[Resenha] Guerra do Velho, de John Scalzi

31 maio 2016
Postado por Livy

Livro cedido pela editora para resenha
ISBN: 9788576572992
Tradução: Petê Rissatti
Ano de Lançamento: 2016
Número de Páginas: 368
Editora: Alpeh
Classificação: ♥♥♥ 
Sinopse: John Perry fez duas coisas no seu aniversário de 75 anos: visitou o túmulo da esposa e alistou-se no exército. As Forças Coloniais de Defesa, misteriosamente, estão recrutando idosos para conquistar novos territórios interestelares. Detentores de uma tecnologia inovadora, as FCD são capazes de criar supersoldados com habilidades jamais vistas, e um exército disposto a arriscar tudo.

John Scalzi é autor de ficção científica, e ficou mundialmente conhecido pela série Guerra do Velho, publicada em 2005, que já rendeu, até 2015, outros oito volumes: Questions for Soldier (2005); The Ghost Brigades (2006); The Sagan Diary (2007); The Last Colony (2007); Zoe's Tale (2008); After the Coup (2008); The Human Division (2013); The End All Thongs (2015). Ele também é autor da série The Android's Dream e da série Lock In. Scalzi também é autor de contos e outros livros de ficção de publicação independente. Desde 2005, com o lançamento de Guerra do Velho, Scalzi foi indicado para 18 prêmios literários, dos quais ganhou nove.

Pela produção literária de John Scalzi, pela quantidade de nomeações e indicações a prêmios de peso, como Hugo Awards e Nebula Awards, entre outros, num prazo de pouco mais de dez anos de produção, temos que considerar que estamos diante de um grande nome a figurar entre os grandes autores da Ficção Científica Clássica.

Uma vez mais a Editora Aleph está de parabéns, tendo trazido Guerra do Velho ao mercado nacional, onde, nos últimos tempos, temos visto uma enxurrada do "mais do mesmo" sem muita criatividade ou (re)inovação. A capa do livro nos faz lembrar, nostalgicamente, dos filmes glamourosos das décadas de 1950 e 1960, quando no cinema os filmes de ficção científica estavam em alta.

E de fato, Guerra do Velho é de uma criatividade ímpar. Não vou negar que as semelhanças com Starship Troopers (Tropas Estelares) de Hobert Heinlein (também publicado pela Editora Aleph) existam. E, do meu ponto de vista, são apenas isso, semelhanças. Robert Heinlein é um clássico da ficção científica que escreveu uma tonelada de romances do gênero, referência para qualquer escritor que se aventure a escrever Sci-Fi; e John Scalzi, obviamente, não é uma exceção, claro. E o ponto coincidente, ou referenciado, para quem leu Tropas Estelares, é que os humanos finalmente saíram do planeta Terra e passaram a colonizar outros mundos, e nesse processo acabam se deparando com outras inteligências contra as quais travam combate para domínio de território galático. E as semelhanças param por aí.

Posso dizer que John Scalzi pegou o que já era bom, em Hobert Heinlein, e deixou ainda melhor. Ou seja, ele usa essa idéia como pano de fundo, onde os humanos se alastram pela galáxia como gafanhotos, para colonizar mundos que já estão colonizados, para tecer, sobre essa questão de nossa espécie sempre se ver como a dominante sobre as demais, e desenvolver um romance que nos fala bem mais fundo do que guerra, dominação e extermínio nas estrelas.

Guerra do Velho se passa alhures no futuro da Terra, e nos conta a história de John Perry, um idoso de 75 anos de idade que se alista nas forças armadas, a FDC, com a promessa de que terá direito a um tratamento de rejuvenescimento; ou seja, ele deixará de ser idoso. Uma maravilha, sem dúvida alguma, principalmente para quem não tem mais "aquela" saúde e que já está ciente do fim que se avizinha, não fosse o fato de que, ao alistar-se, o candidato não pode mais regressar à Terra. Pelo sim, pelo não, John Perry aceita, obviamente. Mais vale um pardal na mão do que dois voando, claro.

[...] ✔ Parágrafo 02: Entendo que, ao me voluntariar para ingressar nas Forças Coloniais de Defesa, concordo em portar armas e usá-las contra os inimigos da União Colonial, que podem incluir outras forças humanas. Durante meu prazo de serviço, não posso me recusar a portar e usar armas conforme ordenado ou levantar objeções religiosas ou morais contra essas ações para evitar o combate. 
[...]✔ Parágrafo 05: Entendo que, ao me voluntariar para as Forças Coloniais de Defesa, estou abdicando da minha cidadania em minha entidade política nacional e também do privilégio residencial que me permite morar no planeta Terra. [...] reconheço e compreendo que, ao abdicar da minha cidadania local e do meu privilégio residencial planetário, ficarei impedido de retornar posteriormente à Terra. 
[...]✔ Parágrafo 06: Reconheço e entendo que, a partir do meu transporte para fora da Terra pelas Forças Coloniais de Defesa ou de 72 horas da assinatura deste documento, o que ocorrer primeiro, serei considerado falecido para fins legais em todas as entidades políticas pertinentes. [...] 

E é aqui que a criatividade de John Scalzi entra, criando uma nova definição para soldado, ou combatente de guerra. John Perry – uma alusão ao primeiro nome de Scalzi, obviamente, e a Perry Rhodan, célebre personagem de uma série imensa de ficção científica dos anos 1960 – tem a sua consciência transplantada em um novo corpo, muito mais jovem, claro, e muito mais forte e poderoso, também. As cenas descritas de sexo dos cadetes idosos, já em seus novos corpos, pondo em prática a sua libido em qualquer canto e meandro da nave, é simplesmente hilária.

O livro é narrado em primeira pessoa, na visão de John Perry, e é dividido em três partes. A primeira parte nos conta a vida de Perry e sua decisão em alistar-se, bem com a sua transformação para o novo corpo e o envolvimento dele com outras personagens que compõem a história; a segunda parte, nos diz sobre o treinamento do grupo, as técnicas de combate, armamentos e simulações; e a terceira parte nos fala dos alienígenas, dos combates e da conclusão desse primeiro volume da série.

Mas não pense você que Scalzi se detém apenas nessas questões militares, treinamento e guerra. Seus personagens são maravilhosamente construídos e as cenas e diálogos têm uma certa pitada de sarcasmo, de ironia e irreverência, como se o autor estivesse brincado com a ficção de criar ficção científica, e mostrar o ridículo das guerras. A forma com os alienígenas são vistos pelos humanos, e a forma como eles pretendem exterminá-los, apenas por serem "alienígenas", não é muito diferente do que vimos ao longo da história das guerras em nosso planeta, e cuja realidade ainda assistimos nos dias que correm proporcionados por conflitos fratricidas na África, Oriente Médio, Ásia, ou mesmo aqui no Brasil, quando duas torcidas de futebol se estranham após um clássico pelo Brasileirão.

Scalzi trabalha essa questão do dominar, do tomar posse do que não nos pertence, pelo simples fato de nos acharmos mais poderosos, ou de sentirmos que somos melhor do que o "outro". Ele também reavalia questões humanas, como amizade, companheirismo, amor, solidariedade, afeto, dever e liberdade, entre outras coisas.

Guerra do Velho é um ótimo livro que faz de John Scalzi um nome a ser respeitado. Há em Guerra do Velho o melhor estilo da ficção científica clássica dos anos 1960, com uma pitada de século XXI. Agora, fico no aguardo do segundo volume da série! Gostei muito da leitura!



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1 Comentários:

  1. Terminei o livro a 10 minutos atrás, sendo que comecei a ler ontem, ou seja, o livro te prende muito. O começo que em muitos livros é entediante neste caso é cômico, o carisma de John Perry se destaca, e as conversas com outros "anciões" são ótimas.

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