[Resenha] O Feiticeiro de Terramar, de Ursula K. Le Guin

07 novembro 2016
Postado por Livy

ISBN: 9788580415216
Tradução: Ana Resende
Ano de Lançamento: 2016
Número de Páginas: 176
Série: Ciclo Terramar, vol.1
Gênero: Fantasia
Editora: Arqueiro
Classificação: ★★
♥ livro cedido pela editora
Sinopse: Há quem diga que o feiticeiro mais poderoso de todos os tempos é um homem chamado Gavião. Este livro narra as aventuras de Ged, o menino que um dia se tornará essa lenda.
Ainda pequeno, o pastor órfão de mãe descobriu seus poderes e foi para uma escola de magos. Porém, deslumbrado com tudo o que a magia podia lhe proporcionar, Ged foi logo dominado pelo orgulho e a impaciência e, sem querer, libertou um grande mal, um monstro assustador que o levou a uma cruzada mortal pelos mares solitários. 
Ursula K. Le Guin nasceu em 1929, em Berkley, na Califórnia (EUA), filha de pai antropólogo e de mãe escritora, casada com o historiador francês Charles Le Guin. Ursula publicou o seu primeiro livro em 1968, da saga Earthsea (ou Ciclo Terramar), seguido de outros quatro livros, além de oito contos. Ela também é autora da Saga Hainish, publicada inicialmente em 1966, com oito volumes; além de muitos contos, livros infantis e juvenis e poemas. A autora já ganhou vários prêmios literários por suas obras. Vê-se que Ursula não é novata na literatura, e muito menos ensaísta no campo da fantasia ou da ficção científica. Seu nome, assim como seus livros, percorreram o mundo nas últimas cinco décadas, fazendo legiões de fãs em diversas línguas. 

Ela não é apenas uma escritora de sucesso. Tem sido, ao longo de mais de cinquenta anos, referência para escritores do gênero fantasia e ficção científica. Ao ler O Feiticeiro de Terramar é impossível não ver em Ged, ou Gavião, o aprendiz de feiticeiro, um Harry Potter medieval, por exemplo. Também é possível identificar, no estilo da autora, filmes de fantasia e videogames do mesmo gênero que fizeram sua marca registrada, nas telas dos cinemas ou nos games, nas décadas de 1980/1990. 

O livro O Feiticeiro de Terramar é dividido em 10 capítulos, onde vamos acompanhar o jovem Ged, ou Gavião, como é conhecido, em suas peripécias, aventuras e desventuras, para se tornar um feiticeiro. Em suas 176 páginas, vamos encontrar uma história agradável e divertida, como uma introdução ao universo de Terramar e uma espécie de preâmbulo para os livros subsequentes, com direito a muita magia, feitiços, encantamentos, criaturas míticas, demônios, dragões e feiticeiros. A cena em que Ged se defronta com os dragões, ilustrado na capa do livro, é muito legal e merece uma versão cinematográfica. 

“Ged pensara que, como aprendiz de um grande mago, teria todo acesso ao mistério e ao domínio do poder. Ele compreenderia a linguagem dos animais e a fala das folhas da floresta, dobraria os ventos com sua palavra e aprenderia a tomar qualquer forma que desejasse. Talvez ele e o mestre corressem juntos com cervos ou voassem para Re Albi acima das montanhas, sobre as asas das águias.” - pág.25

Gavião começa sua vida como Duny, e aos 13 anos é nomeado, por sua tia, como Ged. Órfão de mãe ao primeiro ano de vida, trabalhando com o pai na forjaria nos primeiros anos de existência, Ged encontra na tia a porta de  ingresso para um mundo mesclado de magia e mistérios ocultos. Desde de cedo Ged demonstra poderes e aptidões para a magia. Com esse dom, ele ajudou seu povo, na ilha de Gont, a enfrentar a invasão do temido exército de Korg. A partir daí, ele conhece Ogion, o Mago, com quem tece profunda amizade e, deste ponto em diante, passa a tecer o próprio destino que o levará até Rocke, onde Ged pretende terminar sua iniciação na magia. Ao longo desse percurso, Ged enfrentará muitos desafios, inclusive a Sombra que o persegue constantemente, tentando impedir que ele se torne naquilo para qual está destinado. 

“Criatura nenhuma se moveu nem voz falou por um longo tempo na ilha. Ouviam-se apenas ondas quebrando na praia. Então Ged percebeu que a torre mais alta aos poucos mudou de forma, inchando de um dos lados, como se um braço nascesse nela. Ele temeu a magia dos dragões, pois dragões velhos são muito poderosos e astutos, e possuem uma feitiçaria  que tem diferenças e semelhanças com os homens.” - pág.88

A trama do livro é bem construída, com ótimos diálogos, personagens carismáticos, boa evolução da personalidade dos protagonistas, excelente descrição dos ambientes e das cenas, além de todos os bons elementos que já consagraram o gênero fantasia. E tudo isso por conta da forma como Ursula escreve, sem rodeios, sem complicações, sem futilidades. Ela vai direto ao ponto e isso é muito agradável. Mais conteúdo, em menos volume. 

Eu adorei esse primeiro livro da série Ciclo Terramar e estou ansiosa pelo segundo volume. Ged ganhou a minha consideração, assim como Ursula K. Le Guin o meu respeito. Aos 87 anos de idade ela continua exuberante e feliz com seu monumental legado. Parabéns para ela!

O Feiticeiro de Terramar vai agradar aos fãs de fantasia, tanto os mais antigos quanto os novatos, bem com aos leitores ocasionais que curtem uma boa leitura e querem fugir um pouco do lugar-comum das leituras já batidas em temas recorrentes. 


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