[Resenha] Estação Onze, de Emily St. John Mandel

23 setembro 2015
Postado por Livy

Livro cedido pela editora para resenha
ISBN: 9788580577075
Tradução: Rubens Figueiredo
Ano de Lançamento: 2015
Número de Páginas: 320
Editora: Intrínseca
Classificação: ♥♥♥
Certa noite, o famoso ator Arthur Leander tem um ataque cardíaco no palco, durante a apresentação de Rei Lear. Jeevan Chaudhary, um paparazzo com treinamento em primeiros socorros, está na plateia e vai em seu auxílio. A atriz mirim Kirsten Raymonde observa horrorizada a tentativa de ressuscitação cardiopulmonar enquanto as cortinas se fecham, mas o ator já está morto. Nessa mesma noite, enquanto Jeevan volta para casa, uma terrível gripe começa a se espalhar. Os hospitais estão lotados, e pela janela do apartamento em que se refugiou com o irmão, Jeevan vê os carros bloquearem a estrada, tiros serem disparados e a vida se desintegrar. Quase vinte anos depois, Kirsten é uma atriz na Sinfonia Itinerante. Com a pequena trupe de artistas, ela viaja pelos assentamentos do mundo pós-calamidade, apresentando peças de Shakespeare e números musicais para as comunidades de sobreviventes. Abarcando décadas, a narrativa vai e volta no tempo para descrever a vida antes e depois da pandemia. Enquanto Arthur se apaixona e desapaixona, enquanto Jeevan ouve os locutores dizerem boa-noite pela última vez e enquanto Kirsten é enredada por um suposto profeta, as reviravoltas do destino conectarão todos eles. Impressionante, único e comovente, Estação Onze reflete sobre arte, fama e efemeridade, e sobre como os relacionamentos nos ajudam a superar tudo, até mesmo o fim do mundo.

Um livro que se destaca de todos os outros; do qual me lembrarei por muito tempo e ao qual retornarei. – George R. R. Martin 

Emily St. John Mandel nasceu em 1979, em Comox, na costa oeste do Canadá. Ela trabalha na revista literária on-line The Millions. Emily estudou dança contemporânea no Dance Theatre de Toronto, viveu em Montreal algum tempo e depois se mudou para Nova York, onde vive atualmente com o marido. Estação Onze, publicado aqui no Brasil pela Editora Intrínseca é seu quarto romance. O livro foi finalista e vencedor do Arthur C. Clarke Award, em 2015. Os outros três livros da autora são: The Singer's Gun (2009); Last Night in Montreal (2009); The Lola Quartet (2012).

Emily se diz apaixonada por cinema e teatro. Quando pensou em escrever um livro era para ser sobre a vida de um ator famoso de Hollywood. Mas algumas ideias estão fadas a nunca verem à luz do dia. No caso de Emily St. John, isso foi profícuo, pois uma ideia mais interessante a fez olhar em outra direção. Ela se perguntou: "Do que você mais sentiria falta se o mundo como o conhecemos hoje desaparecesse?" – E a resposta que Emily encontrou foi: "Eu sentiria falta da obra de Shakespeare".

E foi assim que nasceu Estação Onze, um livro tocante, esperançoso, revelador, empolgante… Uma reflexão da nossa civilização; do modo como vemos o mundo; como percebemos o outro; a maneira como compreendemos nossa existência neste planeta e qual o sentido que damos para nossas vidas.

O livro não tenta ser um compêndio de sobrevivência num mundo pós-apocalíptico, mas traça um perfil, ou um caminho, para nos encontrarmos no mundo em qualquer época, e buscarmos, através das coisas simples, uma forma de vivermos melhor e mais felizes.

O livro, pela narrativa de Emily, pode se enquadrar perfeitamente como uma ficção científica, ou distopia, mas também pode ser visto como um romance existencialista, ou um drama moderno que tem como pano de fundo o Juízo Final.

A narrativa é simples e direta, contando uma história que começa meio monótona e vai ficando agradável a medida em que vamos lendo e nos familiarizando com as idas e vindas da autora entre três tempos: o passado, antes da gripe; o momento em que acontece a epidemia; o momento presente, ou seja, o ano vinte após a doença já ter consumido mais de 90% de toda população do planeta.

A Estação Onze tem o tamanho da lua terráquea e foi planejada para dar a impressão de que é um planeta, mas é capaz de viajar pelas galáxias e não requer nenhum sol. – Pág. 85

Além de Kirsten, a protagonista, o livro conta com um número bem variado de personagens, e a simpatia e antipatia pode variar de personagem para personagem de acordo com o gosto de cada leitor. Nem precisa dizer que muitos vão morrer conforme a trama se desenrola, porque isso é óbvio, já que se trata de uma pandemia da qual muita pouca gente escapa.

E já que mencionei essa pandemia, o legal do livro é que o vírus que destrói a humanidade, portanto a nossa civilização moderníssima, é o vírus da gripe; uma gripe bem difícil de sarar que roda o mundo numa velocidade mortal. Bem mais letal que a gripe suína ou aviária, já que a doença se alastra rapidamente e os poucos sobreviventes aqui e ali terão que lidar com essa situação: o que fazemos agora?

O inferno é a ausência das pessoas de quem temos saudade. – Pág. 141

Estação Onze conta uma história plausível, porque fala de sobreviventes que tentam reconstruir suas vidas num mundo que foi devastado não por uma epidemia zumbi, ou por uma guerra nuclear, ou por uma catástrofe natural, mas por uma doença viral. Dizem os especialistas em catástrofes globais, que estudam esse tema há anos, que a civilização moderna tem 99% de chance de ser exterminada por uma doença letal numa pandemia do que ser extinta pela queda ocasional de um meteorito do tamanho do monte Everest. Pode?!

Seja como for, Estação Onze também é um sinal de alerta para nós, seres itinerantes neste mundo, de que se a vida passa num abrir e fechar de olhos, ela pode ser facilmente encurtada pela loucura de pessoas que constroem armas biologicamente letais. Hoje, o maior medo dos norte-americanos é serem atacados por uma arma virológica para a qual não há antídoto.

Só estou querendo dizer que podia ser muito pior. – Pág. 246

Gostei do livro e recomendo. Não é uma obra maravilhosa, mas, em muitos sentidos, tem muito a contribuir para o nosso entendimento de que o mundo é nosso único lar e nós temos que viver nele em harmonia com tudo e com todos. Pois, a qualquer momento, podemos ficar sem um teto sobre nossas cabeças e sem aquilo que mais amamos hoje em dia: a tecnologia. Boa leitura!

Comentários via Facebook

2 Comentários:

  1. Olá Livy,
    Não conhecia a autora, não. Mas pela sua resenha parece um enredo bacana. Nada de maravilhoso ou novo. Mas bacana.
    Estou fazendo minha listinha no Submarino para comprar livro mês que vem. Vou procurá - lo.
    Beijos.

    http://www.leituradelua.com

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  2. Oi Livy, eu tinha interesse no livro , mas não tinha lido nenhuma resenha dele ainda, então já viu como fiquei feliz em poder saber um pouco mais sobre ele. Que bom que você gostou. Espero ler em breve.
    Bjs, Rose.

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