[Resenha] A Rainha Normanda, de Patricia Bracewell

10 julho 2015
Postado por Livy

Livro cedido pela editora para resenha
ISBN: 9788580413779
Série: Emma da Normandia, vol. 1
Tradução: Maria Luíza Newlands
Ano de Lançamento: 2015
Número de Páginas: 400
Editora: Arqueiro
Classificação: ♥♥♥♥ 
Em 1002, Emma da Normandia, uma nobre de apenas 15 anos, atravessa o Mar Estreito para se casar. O homem destinado a ser seu marido é o poderoso rei da Inglaterra, Æthelred II, muito mais velho que ela e já pai de vários filhos. A primeira vez que ela o vê é à porta da catedral, no dia da cerimônia. Assim, de uma hora para outra, Emma se torna parte de uma corte traiçoeira, presa a um marido temperamental e bruto, que não confia nela. Além disso, está cercada de enteados que se ressentem de sua presença e é obrigada a lidar com uma rival muito envolvente que cobiça tanto seu marido quanto sua coroa. Determinada a vencer seus adversários, Emma forja alianças com pessoas influentes na corte e conquista a afeição do povo inglês. Mas o despertar de seu amor por um homem que não é seu marido e a iminente ameaça de uma invasão viking colocam em perigo sua posição como rainha e sua própria vida. 

O livro é o primeiro de uma trilogia que traz como protagonista uma jovem normanda de 15 anos que se torna rainha da Inglaterra no ano 1000 d.C. Baseado em crônicas anglo-saxônicas da época, e em uma extensa pesquisa, com personagens reais e fictícios, A Rainha Normanda teve boa aceitação de crítica e público internacional. O primeiro e segundo volume (The Prince of Blood) da trilogia tiveram, em sites de pontuação, uma média de 4 estrelas cada, e vê-se logo que a autora acertou na mosca com essa trilogia de estreia, despontando em pouco mais de dois anos como uma promissora autora de romances históricos. Da minha parte, adorei o livro. Aliás, amei essa capa da edição brasileira, bem superior a capa da edição norte-americana; apesar delas serem parecidas.

Bom, o livro, como a própria sinopse menciona, é um romance histórico, do gênero drama medieval. A narrativa de Patricia Bracewell é excelente, com boas descrições de localidades, ótima ambientação de época, ótima descrição das personagens, com descente evolução e detalhamento de suas personalidades, e me cativou. Até mesmo o clima frio e chuvoso da Inglaterra é usado para enfatizar o humor dos personagens, ou de determinada situação cênica. Há toda uma intriga palaciana em clima de guerra envolvendo a Inglaterra e a Dinamarca, com direito a ataques relâmpagos por parte dos dinamarqueses e saques as cidades fronteiriças àquele país, com violência extrema regada com estupros e até infanticídios. Mas, claro, essa violência é moderada e filtrada pela autora em pequenas doses, porém sem deixar de criar uma atmosfera sombria e fatalista que paira sobre o reino inglês.

O pano de fundo é a guerra entre a Inglaterra e a Dinamarca. Sobre esse mote, Bracewell insere a misteriosa história da adolescente Emma da Normandia: uma personagem forte, carismática e humana. Emma é oferecida pelo irmão Richard II, conde da Normandia (que também faz conchavo com o rei dinamarquês), ao rei inglês Aethelred II, a fim de celebrar um pacto diplomático e militar entre os dois governos. Obrigada a se casar contra a vontade, Emma vai para a Inglaterra para se tornar esposa e rainha de um poderoso monarca, conhecido por sua intemperança e infidelidade conjugal. No entanto, esse pacto não garante a Aethelred supremacia militar ou política com seus vizinhos dinamarqueses. Swein, rei da Dinamarca, tem seus próprios planos com relação ao reino inglês e até mesmo com relação à Normandia.

E entre essa disputa de poderes e jogos de interesses políticos e militares, Emma tenta se adaptar em sua nova vida e construir seu casamento dentro de uma perspectiva o mais natural possível. Afinal de contas, o rei não a tomou apenas como consorte, mas a corou rainha da Inglaterra. Fato esse que, obviamente, suscita a inveja e o rancor entre as damas da corte que queriam ocupar esse lugar e os fidalgos, que não veem com bons olhos o fato do seu rei unir o seu sangue Saxão com o de um Normando.

Assim, entre mentiras, intrigas, traições, rumores de guerra e cidades devastadas pelos vikings, Emma e Aethelred se tornam o centro ao redor do qual gravita uma vintena de personagens interessantes que atuam a favor ou contra a jovem rainha, facilitando sua estadia na Inglaterra, ou tornando-a um verdadeiro inferno. E entre os muitos personagens, destaco as participações marcantes de Elgiva, filha do conde da Nortúmbria, Aelfhelm; Athelstan e Edward, filhos do rei inglês; Swein Forkbeard, rei da Dinamarca. Elgiva e Aethelred são o que podemos chamar de nêmesis de Emma, e não facilitam em nada a vida da jovem normanda.

Antes de qualquer outra coisa, A Rainha Normanda realça o lado dramático da existência humana numa época difícil, pontuando com muita precisão a situação da mulher aos olhos dos homens daquele período, que em sua maioria as viam como objetos de uso sexual ou de procriação. As mulheres da nobreza eram, invariavelmente, objetos de barganha política nas mãos de seus tutores; ou, quando interesseiras e pouco se importando com a própria dignidade, se atiravam na cama de homens importantes para lhes garantir algum privilégio ou conforto na corte. No entanto, Emma não se deixa atrair pelas facilidades da alcova, mantendo-se fiel ao seu destino e lutando para dar ao rei um herdeiro legítimo ao trono. Por sua vez Aethelread, perturbado e assombrado por um acontecimento sombrio do seu passado, já meio louco e perto dos quarenta anos, torna o relacionamento conjugal com Emma algo insuportável e violento. Apesar de suas vicissitudes, Emma encontra forças em seu coração para não ceder às provocações do marido e, ao mesmo tempo, sustentar um amor secreto que não só ameaça a sua integridade física, mas também a sua condição moral.

A Rainha Normanda é um belíssimo livro histórico que retrata com perfeição a luta de uma mulher para manter-se fiel a um propósito básico, quase instintivo: o direito de ser feliz. Tratada como objeto de barganha, humilhada pelos ingleses, sequestrada, violentada pelo próprio marido, odiada e invejada por outras mulheres da corte, Emma quer apenas ser vista e tratada como uma pessoa que tem o direito de escolher o seu próprio destino e amar um verdadeiro amor. Em seu drama Emma tece uma teia de sofrimento e tristeza que a amadurece precocemente, fortalecendo-a gradativamente ao longo das páginas do livro. Sua determinação e coragem a torna uma mulher única no mundo em que vive, e lhe possibilita reter forças para enfrentar a tempestade que se avizinha da Inglaterra.

A Rainha Normanda é um belo livro com uma ótima história e personagens marcantes. Uma leitura obrigatória para os fãs de romances históricos que esperam encontrar personagens como Emma da Normandia. Aguardo ansiosamente pela continuação.

Comentários via Facebook

8 Comentários:

  1. Oi Livy!
    Tem muito tempo que não comento aqui, hahaha.
    Gostei muito da sua resenha e romances históricos me fascinam às vezes, ainda mais quando demonstram verdadeiramente o que acontecia naquelas épocas, que só podem ser imaginadas.
    A Rainha Normanda parece ser bem interessante, ainda mais que a protagonista é trocada e ainda uma adolescente, obrigada a amadurecer bem antes do tempo e lidar com as coisas do coração, que são bem confusas. Se já é difícil hoje, imagina em um palácio na era medieval?
    Abraços!!! | Saphy | Facebook

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  2. Primeira vez que comento no seu blog, e eu amei! Tanto o blog, como a resenha, já coloquei o livro na minha lista de leitura! Parabéns :)

    www.naosejajulieta.com

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  3. Nunca li nenhum romance histórico (eu acho) mas achei bastante interessante a história. A capa também ta lindona e agora eu fiquei animada para ler. :D

    Beijos!
    http://www.prateleiracolorida.com.br/

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  4. Eu quase pedi esse livro para resenha! E pelo visto terei que ler RSrsr
    Bjs
    http://eternamente-princesa.blogspot.com.br/

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  5. Olá, Livy.
    Não tenho o livro ainda, mas fiquei louco com a sua resenha. O nome já me passou a ideia de ser uma história baseada nos mitos saxônicos, mas pouco tinha dado pela obra. Pelo visto, errei feio.
    Além de um bom enredo e uma boa premissa, o livro ainda tem outra coisa que me interessa: jogos políticos. Adoro quando os livros abordam esse lado.

    Desbrava(dores) de livros - Participe do nosso top comentarista de julho. Serão dois vencedores.

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  6. Olá Livy, tudo bem?
    nunca tinha ouvido falar desse livro, mas despertou um vontade imensa de lê-lo, sua resenha ficou linda e clara, e essa capa é maravilhosa.
    já estou colocando no meu caderninho da falência hah
    Beijos flor
    edna

    Dna Bookz / Fan page / Instagram  / Twitter

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  7. Oi Livy! Entre os tantos ótimos lançamentos da Editora nos últimos meses eu não consegui ler este livro ainda, já tinha ouvido comentários, uns gostaram e falaram que o final é meio desesperador, outros que a narrativa é cansativa, ao ler sua resenha tive a impressão que é uma obra bem elaborada e por isso não creio que possa ser lida rapidamente, mas não vejo como falta de fluidez e sim necessidade para que o leitor absorva melhor este conteúdo tão rico. Eu adorei o que você apresentou, especialmente pelo destaque à condição feminina da época.

    Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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  8. Li o livro e achei muito bom. Recomendo. E a resenha ficou muito boa.

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