[Resenha] Silêncio, de Thich Nhat Hanh

15 junho 2016
Postado por Livy

Livro cedido pela editora para resenha
ISBN: 9788569809029
Ano de Lançamento: 2016
Número de Páginas: 160
Editora: HarperCollins Brasil
Classificação: ♥♥♥♥ 
Sinopse: Muitos de nós têm medo do silêncio. O receio de confrontar as questões mais íntimas nos faz ter uma vida de ruído e distrações. Os fantasmas de culpa e arrependimentos do passado e as preocupações e obrigações do futuro nos assaltam de tal forma que nos afogamos em afazeres sem propósito ou sentido. De repente nos vemos tão ocupados em vencer o dia a dia que esquecemos os nossos verdadeiros desejos. A resposta, contudo, está bem à nossa frente, na vida cotidiana, e cada passo e respiração consciente que damos pode ser vital à concretização de sonhos e objetivos. Afastar os pensamentos e resgatar de forma consciente o nosso corpo e mente ao momento presente é um dos resultados da meditação mindfulness. Ela envolve uma observação profunda e uma descoberta do silêncio em nós mesmos. Tudo de que precisamos para viver uma vida plena e satisfatória já está dentro de nós. Parar e encontrar o silêncio interior são recursos muito poderosos, que permitem criar uma conexão íntima e encontrar refúgio no que Buda chamou de “ilha de nós mesmos”, um lugar de calma e profundo autoconhecimento, onde somos verdadeiramente livres e alegres. 

Thich Nhat Hanh é um dos líderes espirituais mais proeminentes e queridos do mundo. Monge budista, professor e ativista da paz e dos direitos humanos, nasceu em 1926 na região central Vietnã, em Hue, iniciando sua vida como monge aos 17 anos. Seus ensinamentos são considerados lendários e milhares de pessoas frequentam seus retiros mindfulness (ou atenção plena). Suas obras são referência na literatura budista contemporânea. É autor também dos livros A Arte de Comer, A Arte de Sentar e A Arte de Amar, todos publicados pela HarperCollins Brasil.

Confesso que fiquei deslumbrada, pra não dizer apaixonada, pela linguagem simples, objetiva e envolvente de Thich Nhat Hanh. É mais fácil ler e compreender seu livro do que pronunciar o seu nome. Sua abordagem sobre a importância do “silêncio” em nossa vida é fascinante. O que me lembrou uma frase de Emmanuel, na psicografia de Chico Xavier: “Se alguém te irrita, pacifica silenciando.” E arremata: “E perceberás, por fim, que a paz do mundo é dom de Deus, começando de ti.” No Evangelho de Mateus 5:9, lê-se:“Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.” 

Silêncio é exatamente isso, um mergulho no “eu interior” em busca da Paz. E Paz, na época em que vivemos, é uma palavra quase ausente, pra não dizer inexistente. Pacificar-se, eis a ordem dos dias atuais! Pacifica-te, hoje, para usufruir amanhã da Paz plena em teu íntimo e levá-la contigo a toda parte. E a proposta de Thich é permitirmo-nos, através do “poder da quietude”, encontrarmos harmonia, equilíbrio e paz “num mundo barulhento” e conturbado.

Thich Nhat Hanh tem como proposta nos mostrar de que forma os nossos pensamentos atuam sobre o nosso cotidiano e como eles podem ser determinantes para a nossa saúde e a compreensão da vida, tornando-nos pessoas mais harmoniosas e equilibradas com o simples hábito de fazermos silêncio ao educarmos os nossos pensamentos, domesticarmos as nossas paixões e aliviarmos o estresse do dia a dia.

“As maravilhas da vida já estão todas aqui. E estão clamando por nós. Se você for capaz de escutá-las, será capaz de parar de correr. O que você precisa, tudo do que você precisa é do silêncio. Detenha o ruído em sua mente para conseguir escutar o som das maravilhas da vida. Fazendo isso, você começará a viver de forma autêntica e profunda.” - pág. 19

E Thich Nhat Hanh vai mais fundo:

“O silêncio é essencial. Nós precisamos de silêncio assim como precisamos de ar, da mesma maneira que as plantas precisam de luz. Se nossas mentes estão repletas de palavras e pensamentos, n]ão há espaço para nós.”- pág. 24

Silêncio é mais do que um livro de autoajuda; é um ponto de vista que possibilita vislumbrarmos uma face da realidade que nos cercam. Fala-nos do poder que nossa mente exerce sobre nossas vidas, e de como podemos usar essa força a nosso favor para gerar uma vida plena e feliz!

Enquanto você lê esta resenha, a sua mente não para de produzir pensamentos. Muitos desses são autômatos, involuntários. E por esse motivo, nossa cabeça está povoada de pensamentos velhos, cíclicos, recorrentes e inúteis. Por isso não há espaço em nossa mente para o novo! E nesse processo, nos alimentamos de pensamento. Dos nossos e do alheio. E, aqui, uma questão acaba se tornando importante: qual é a qualidade dessa alimentação? Qual é a qualidade dos nossos pensamentos, ou daqueles que trazemos para dentro de nós, oriundos do mundo externo? 

Silêncio me mostrou que nós somos bombardeados incessantemente por nossos pensamentos. Se eles são bons, estamos nos alimentando com boas vibrações e estímulos neurais saudáveis; mas, se nossos pensamentos são ruins, cheios de rancor, ciúme, inveja, orgulho, preconceito, maledicência, preguiça, palavrões, tristeza, depressão… vibrações mentais que encharcam nosso sangue e atuam em nossas glândulas endócrinas, causa de sérios problemas em nossa saúde.

“O que todos precisamos, em um primeiro momento, é de tranquilidade e leveza, além de paz para o nosso corpo e espírito. E só então seremos verdadeiramente capazes de escutar o outro.” - pág. 85

Como poderemos escutar os nossos pais, os nossos irmãos, os nossos amigos, os nossos colegas do dia a dia, se não somos capazes de ouvir de forma coerente o que se passa dentro de nós mesmos? A grande totalidade do que pensamos tem muita pouca qualidade e, na maioria das vezes, não serve para nada. Estamos tão envolvidos com problemas recorrentes, que não conseguimos solver, e ideias fixas e atávicas, que nos algemam há um vazio mascarado de felicidade, que nos esquecemos de reciclar a nossa mente e de desanuviar nossas ideias em relação as pessoas e ao mundo em que estamos inseridos.

Dominados pelo estresse cotidiano, aprisionados aos problemas que não somos capazes de resolver, estamos em pé de guerra com o mundo por acharmos que tudo que nos dá errado é culpa do “outro”. Nos esquecemos, ou não nos damos a importância de saber, que nosso sofrer, fruto de nosso embate frente aos desafios da vida, é carência de nós mesmos. Porque estamos tão cheios de pensamentos fúteis que não temos tempo para parar, respirar e rever nossos valores e nos darmos conta de que somos “Espíritos imortais vivendo experiências humanas” (Pe. Pierre Teilhard de Chardin). E como humanos, ainda nos falta muito da digna Humanidade.

Silêncio é um livro para ser lido, meditado e vivido. Uma oportunidade para trazermos para dentro de nós o poder da quietude, da paz, e proporcionar-nos equilíbrio e harmonia para vivermos de forma mais saudável e felizes com tudo e com todos ao nosso redor.

“A solitude real nasce de um coração estável, um coração que não é arrastado pelo fluxo da multidão nem pelas lamentações do passado, nem pelas preocupações do futuro, nem pela excitação ou pelo estresse do presente.” - pág. 151

O Budismo pode não ser a sua religião, não importa. No mundo conturbado em que vivemos temos mais religião, do que religiosidade, mais inquietude e desavenças do que paz, mais orgulho e egoísmo, do que amor e perdão, mais pobreza moral e miséria social do que ética e fraternidade. Por isso, ao ler Silêncio, é um convite a iluminar-se, e a transformar a sua mente num templo de paz e felicidade perene, de compaixão e solidariedade, onde o poder do silêncio ganhará o seu maior significado: pensamentos felizes! Boa leitura e… paz, muita paz para todos!



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