[Resenha] O Vilarejo, de Raphael Montes

22 abril 2016
Postado por Livy

Livro cedido pela editora pare resenha
ISBN: 9788581053042
Livro de contos / Nacional
Ano de Lançamento: 2015
Número de Páginas: 96
Editora: Suma de Letras
Classificação: ♥♥♥ 
Sinopse: Em 1589, o padre e demonologista Peter Binsfeld fez a ligação de cada um dos pecados capitais a um demônio, supostamente responsável por invocar o mal nas pessoas. É a partir daí que Raphael Montes cria sete histórias situadas em um vilarejo isolado, apresentando a lenta degradação dos moradores do lugar, e pouco a pouco o próprio vilarejo vai sendo dizimado, maculado pela neve e pela fome. As histórias podem ser lidas em qualquer ordem, sem prejuízo de sua compreensão, mas se relacionam de maneira complexa, de modo que ao término da leitura as narrativas convergem para uma única e surpreendente conclusão.

O carioca Raphael Montes assina uma coluna mensal do Blog da Companhia das Letras e outra no jornal O Globo. Além de escritor, Raphael Montes dedica-se a escrever roteiros para cinema e TV, como a série Espinosa (GNT) e o seriado de terror Supermax (Rede Globo). Seu primeiro romance, Suicidas, foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura de 2013. Dias Perfeitos, romance de 2014, já foi traduzido para vários países, com direitos autorais vendidos para o cinema.

O Vilarejo é o mais novo trabalho literário de Raphael Montes, lançado em agosto de 2015, pela editora Suma de Letras. A capa do livro, bem como a contracapa é bem bacana, com um toque sombrio, medieval, evocando aqueles pesadelos do qual você luta desesperadamente para acordar. O miolo do livro é igualmente assombroso, com um layout dark e gravuras tenebrosas que ilustram o início e o fim de cada conto.

O livro é dividido em sete histórias de puro horror, com títulos que por si só já dizem tudo, como: Belzebu, Asmodeus e Satan, por exemplo. As histórias são curtinhas e o livro, no todo, pode ser lido em poucos minutos.


As quatorze ilustrações de Marcelo Damm, todas coloridas, dão um realce ao clima de horror das histórias. Uma ou outra têm um aspecto de inocência, quase pueris, como a vista acima, mas outras têm um toque bastante sombrio, lúgubre e violento, e me deixaram até um pouco incomodada.

O Vilarejo inicia-se com o autor fazendo um preâmbulo no qual ele nos conta que recebeu um caderno de ilustrações de uma tal Elfrida Pimmintoffer, com um manuscritos amarelados pelo tempo que, sob análise, revelaram ser de um sujeito chamado Peter Binsfeld. A partir daí, Raphael Montes, já no primeiro capítulo, intitulado Belzebu, nos apresenta o conteúdo desses manuscritos, que versa sobre os sete pecados capitais: gula, luxúria, ira, preguiça, ganância, soberba e inveja.

O maior desafio ao ler o livro foi não se ver em um desses pecados. Afinal de contas, quem já não foi guloso, raivoso, preguiçoso, ganancioso, invejoso algum dia? Ainda mais nos dias de hoje. A gente chega a se sentir mal, porque isso mexe com a gente. Remexe aqui dentro e expõe o que temos de pior. O Vilarejo faz isso: cutuca as feridas que ainda não estão totalmente cicatrizadas. E isso machuca. Ainda mais por sabermos que todos somos pecadores, e que fazemos muito pouco para melhorarmos, para retificar as nossas más tendências ou para corrigir os nossos hábitos negativos, como: mau humor, impaciência, ansiedade, arrogância, orgulho, maledicência, egoísmo, pessimismo, entre outros. A falta de gratidão pelos favores que nos são feitos, até mesmo o simples fato de não agradecermos uma gentileza, ou mesmo de retribuirmos um bom dia, já é um sinal de que algo não anda certo conosco. O maior problema da imoralidade é justamente esse: a falta de moral.

Um outro aspecto digno, é que O Vilarejo poderia ser trocado por qualquer nome de uma grande cidade, como Rio, São Paulo, Campinas, Londrina, Nova Iorque, Calcutá, etc, pois os personagens do livro são pessoas comuns que possuem as suas vidas cotidianas como qualquer um de nós. São pessoas que, de um instante para o outro, se transformam em demônios; monstros que vendem a sua alma para as trevas, para o mal, e se tornam instrumentos de ódio, móvel de vingança, liames de pestilência e tumores de morte. Demônios que encontramos todos os dias nos noticiários da TV, onde o indivíduo humano se transforma em bestas tenebrosas de violência e crueldade extrema.

O Vilarejo expõe a chaga aberta e nos mostra que, se podemos nos considerar humanos, porque isso nos diferencia dos outros animais e nos põe muito distantes dos nossos primos símios, os chipanzés, ainda não podemos dizer que estamos próximos aos anjos, pois estamos muito distante do que almejamos ser algum dia: Humanidade.

A meu ver, O Vilarejo é um livro indicado para quem tem estômago forte e que curte o gótico, o dark, o horror e congêneres. As ilustrações são impactantes e trazem em si um contexto que mexe com nosso imaginário, assim como as histórias que as seguem. Boa leitura!



Comentários via Facebook

3 Comentários:

  1. Olá, Livy.
    Adoro histórias de terror. Acho que leria esse livro de um tiro só.
    Não sabia que ele é o roteirista de Supermax. Vi um trailer no Gshow e fiquei impressionado. Muito bacana.
    Ótima resenha!
    http://ymaia.blogspot.com.br/

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  2. Li numa sentada só. Muito bem escrito. É daqueles que a gente lê se agarrando no sofá pra não cair de medo. O Raphael escreve muito bem e não deixa nada a desejar para os grandes escritores do gênero.
    Obrigada pela indicação.

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  3. Oi Livy adorei seu cantinho! Eu li esse livro recentemente e foi uma grata surpresa, principalmente porque adoro histórias de terror e Raphael Montes soube muito bem ambientar o livro nesse clima!

    Beijinho, estou seguindo
    eventualobradeficcao.blogspot.com.br

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