin está pontuado com 4 estrelas, em média, nas principais livrarias online.

Nesses tempos, os Deuses estavam vivos: Odin e Thor, Hödur e Baldur, Tyr e Heimdall, Vidar e Vali, assim como Loki, agente do bem e do mal. E as belas Deusas viviam entre eles; Frigga, Freya, Nanna, Iduna e Sif. Contudo, quando o Sol e a Lua foram destruídos, os Deuses foram destruídos também – todos, exceto Baldur, que havia morrido antes, Vidar e Vali, os filhos de Odin, e Modi e Magni, os filhos de Thor.

Os Filhos de Odin é dividido em cinco partes: Os habitantes de Asgard, O coração da bruxa, Odin – o andarilho, A espada flamejante e o Crepúsculo dos Deuses; subdivididas em diversos capítulos com títulos bem interessantes, como: Como Freya ganhou o seu colar e perdeu o seu amado.

E cada capítulo do livro é um conto, que certamente seria lido e interpretado separadamente, como no folclore. No entanto, Padraic usou sua criatividade literária para colocar os mitos em uma sequência linear, conectados entre si, para compor o livro como se fosse uma história só com múltiplos eventos. Seria o mesmo que montar um grande mosaico de uma paisagem usando diversos caquinhos de porcelana colorida; ou seja, uma verdadeira obra-prima da literatura nórdica.

Mas esse não é o aspecto mais interessante do livro. Dentre os muitos personagens míticos que compõem o panteão de Os Filhos de Odin, Loki é a grande estrela. O deus nórdico é antes de mais nada uma das figuras chaves da obra de Colum. Sem ele, a meu ver, Asgard não seria Asgard. Loki está inserido basicamente em todos os grandes acontecimentos importantes do reino dos deuses nórdicos. Sem ele, por exemplo, Thor não teria conseguido o seu martelo, Freya não teria ganho o seu colar, e Sif, esposa de Thor, não teria ganhado os seus belos cabelos feitos de ouro. Apesar de ser um agente do mal, Loki, dentro de suas maquinações - estando sempre articulando e conspirando contra seu pai e irmãos -, acaba se tornando agente do bem; pois, muitas de suas trapaças e artimanhas, voltadas exclusivamente para seu enriquecimento pessoal, acabam revertendo contra si mesmo e favorecendo os deuses em geral. No fundo, Loki é uma espécie de Mr. Bean dos tempos modernos, de cujas atrapalhadas e maquinações mirabolantes sempre acabam resultando em algo bom.

Um outro ponto interessante do livro é que Padraic Colum nos revela Asgrad e os deuses nórdicos desde os primórdios, contando-nos a sua evolução até o derradeiro fim, e como cada deus adquiriu as suas armas e itens mágicos, bem como a sua personalidade divina. A interação entre deuses e humanos também é interessante, assim como as lutas entre os deuses e as diversas criaturas míticas que compõem o panteão nórdico.

Padraic Colum escreve como se estivesse nos contando uma história ao redor de uma fogueira. Sua narrativa é simples e objetiva, podendo ser lida facilmente por qualquer tipo de leitor, de qualquer idade.

Então Odin, não mais cavalgando Sleipner, seu corcel de oito patas, não mais usando sua armadura dourada e seu elmo de águia, e sem sua lança em mãos, viajou por Midgard, o Mundo dos Homens, e seguiu em direção a Jötunheim, o Reino dos Gigantes. Não mais ele se chamava Odin, Pai de Todos, mas Vegtam, o Errante. Usava um manto azul-escuro e carregava um cajado de viajante nas mãos. E enquanto seguia para o Poço de Mimir, que era perto de Jötunheim, chegou a um Gigante que cavalgava um grande Cervo. Odim parecia um homem para os homens e um gigante para os gigantes. Foi até o Gigante do grande Cervo e os dois conversaram. — Quem é você, irmão? — Odin perguntou ao Gigante.— Sou Vafthrudner, o mais sábio dos Gigantes – respondeu aquele que cavalgava o Cervo.

Bem, essa é apenas uma amostra de sua bela narrativa, rica em mitologia e personagens marcantes, tão fortes e épicos como as lendas nórdicas.

Da minha parte, gostei do livro, principalmente da forma como Padraic escreve, unindo as muitas lendas nórdicas numa única história, que é capaz de agradar não somente os aficionados por livros de fantasia, lendas e folclore, mas, também, os leitores de gibis de heróis e outros afins. Gostei muito da capa caprichada do livro e do layout gráfico. Aliás, eu adoro esse tema nórdico. 

Comentários via Facebook

2 Comentários:

  1. Olá, Livy!
    Apesar do livro não ter o gênero que eu gosto muito, acabei me interessando pelo livro. Sua resenha ficou ótima.
    Comentário fixo:
    Bom,flor, eu acabei me afastando do blog por um tempinho (uns motivos pessoais que já expliquei lá no blog :/) e claro, acabei perdendo muitos leitores, mas agora, voltei com tudo! yupi!!! Seu blog sempre esteve como uns do que eu visitava todos os dias e não quero que isso acabe.. Se puder dá uma passadinha lá e der uma força para meu recomeço, agradeço muito.

    Beijos, Ariane
    www.diariodostreze.blogspot.com <

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  2. OI Livy!
    Nunca li nada com tema nórdico ainda, mas tenho bastante interesse por mitologia. Não conhecia esse livro, mas fiquei bem curiosa.

    Beijos,
    Epílogos e Finais

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