[Resenha] Toda Luz que Não Podemos Ver, de Anthony Doerr

15 janeiro 2016
Postado por Livy

Livro cedido pela editora para resenha
ISBN: 9788580576979
Tradução: Maria Carmelita Dias
Ano de Lançamento: 2015
Número de Páginas: 528
Editora: Intrínseca
Classificação: ♥♥♥♥ 
 Favoritado!
Sinopse: Marie-Laure vive em Paris, perto do Museu de História Natural, onde seu pai é o chaveiro responsável por cuidar de milhares de fechaduras. Quando a menina fica cega, aos seis anos, o pai constrói uma maquete em miniatura do bairro onde moram para que ela seja capaz de memorizar os caminhos. Na ocupação nazista em Paris, pai e filha fogem para a cidade de Saint-Malo e levam consigo o que talvez seja o mais valioso tesouro do museu. Em uma região de minas na Alemanha, o órfão Werner cresce com a irmã mais nova, encantado pelo rádio que certo dia encontram em uma pilha de lixo. Com a prática, acaba se tornando especialista no aparelho, talento que lhe vale uma vaga em uma escola nazista e, logo depois, uma missão especial: descobrir a fonte das transmissões de rádio responsáveis pela chegada dos Aliados na Normandia. Cada vez mais consciente dos custos humanos de seu trabalho, o rapaz é enviado então para Saint-Malo, onde seu caminho cruza o de Marie-Laure, enquanto ambos tentam sobreviver à Segunda Guerra Mundial. Uma história arrebatadora contada de forma fascinante. Com incrível habilidade para combinar lirismo e uma observação atenta dos horrores da guerra, o premiado autor Anthony Doerr constrói, em Toda luz que não podemos ver, um tocante romance sobre o que há além do mundo visível. 

Anthony Doerr é um autor estadunidense nascido em Cleveland, Ohio, com uma carreira promissora que já lhe rendeu várias premiações por suas obras literárias. Seus livros estão todos muito bem cotados nos sites online de literatura, com pontuações acima de 4 estrelas. Toda luz que não podemos ver é seu segundo romance. O primeiro romance foi About Grace, de 2004, ainda inédito no Brasil. Doerr também publicou dois livros de histórias: The Shell Collector (2002) e Memory Wall (2010).

Em Toda luz que não podemos ver, temos um romance em terceira pessoa, cujos acontecimentos transcorrem entre os anos de 1940 e 1945, intercalando-se passado e presente numa sucessão de recordações que se afunilam até um ponto de junção. Desta forma, a narrativa de Doerr se torna fluente, precisa, e com boa execução dos detalhes, ambientação e diálogos bem construídos; porém, peca pela delonga, arrastando a trama por 528 páginas quando poderia tê-la executado em menos de trezentas. Os capítulos curtos compensam o excedente de páginas, tornando a leitura o menos enfadonha possível.

No entanto, Doerr cultiva os seus méritos ao nos apresentar uma história sensível, tocante, emocionante e humana. Os personagens são cativantes, e em algumas páginas nos afeiçoamos tanto por Marie-Laure que a queremos tê-la como amiga, ou mesmo como uma irmã. A forma como o pai de Marie lhe ensina a andar sozinha pela cidade é emocionante; demonstra o quanto nós, como seres humanos, podemos superar situações e dificuldades muitas vezes visto como intransponíveis, ou insuperáveis. E essa narrativa envolvente nos faz debulhar as mais de quinhentas páginas com tranquilidade.

Toda luz que não podemos ver não fala tão somente da Segunda Guerra Mundial. O pano de fundo é a ocupação nazista na França, durante a guerra, mas também trata da relação entre os personagens e seus dramas, além de nos oferecer um mistério envolvendo a lenda de um valiosíssimo diamante que, segundo dizem, pode facultar ao seu portador o poder da imortalidade. Agora, imaginem se isso não é do interesse dos nazistas? Afinal de contas, naquele período sombrio da História, os nazistas estavam caçando relíquias sagradas por toda parte, a pedido de Hitler.

Paralelamente ao drama assumido por Marie-Laure e seu pai, temos também a do alemão Werner e sua irmã que vivem em um orfanato. Tudo que ele e a irmã sabem do mundo lá fora é o que eles escutam através de um velho rádio. Mais tarde, Werner é levado para o exército, por conta da guerra, e passa a trabalhar num laboratório, onde aprende o ofício de engenheiro eletricista.

Intercalando entre Marie e Werner, surgem outras pequenas histórias vivenciadas por personagens secundários. Como uma obra de arte que se vai construindo a cada pincelada, ou a cada do malho no cinzel, Doerr construi um romance vivo e intenso, quase poético, que nos mostra a Humanidade do ser humano em um dos períodos mais sombrios da Era Moderna.

Anthony Doerr criou um romance para marcar o estilo romance histórico, principalmente focado na Segunda Guerra Mundial, que a meu ver, sob esse enfoque, é o mais original que já li até hoje. Desta forma, percebemos por que o romance mereceu receber o Prêmio Pulitzer de Literatura de 2015.

Toda luz que não podemos ver é um romance que nos faz refletir sobre o nosso lugar no mundo, sobre a relação entre pais e filhos, entre irmãos, sobre a amizade, o poder do amor e do perdão, além de nos conduzir em tantas outras reflexões sobre a vida e a grandeza e importância da mesma para nós todos! Recomendo! Favoritado! Boa leitura.



Comentários via Facebook

5 Comentários:

  1. Estava aguardando pela sua resenha, Livy! Esse foi minha última leitura e não consigo dizer o quanto ela foi especial e o quanto me afeiçoei aos personagens e me sensibilizei com as suas jornadas...

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  2. Olá, Livy! Esse livro está na minha lista há um bom tempo,terminou 2015 e não o li. Gosto muito das histórias que se passam em época de guerra justamente por nos fazerem lembrar o quão humanos nós somos_ em todos os sentidos da palavra. E eu sempre me animo quando vejo um livro favoritado por aqui!
    Bj

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  3. Olá Livy!
    Também curti muito o livro e concordo, longe de achar enfadonho, mas a história poderia ter sido contada em menos páginas. Achei que os capitulos curtos as vezes quebravam o ritmo. Mas adorei, uma história bonita e sensivel!
    Bjs

    https://www.facebook.com/gutenberged/?fref=ts

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  4. Sou apaixonada por livros que tem a história ligada a Segunda Guerra Mundial, principalmente se elas forem de romance, pois como você citou é algo que nos faz refletir sobre o poder do amor, especialmente em situações difíceis. Excelente resenha. Beijos :*

    www.quetransborde.com.br

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  5. Oi Livy,
    Que bom que vc gostou do livro, mas comigo não funcionou.
    Eu vi ele super bem cotado na amazon americana e quando a intrinseca anunciou que iria lançar, mal podia esperar para conferir.
    Achei que os capitulos curtos e a alternancia de ponto de vista deixou a estória extremamente fragmentada. Simplesmente não consegui me envolver, nem me importar, com os personagens.
    Tbm achei a estória muito linear, sem reviravoltas. Achei que poderia ser proposital, com o fito de focar na jornada dos personagens. Porém, a jornada me pareceu quase que um relato de viagem, mostrando como a vida deles se cruzou, e não o amadurecimento ou a evolução.
    Mas o que mais me incomodou foi a narrativa extremamente descritiva. Tem um trecho que lembro até hj, algo como: gotas de chuva que caem de um céu prateado, uma pomba que faz hu hu, e um esturjão que salta no mar como um cavalo prateado. Foi nessa hora que eu estava arrancando os cabelos. Para mim ficou claro que o autor não tinha estória suficiente para contar e ficou descrevendo tudo o que podia.
    Enfim, como você pode perceber, meu trauma foi grande rsrs.
    Abraço,
    Alê
    www.alemdacontracapa.blogspot.com

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